A balsa que encalhou na Praia do Icaraí, em Caucaia, estava sendo rebocada por outra embarcação na costa cearense e tinha como destino a cidade do Rio de Janeiro. Após ventania, as cordas do reboque teriam se desprendido, deixando a estrutura flutuante à deriva que emperrou em um dos espigões da praia na Região Metropolitana de Fortaleza, na manhã desta terça-feira (21).
Conforme apuração da reportagem do Diário do Nordeste no local do incidente, a balsa de identificação FLU-IPÊ, de Belém do Pará, era rebocada pela embarcação “SN CARAÍVA”. Em algum momento da viagem, os cabos romperam e a balsa ficou à deriva até ser parada pelo espigão.
A estrutura não é tripulada e não houve vítimas. Durante a manhã, pelo menos duas pessoas estavam na embarcação tomando providências para o novo reboque. A empresa responsável pelo SN CARAÍVA e a Marinha do Brasil informaram que as causas do encalhamento ainda serão analisadas tecnicamente.
Uma moradora, que vive em um condomínio a menos de 500 metros do espigão, relatou que viu uma luz vermelha intensa durante a madrugada. “Era por volta das 4h30 da manhã quando ouvi a pancada. Foi um barulho bem forte, a gente chega a pensar até que era um terremoto. Da janela eu vi o barco encalhado”, conta.
O espigão marítimo se tornou um ponto de encontro de curiosos, reunindo diversos moradores da região e turistas. A grandiosidade da estrutura flutuante atraía o público de todas as idades, que chegavam em busca de fazer um registro.
Um surfista contou que a área da praia onde a balsa encalhou é conhecida por receber banhistas e praticantes de surfe. Enquanto a reportagem estava no local, frequentadores da praia aproveitavam o clima ameno na faixa de areia e ainda observavam a embarcação.
“É um fato bem inédito porque não é de costume ter tanta movimentação aqui, como também nada encalhar assim. Há três anos moro aqui e é a primeira vez que me deparo com um navio tão grande, de uma proporção que não dá para imaginar como encalhar”, disse outra moradora do Icaraí, que não quis se identificar.
Providências para desencalhe
Membros da Capitania dos Portos do Ceará (CPCE) e equipes das Forças de Segurança também estiveram no local para verificar a ocorrência, inspecionar as condições de segurança da navegação da embarcação e adotar as medidas previstas no âmbito da Autoridade Marítima.
Conforme nota da Marinha do Brasil (MB) enviada ao Diário do Nordeste, foi constatado que não houve derramamento de óleo decorrente do encalhe e que a balsa estava vazia. Além disso, a empresa responsável deve iniciar as operações para a retirada da balsa do local ainda nesta terça (21).
“A CPCE irá instaurar um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), com o propósito de apurar as causas, circunstâncias e responsabilidades do ocorrido, com o prazo inicial de 90 dias para sua conclusão”, completa a nota.
Já a empresa responsável pelo serviço de rebocagem, a Sulnorte Serviços Marítimos Ltda., informou que, desde o primeiro momento, equipes técnicas e operacionais foram mobilizadas e estão atuando “de forma contínua e coordenada na ocorrência”.
A prioridade absoluta, segundo a Sulnorte, é que sejam adotadas as medidas necessárias para garantir a segurança das pessoas, a integridade da embarcação, das operações e a proteção da área afetada e das comunidades do entorno.
“Neste momento, não é apropriado antecipar conclusões sobre suas causas, que serão esclarecidas após a conclusão das investigações pelas autoridades competentes e pelos procedimentos técnicos aplicáveis”, diz.
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