Fortaleza completa 98 anos de história em busca de retomar dias de glória

Solenidade no Estádio Alcides Santos iniciaram os festejos

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 15:37)

O Estádio Alcides Santos recebeu, nesta terça-feira (18), os festejos em comemoração ao aniversário de 98 anos do Fortaleza Esporte Clube. O evento contou com a banda da 10ª Região Militar, missa de ação de graças e terminou com a entrega do troféu 'Leão de Ouro' a personalidades e familiares dos homenageados.

Foram agraciados  Raimundo Nonato Arrais Maia (em memória), o jornalista Edilmar Norões (em memória), o empresário Ivens Dias Branco (em memória),  José Vilar Marques e Salvino Damião Neto.  

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O Tricolor do Pici comemora seus 98 anos em busca de reviver os seus tempos áureos. O Fortaleza foi fundado em 18 de outubro de 1918, no bairro do Pici, na capital cearense, por Alcides Santos, um dos maiores esportistas do estado, que se apaixonou pelo futebol durante o período em que estudou no College Stella, na França.

Seu título mais relevante é o Torneio Norte-Nordeste, conquistado três vezes. Dos clubes cearenses, é o  segundo com mais participações na Série A do Campeonato Brasileiro, com 20. É também, o segundo maior vencedor estadual, com 41 títulos. 

Fundação

Alcides Santos fundou em 23 de fevereiro de 1912 um clube chamado Fortaleza. A seguir, participou da fundação do Stella Foot-Ball Club, em 30/05/1915 (Stella era o nome do colégio suíço onde estudavam os mais ricos membros da sociedade), clube com estreita ligação com o Fortaleza Sporting Club (primeira denominação do Tricolor, que perdurou até a II Grande Guerra), fundado em 18/10/1918. 

Alcides Santos também estimulou e participou da fundação do Riachuelo, Tabajara e Maranguape, todos antes de 1918. Esteve ligado ao Fortaleza em seus primeiros 20 anos de história.

Várias versões envolvem a fundação do Fortaleza Esporte Clube. Na mais provável, o Fortaleza teria sido fundado em 1912, com o nome de Stella Foot-Ball Club. Mas tal time teve vida curtíssima, e em 18/10/1918 seria fundando, a partir dele, o Fortaleza Sporting Club, tendo como presidente Alcides Santos, que junto com Humberto Ribeiro, Walter Oslen, João Gentil, Brum Menescal, Oscar Ribeiro, Mário Petter e outros, transformou o Stella em Fortaleza, para homenagear a capital cearense. 

Primeiros Títulos

1920 foi o ano do primeiro campeonato cearense realizado pela Associação Desportiva Cearense (ADC), e disputado por quatro clubes: o Fortaleza (campeão), o Guarany (vice), o Bangu (terceiro lugar) e o Ceará (quarto lugar). O artilheiro cearense daquele ano também foi do Fortaleza: Humberto Ribeiro, com 11 gols.

Nota: Em 17/12/2008, a Federação Cearense de Futebol passou a reconhecer os títulos da extinta Liga Metropolitana, dando as conquistas desta, ao Ceará Sporting.

No ano de 1923, no dia 22 de abril é inaugurado o Campo do Alagadiço, nas proximidades da Igreja de São Gerardo, na avenida Bezerra de Menezes. No local, em janeiro de 1924, o Fortaleza vence o campeonato de 1923. É o primeiro estádio que o Tricolor inaugura com um título.

Maior goleada do Clássico-Rei

Clássico Rei é a denominação do confronto entre o Fortaleza x Ceará. A rivalidade é tanta, que não se pode deixar de citar a maior goleada entre os dois clubes. Foi pelo campeonato cearense de 1927, em que o Fortaleza aplicou um 8 a 0 sobre o seu maior adversário. 

Mudança de nome

Por decreto presidencial, em 1946, as palavras estrangeiras foram retiradas do nome do clube. De Fortaleza Sporting Club, passa a ser Fortaleza Esporte Clube. Neste mesmo ano foi campeão cearense, ao vencer, no dia 18 de agosto, o Luso por 8 a 1. Também nesse ano, é coroado primeiro campeão do Nordeste, em Natal, onde o atacante velocista Jombrega fraturou a perna. Venceu o América de Natal na final.

A década mais valiosa do clube

A década de 1960, foi marcada pelas grandes conquistas do Leão, sendo elas, cinco estaduais 1960, 1964, 1965, 1967 e 1969; e duas finais na Taça Brasil (Campeonato Brasileiro). 

Como campeão cearense de 1959, o Fortaleza adquiriu o direito de disputar a Taça Brasil, o primeiro campeonato Nacional. E chegou longe. Nas semifinais da competição, venceu o Santa Cruz no PV por 2 a 1 e foi a final contra o poderoso Palmeiras de Julinho Botelho. Em casa, derrota por 3a 1. Na casa do adversário, em 28 de dezembro, foi 8 a 2. Apesar do placar, o Tricolor chegou longe e mostrou a força do futebol alencarino. O artilheiro da competição foi Bececê, do Fortaleza, com 7 gols.

Mais uma final da Taça Brasil. Na primeira fase, eliminou o Bahia, com 2 a 1 no PV, no playoff. Depois o Náutico na semifinal. Em 24 de agosto de 69, venceu por 2 a 1 em casa. Em 27 do mesmo mês, perdeu por 1 a 0 em Recife. No dia 29, em Recife, numa vitória histórica, venceu o playoff por 1 a 0. Em 3 de setembro, enfrentou o Botafogo no PV, e empatou em 2 a 2, com dois gols marcados por Lucinho. Em 4 de outubro, perdeu por 4 a 0 no Maracanã.

12 anos sem acesso

No fim da década de 90, o Tricolor participou da Série C. Com a criação da Copa João Havelange em 2000, o clube foi um dos 36 participantes do Módulo Amarelo, espécie de Segunda Divisão. O Leão terminou a fase inicial na 1º colocação, mas foi eliminado nas quartas de final, pelo Paysandu. No ano seguinte, permaneceu entre os que disputaram a Série B.

Em 1992, o campeonato da Série B previa inicialmente o ingresso de dois times. Entretanto, as regras foram modificadas com a adição do Grêmio, e os 12 primeiros subiram. Como a equipe foi a 7ª colocada, também jogou o Brasileirão principal em 1993, em uma disputa que incluiu também o Ceará. Contudo, oito equipes foram rebaixadas para a segundona, e além de Ceará e Fortaleza, caíram América-MG, Coritiba, Atlético-PR, Desportiva, Santa Cruz e Goiás.

Nos anos 2000, o Tricolor fez a festa dos torcedores com duas conquistas em âmbito nacional: os acessos à Série A. O último ocorreu em 2004, depois de uma reta final ‘milagrosa’ na Segunda Divisão. Durante os últimos oito anos, agora na Série C, o clube teve dificuldades para imprimir o passo final em busca de uma subida.

Futuro

Com uma das torcidas mais apaixonadas do País, o Leão tenta em 2017 acabar com esse 'marasmo'. Para isso, o clube aposta no planejamento estabelecido para a próxima temporada, o avanço no programa de sócio-torcedores, a marca própria, a interdisciplinaridade de uma gama de profissionais (fisiologistas, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas), as contas em dia, o envio das categorias de base para o CT, as reformas dos alojamentos e as parcerias administrativas que foram importantes na gestão de Jorge Mota.