Juntar álcool e direção é extremamente perigoso e pode ter consequências graves, não só para o condutor, mas também para outras pessoas que estão no trânsito, como ciclistas, pedestres e motociclistas. Além disso, o motorista que for pego dirigindo alcoolizado pode até ser preso.
Criada há 15 anos, a Lei Seca passou por mudanças ao longo dos anos, tornando-a cada vez mais severa para quem dirige bêbado. Mesmo assim, há quem acredite que certas estratégias podem disfarçar os efeitos do álcool no organismo ou mesmo burlar o teste no etilômetro, também conhecido como bafômetro.
Nesse sentido, alguns mitos são difundidos popularmente, mas não isentam a responsabilidade de quem decide dirigir alcoolizado. Conheça alguns mitos e verdades sobre Lei Seca, bafômetro e a mistura entre álcool e direção.
Posso dirigir após beber apenas um pouco de álcool. Ainda me sinto sóbrio.
Mito. Qualquer quantidade de álcool pode prejudicar suas habilidades de direção. “O ato de dirigir, apesar de muitas vezes a gente fazer de uma forma mecânica, é um ato complexo, que exige capacidade física, mental e capacidade de reação”, pontua André Barcelos, gerente de educação para o trânsito da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC). O limite seguro de consumo do álcool é não beber antes dirigir. “A sobriedade é o mínimo que a gente pode ter para quando está na condução do veículo”, completa o gerente.
Vinagre ajuda a burlar o bafômetro
Mito. Nenhuma substância tem eficácia em diminuir a concentração de álcool no sangue. “Muitas substâncias que são tratadas como elementos que vão diminuir o teor de álcool, que vai ser expelido pelos pulmões da pessoa, na verdade, são informações erradas, porque o etilômetro capta justamente a presença de partículas de álcool que são digeridas no organismo e que são expelidas pelos pulmões. Então, nenhuma dessas substâncias como vinagre, alguns medicamentos, ou água com gás ou gelo podem diminuir essa concentração de álcool”, explica o gerente de educação para o trânsito.
Bafômetro detecta bombom de licor e enxaguante bucal
Verdade. Mas não significa que o motorista será punido. “Quando o agente convida a pessoa para fazer o exame do etilômetro, a primeira pergunta que ele vai fazer é se a pessoa ingeriu algum tipo de alimento nos últimos 15 minutos”, explica André Barcelos. Isso porque se o motorista tiver comido um bombom de licor ou usado enxaguante bucal, por exemplo, o etilômetro vai detectar o álcool na boca. Neste caso, o teste deverá ser repetido alguns minutos depois. "O que interessa para medição do etilômetro é o álcool que está digerido no organismo. Então, quando está na boca, até interfere na medição, mas se você fizer alguns minutos depois, vai dar zero”.
Existe margem de tolerância para o bafômetro.
Verdade. Se ao fazer o exame no etilômetro a indicação for de 0.04 miligramas por litro de álcool expelido, para a fiscalização é zero. “Se der 0.05 miligramas por litro de ar expedido aí, nesse caso, a pessoa já está incorrendo numa infração de trânsito e vai ser autuada. Se der acima de 0.30, nesse caso, vai incorrer no crime de trânsito. Esses percentuais são baseados em estudos científicos”, argumenta André Barcelos.
A operação lei seca aborda mais homens que mulheres
Mito. De acordo com o gerente de educação para o trânsito da AMC, a operação Lei Seca pode ter um foco de operação, mas não diferencia por gênero. “Dependendo de como foi montada a operação, ela pode ser direcionada para pessoas mais jovens, mas, em geral, não há uma diferença de gênero em relação às abordagens. Qualquer condutor que é abordado, tem que se submeter ao teste e não tem essa influência do gênero na abordagem”, afirma.