A Transposição do Rio São Francisco, além dos efeitos sociais e econômicos, coloca em evidência iniciativas relacionadas à preservação ambiental e ao uso sustentável da água. Uma das maiores obras de segurança hídrica do mundo, com 1400 km de canais, 15 mil quilômetros
de adutoras e 10 estações de bombeamento, a transposição beneficia mais de 12 milhões de brasileiros, em 397 municípios, levando água para Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Rio da integração nacional, o Velho Chico banha os Estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.
Uso consciente da água
Com a entrada gradual em operação, parte dos canais e reservatórios já recebe água do rio. Neste estágio, o sistema passa por testes técnicos, utilizados para verificar o funcionamento de estruturas como aquedutos, barragens e equipamentos. Além disso, a profundidade dos reservatórios e a força da correnteza representam riscos, corroborando para que a água não possa ser utilizada para o lazer.
A preservação da qualidade da água também é um ponto de atenção. O descarte irregular de resíduos e o uso inadequado das estruturas podem comprometer o abastecimento. Por isso, ações de orientação têm sido direcionadas às comunidades próximas, com foco no uso consciente e na proteção do recurso.
Monitoramento ambiental
A transposição inclui programas socioambientais voltados à mitigação de impactos, entre eles o Programa de Conservação de Fauna e Flora, coordenado pelo Ministério da Integração Nacional em parceria com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Uma das principais iniciativas é o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), responsável por ações de resgate e monitoramento de animais silvestres nas áreas de influência do projeto. De acordo com dados institucionais, mais de 136 mil animais já foram resgatados, sendo a maior parte devolvida ao habitat natural.
No campo da flora, as ações são conduzidas pelo Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental (Nema), também vinculado à Univasf. O trabalho inclui resgate e coleta de espécies e monitoramento dos impactos ambientais sobre a flora ao longo da extensão da obra.