'Não há expectativa', diz Etufor sobre aumento de passagem de ônibus em Fortaleza

Presidente afirma que prefeito não trabalha com expectativa de aumento da tarifa em 2027.

Escrito por Alexia Vieira alexia.vieira@svm.com
24 de Outubro de 2026 - 07:00
capa da noticia
Legenda: Subsídio para empresas de ônibus e cooperativas de transporte alternativo pago pela Prefeitura chega a R$ 18 milhões mensais em 2026.
Foto: Ismael Soares.

A tarifa paga pelos usuários de ônibus em Fortaleza não deve sofrer aumento em 2027, segundo o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), George Dantas. O gestor afirma que a Prefeitura planeja outras maneiras de arcar com o transporte público, como o aumento de subsídios. O custo da operação para as empresas e o valor subsidiado pelo poder público devem ser discutidos em novembro.

“Não há expectativa. O prefeito não trabalha hoje com a expectativa de aumentar a tarifa”, afirmou George em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste.

O presidente defendeu a necessidade do último aumento de tarifa realizado em janeiro de 2026, quando o valor de R$ 4,50, definido em março de 2023, foi elevado para R$ 5,40.

“Foram mais de mil dias sem aumento. E não é que o empresário engoliu o custo disso ou que a cidade continuou a mesma. Qual foi o custo? Você diminuiu a frota, piorou o serviço e a frota ainda envelheceu”, explicou. 

Para ele, no entanto, olhar para o aumento de tarifa como maneira de garantir o financiamento do sistema “não é mais uma tendência”. Devido à baixa contínua de usuários na última década, principalmente após a pandemia, a receita tarifária deixou de ser suficiente para arcar com os custos da operação. 

“Entre aumentar a passagem e cortar ônibus, só tem um caminho: aumentar o subsídio. Não tem outro caminho. O cálculo é um só”, afirma. Este sim, segundo George Dantas, deve ter aumento em 2027. 

500 mil
passageiros utilizam o transporte coletivo em Fortaleza. O número caiu pela metade após pandemia.

Em 2026, o valor repassado pela Prefeitura mensalmente às empresas de ônibus e vans do transporte alternativo para completar o custeio das atividades já sofreu alterações. No início do ano, R$ 16,5 milhões eram destinados por mês. Com o aumento da gratuidade estudantil por mais dois dias, aos fins de semana, o valor chegou a R$ 18 milhões mensais.

Há expectativa também de conseguir subsídios diretos do Governo do Estado, a partir da proposta de campanha do governador reeleito Elmano de Freitas (PT) de garantir passe livre aos fins de semana em Fortaleza.

Atualmente, o poder estadual contribui apenas com subsídios indiretos, zerando o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível do setor. 

Além disso, a sanção do Marco Legal do Transporte Público em junho de 2026 permite que a União participe do financiamento do transporte coletivo urbano. A Prefeitura também espera que subsídios federais passem a entrar no cálculo, apesar de ainda não haver previsão desse auxílio.

Com aumento da gasolina e fim da escala 6x1, Sindiônibus prevê negociação 'difícil' 

Dimas Barreira, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), adianta que a discussão de ajuste dos custos para 2027 terá pressões específicas, tais como:

  • Aumento de combustíveis, com altas acumuladas na ordem de 30% em 2026;
  • Queda contínua no número de passageiros pagantes;
  • Impacto do fim da escala 6x1 e diminuição da jornada de trabalho dos motoristas.

“A própria PEC [do fim da escala 6x1] prevê que contratos de concessão precisam de até 12 meses para tratar desse assunto, justamente porque ele desequilibra completamente os contratos e pode levar a um colapso do serviço. Mas isso também vai ter que ser enfrentado pela Prefeitura e é um enorme aumento de custos”, afirmou Barreira.

Em relação à manutenção do valor da tarifa, Dimas diz que não há oposição do Sindicato, desde que o custo seja devidamente financiado pelas outras fontes. 

“O nosso entendimento é que quanto menos tarifa melhor, porém precisa lidar com a realidade de quanto custa”, diz.

Este conteúdo é útil para você?

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado

Colunistas