A tarifa paga pelos usuários de ônibus em Fortaleza não deve sofrer aumento em 2027, segundo o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), George Dantas. O gestor afirma que a Prefeitura planeja outras maneiras de arcar com o transporte público, como o aumento de subsídios. O custo da operação para as empresas e o valor subsidiado pelo poder público devem ser discutidos em novembro.
“Não há expectativa. O prefeito não trabalha hoje com a expectativa de aumentar a tarifa”, afirmou George em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste.
O presidente defendeu a necessidade do último aumento de tarifa realizado em janeiro de 2026, quando o valor de R$ 4,50, definido em março de 2023, foi elevado para R$ 5,40.
“Foram mais de mil dias sem aumento. E não é que o empresário engoliu o custo disso ou que a cidade continuou a mesma. Qual foi o custo? Você diminuiu a frota, piorou o serviço e a frota ainda envelheceu”, explicou.
Para ele, no entanto, olhar para o aumento de tarifa como maneira de garantir o financiamento do sistema “não é mais uma tendência”. Devido à baixa contínua de usuários na última década, principalmente após a pandemia, a receita tarifária deixou de ser suficiente para arcar com os custos da operação.
“Entre aumentar a passagem e cortar ônibus, só tem um caminho: aumentar o subsídio. Não tem outro caminho. O cálculo é um só”, afirma. Este sim, segundo George Dantas, deve ter aumento em 2027.
passageiros utilizam o transporte coletivo em Fortaleza. O número caiu pela metade após pandemia.
Em 2026, o valor repassado pela Prefeitura mensalmente às empresas de ônibus e vans do transporte alternativo para completar o custeio das atividades já sofreu alterações. No início do ano, R$ 16,5 milhões eram destinados por mês. Com o aumento da gratuidade estudantil por mais dois dias, aos fins de semana, o valor chegou a R$ 18 milhões mensais.
Há expectativa também de conseguir subsídios diretos do Governo do Estado, a partir da proposta de campanha do governador reeleito Elmano de Freitas (PT) de garantir passe livre aos fins de semana em Fortaleza.
Atualmente, o poder estadual contribui apenas com subsídios indiretos, zerando o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível do setor.
Além disso, a sanção do Marco Legal do Transporte Público em junho de 2026 permite que a União participe do financiamento do transporte coletivo urbano. A Prefeitura também espera que subsídios federais passem a entrar no cálculo, apesar de ainda não haver previsão desse auxílio.
Com aumento da gasolina e fim da escala 6x1, Sindiônibus prevê negociação 'difícil'
Dimas Barreira, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), adianta que a discussão de ajuste dos custos para 2027 terá pressões específicas, tais como:
- Aumento de combustíveis, com altas acumuladas na ordem de 30% em 2026;
- Queda contínua no número de passageiros pagantes;
- Impacto do fim da escala 6x1 e diminuição da jornada de trabalho dos motoristas.
“A própria PEC [do fim da escala 6x1] prevê que contratos de concessão precisam de até 12 meses para tratar desse assunto, justamente porque ele desequilibra completamente os contratos e pode levar a um colapso do serviço. Mas isso também vai ter que ser enfrentado pela Prefeitura e é um enorme aumento de custos”, afirmou Barreira.
Em relação à manutenção do valor da tarifa, Dimas diz que não há oposição do Sindicato, desde que o custo seja devidamente financiado pelas outras fontes.
“O nosso entendimento é que quanto menos tarifa melhor, porém precisa lidar com a realidade de quanto custa”, diz.