João Gabriel Martins, Árion Abaete Moura e Lucas Lourenço, alunos da rede municipal de Caucaia, foram classificados para a última fase da Olimpíada de Matemática da Unicamp (OMU) 2026, que será realizada em setembro, no estado paulista. Contudo, os estudantes do 8° ano veem a participação no evento ameaçada pela falta de recursos financeiros para bancar a viagem.
À reportagem, Antônio de Almeida Neto, professor orientador da equipe, detalha que foi enviado um ofício conjunto por duas escolas municipais à Secretaria Municipal de Educação de Caucaia, solicitando ajuda de custo para viabilizar a participação de três equipes de estudantes na etapa presencial da OMU 2026.
O documento traz informações da logística de viagem, cronograma das provas e custos estimados para uma delegação de doze integrantes. Até o momento, não tiveram retorno.
O Diário do Nordeste questionou a gestão municipal de Caucaia sobre o caso desde a última sexta-feira (21), mas não obteve respostas até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestação.
Buscando alternativas de custeio, o grupo promove, nas redes sociais, uma campanha de financiamento coletivo (popularmente conhecida como “vaquinha”), com o objetivo de alcançar o montante de R$ 15 mil, valor estimado para arcar com custos de passagens aéreas, hospedagem e alimentação do grupo formado pelos estudantes e pelo orientador.
Como funciona a Olimpíada
A OMU funciona em fases online, que permite às equipes, formadas por três estudantes e um professor orientador, a realização de questões de matemática dissertativas durante uma semana. Dos participantes, é exigido o cálculo, mas também a capacidade de pesquisa, argumentação e redação lógica.
As duas primeiras fases aconteceram entre abril e maio deste ano. Unindo todos os finalistas para a fase em Campinas, o Ceará soma 94 grupos classificados - o segundo estado com maior representação, ficando atrás apenas de São Paulo, que conta com 96 equipes finalistas.
O reconhecimento no exame permite também o ingresso em universidades usando vagas olímpicas, dispensando o vestibular tradicional. Centros universitários como a Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP) disponibilizam editais para este modelo de ingresso.
A preparação dos alunos antecedeu a prova em si. Desde março, o grupo se reunia semanalmente, tanto para estudar os conteúdos cobrados quanto o formato da avaliação. A aplicação permitiu, de acordo com o professor, um mergulho no conhecimento matemático, alinhado à linguagem e à redação.
Sobre a participação em Olimpíadas, Antônio Neto defende que, para além dos objetivos pedagógicos de ensino, há um potencial social na dedicação a tais provas.
“A gente está preocupado em desenvolver os alunos. Pegar os alunos que estão em vulnerabilidade social, que são quase a maioria, e fazer com que eles consigam expandir a mente deles, saberem as possibilidades que eles têm para poder alcançar um nível maior. Nossas movimentações, sempre com um olhar mesmo acolhedor”, avalia.
A despeito da importância para o desenvolvimento estudantil, o professor destaca que não havia o costume e o incentivo para a realização de olimpíadas científicas no contexto escolar.
O educador comenta que, num cenário de ausência de recursos financeiros para a inscrição dos alunos na prova, os professores e colaboradores “tiraram do próprio bolso” e realizaram o pagamento para viabilizar a participação dos estudantes.
Saiba como ajudar
A equipe formada por Árion, João Gabriel e Lucas recebe doações por meio do PIX (e-mail) caucaianaunicamp@gmail.com - Antônio Correia de Almeida Neto.
Os valores serão utilizados para cobrir os custos de passagens aéreas, alimentação, hospedagem e transporte local.
*Estagiária sob supervisão dos jornalistas Dahiana Araújo e Nícolas Paulino.