Angola Cables reformula segundo data center no Ceará e avalia projeto de hiperescala

Empresa diz que atende aos pré-requisitos de grandes players do setor.

Escrito por Mariana Lemos mariana.lemos@svm.com.br
02 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: O data center da Angola Cables fica localizado na Praia do Futuro, em Fortaleza.
Foto: Divulgação

O projeto do segundo data center da Angola Cables no Ceará está sendo reformulado e pode ganhar dimensão "hiperescala", diante da demanda de plataformas de redes sociais e inteligência artificial. 

A informação foi confirmada pelo CEO da Angola Cables Europa, Samuel Carvalho, durante a 3ª edição do Atlantic Convergence, conferência organizada pela DE-CIX que debate o futuro das infraestruturas digitais, em Lisboa.

Com data center em operação na Praia do Futuro, em Fortaleza, desde 2019, a Angola Cables havia anunciado a intenção de construir um segundo empreendimento.

A empresa fechou parceria com o Governo do Ceará em 2022 e previa investimento de US$ 40 milhões.

Atualmente, a Angola Cables opera uma rede de cabos submarinos de 33 mil quilômetros, composta pelos sistemas WACS, SACS e MONET. Os dois primeiros chegam ao hub de cabos de Fortaleza. 

A companhia concentra a maior capacidade disponível nos trechos Fortaleza-São Paulo e São Paulo-Miami. A infraestrutura cearense também permite baixa latência para Europa e África. 

Demanda em alta muda o planejamento

O planejamento mudou de rumo diante do crescimento exponencial da demanda e das novas estratégias do mercado de processamento de dados, segundo Carvalho. 

A empresa também identifica aumento da procura no mercado de jogos. Caso o alto interesse se confirme, o projeto pode ser hiperescala, como o data center que está sendo construído no Porto do Pecém para operação do TikTok.

"Fomos reformulando toda a nossa visão com base na demanda que nos está chegando, para ter uma lógica de negócio digital. Nós somos um 'enabler digital' desses negócios, e não só um construtor imobiliário de data center que depois vai procurando encher", explica. 

A Angola Cables tem contato com grandes empresas de conteúdo e inteligência artificial, segundo o executivo, e atende aos pré-requisitos dessas grandes empresas, o que é importante para modelar o acordo. 

Ainda não há previsão de formalização do novo projeto. A empresa analisa locais para instalação do projeto na Praia do Futuro, onde já opera, e também na região do Pecém

A visão de crescer o hub de Fortaleza tem sido sempre trabalhada com iniciativas privadas e também com iniciativas governamentais. E também trazendo, na nossa perspectiva mundial, clientes que observam Fortaleza como ponto de chegada e fixação de seus conteúdos.
Samuel Carvalho
CEO da Angola Cables na Europa

Carvalho ressalta que a empresa trabalha um modelo de negócio que atenda às novas exigências, em que os conteúdos e operações de inteligência artificial precisam de mais conectividade por cabos, computação em nuvem e computação física. 

"Vamos entender o que nos serve melhor, se é uma infraestrutura compartilhada com um operador já existente ou uma infraestrutura própria, que atenda a uma demanda completa de um operador de inteligência artificial. Hoje eu posso construir um data center em 12 meses e acomodar rapidamente a necessidade de um cliente escalável", afirma. 

Cabos e data centers na Praia do Futuro

Além do mercado de data centers, a Angola Cables pretende reforçar sua estrutura de conectividade por cabos submarinos. 

Carvalho projeta que a Praia do Futuro se fortaleça como um grande "campus de interconexão", com integração entre as estruturas submarinas e os data centers.

"Acreditamos que vai haver mais cabos que passem na Praia do Futuro, que vai haver uma proposição de cabos costa a costa. [...] A conectividade acontece antes do data center. Pode acontecer de um mega consórcio 'atravessar' a América do Sul de uma ponta a outra. E alguns dessas cabos que eram de operadores podem vir a ser de consórcios dos players globais", explica.  

*A repórter viajou a convite da DE-CIX para a Atlantic Convergence em Lisboa.

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