Com seis pavimentos, estrutura imponente e moderna e 75 mil m² de área construída, o museu do Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz está com obras avançadas e deve ser inaugurado ainda no segundo semestre de 2026, em Fortaleza. O espaço, que contará com quatro andares dedicados a exposições de artes visuais e duas salas de restauro, é a principal entrega da primeira etapa da obra do complexo.
Já na entrega, o museu será aberto ao público com quatro grandes exposições. A primeira delas será uma homenagem à história e ao legado do casal Yolanda e Edson Queiroz; a segunda será a “Bienal de Arte da Fundação Edson Queiroz”, sob curadoria de Lucas Dilacerda, com 160 obras de 40 artistas; a terceira mostra, “Constelações da Arte no Brasil”, contará com mais de 200 obras, pertencentes à Fundação Edson Queiroz, que contam a história das artes visuais no País.
Já a quarta e última exposição, “Escrevendo tempos: encontros, elos e fronteiras entre artistas do Ceará e do Mundo nas coleções cearenses”, dos curadores Galciani Neves e Max Perlingeiro, terá 135 obras de artistas cearenses e internacionais. Em breve, o museu deve contar também com uma cafeteria e atividades de formação, como rodas de conversa e palestras.
Entre as próximas entregas do complexo está a inauguração de uma torre com 19 andares, que será inaugurada no ano que vem e deve ser utilizada para fins acadêmicos. O complexo também abrangerá um teatro.
Erguido no local onde funcionou o Centro de Convenções, ao lado da Universidade de Fortaleza (Unifor), no bairro Edson Queiroz, o complexo é uma iniciativa da Fundação Edson Queiroz (FEQ), mantenedora da Unifor.
A presidente da Fundação Edson Queiroz (FEQ), Lenise Queiroz Rocha, destaca que a entrega da primeira etapa vai além da inauguração de um novo equipamento cultural. “Ela simboliza a concretização de um sonho da Fundação Edson Queiroz de ampliar o acesso à arte, à cultura, ao conhecimento e à memória”, afirma.
“Esperamos que o Complexo se torne um espaço de encontro, reflexão e formação, aproximando diferentes públicos e fortalecendo o papel da cultura como agente de transformação social. É também uma forma de homenagear o legado de Yolanda e Edson Queiroz, que sempre acreditaram na educação e na cultura como instrumentos para o desenvolvimento das pessoas e da sociedade”, completa a presidente da Fundação.
O Complexo Cultural nasce para atender a uma demanda crescente por espaços culturais que dialoguem com a contemporaneidade, mas que também preservem e valorizem a nossa história. Nosso propósito é oferecer experiências que vão além da contemplação de acervos, promovendo atividades educativas, exposições, pesquisa, inovação e ações voltadas para diferentes faixas etárias e perfis de público.”
Arquitetura brutalista, áreas de convivência e sustentabilidade: como será o Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz
Em visita ao Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz, é possível compreender que o projeto do espaço – idealizado pelo arquiteto cearense Luiz Deusdará – tem como foco tornar o local um espaço de convivência e permanência.
Apesar de ser uma obra essencialmente brutalista, a atenção ao paisagismo e a construção de uma cobertura que une os dois principais pontos do complexo (museu e torre) devem contribuir para um ambiente mais fresco e respirável.
“Existe aquela ligação de que projeto brutalista é uma coisa mais moderna e que é muito árida. Então, a gente está trabalhando exatamente para quebrar um pouquinho isso”, explica o arquiteto Jivago Donizetti, coordenador de projetos do Complexo Cultural.
Donizetti destaca que a fachada do museu, por exemplo, foi pensada para ser invertida, com o intuito de diminuir o calor no local. A cobertura que liga o museu à torre também foi pensada para criar um ambiente adequado para receber um grande número de pessoas, já que o átrio em frente à entrada principal do museu deve se tornar um espaço dedicado a grandes eventos, como as colações de grau da Unifor.
Lojas e restaurantes também serão instalados, em breve, para maior comodidade de visitantes, estudantes e profissionais.
Ao adotar soluções construtivas mais sustentáveis em substituição a projetos convencionais, o empreendimento busca proporcionar uma redução significativa dos impactos ambientais. Segundo a Fundação Edson Queiroz, a obra evitou a emissão de cerca de 6 mil toneladas de gás carbônico, alcançou uma preservação ambiental equivalente a 1.350 árvores e economizou aproximadamente 42 mil litros de diesel.
A obra também reduziu o consumo de 11.340 m³ de concreto e 1.134 toneladas de aço, além de possibilitar o reaproveitamento de 472 toneladas de plástico descartado para reciclagem. A iniciativa proporcionou uma economia de 55.196 gigajoules (GJ) de energia incorporada à produção dos materiais.
Uma das inovações da obra está na utilização do sistema BubbleDeck, tecnologia de laje que emprega esferas plásticas reutilizáveis no interior da estrutura, reduzindo a quantidade de concreto necessária sem comprometer a resistência estrutural.
Confira fotos das futuras instalações do Complexo Cultural Yolanda e Edson Queiroz: