Veja as principais dicas da Cartilha de Redação do Enem 2026

Manual reúne exemplos de práticas boas e ruins para orientar participantes.

Escrito por Alexia Vieira alexia.vieira@svm.com.br
19 de Setembro de 2026 - 12:10
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Legenda: Prova de redação de 2026 será aplicada no dia 8 de novembro, no primeiro dia do exame.
Foto: Angelo Miguel/MEC.

A Cartilha de Redação do Enem 2026, disponibilizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta sexta-feira (18), traz as principais orientações sobre a prova dissertativa-argumentativa. 

Os alunos podem conferir os critérios avaliativos de cada uma das cinco competências cobradas na prova de redação, dicas de como usar repertórios de forma produtiva e evitar os chamados “repertórios de bolso”. Também foi incluída uma explicação detalhada sobre as regras da proposta de intervenção. 

Além disso, o Inep reuniu exemplos de boas redações da edição de 2025, sobre o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, e comentários destrinchando cada aspecto dos textos.

Foram divulgadas também as cartilhas com regras específicas para candidatos com dislexia, surdez/deficiência auditiva e com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

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Diferenças entre repertório de bolso e repertório produtivo

Um dos aspectos avaliados na Competência II é o repertório sociocultural dos estudantes, que pode ser composto de citações de pensadores, livros, filmes, leis, entre outros. Para atingir a pontuação máxima neste aspecto, o Enem cobra que o repertório seja “relacionado ao tema e contribua como argumento para a discussão proposta”.

A Cartilha orienta que os repertórios socioculturais citados na redação sigam os seguintes aspectos:

  • ser pertinentes ao assunto tratado;
  • ser bem contextualizados e articulados com os argumentos;
  • mostrar que o(a) participante sabe relacionar o conhecimento ao problema discutido.

Pelo segundo ano consecutivo, a Cartilha chama atenção para os “repertórios de bolso”, que podem diminuir a pontuação dos alunos. 

“Referências prontas, memorizadas e frequentemente utilizadas pelos(as) participantes, de forma genérica e pouco aprofundada, sem uma conexão genuína com o tema proposto. É como se fosse um repertório ‘guardado no bolso’ para ser usado com qualquer tema, mesmo que não seja totalmente adequado ou pertinente”, diz o documento.

Confira um exemplo de repertório de bolso citado pela Cartilha:

“Além disso, Aristóteles afirmou que o homem é um animal político. Dessa maneira, é possível perceber que o envelhecimento na sociedade brasileira precisa ser discutido. Portanto, é necessário que todos reflitam sobre esse problema para que haja melhorias no país”.

Nesse caso, o documento explica que a referência à Aristóteles é um repertório amplo e versátil, frequentemente empregado nas redações e adaptado a diferentes temáticas. No entanto, a citação tem baixa pertinência ao tema da proposta de 2025.

“Dessa forma, o repertório assume uma função predominantemente introdutória e ornamental, não contribuindo de maneira efetiva para o fortalecimento da argumentação. Embora não seja um repertório inválido, sua produtividade é reduzida, já que poderia ser substituído por diversas outras referências genéricas sem comprometer o sentido do parágrafo”, diz a explicação da Cartilha. 

O documento traz ainda outros exemplos de repertórios de bolso e também de repertórios produtivos e pertinentes. 

Proposta de intervenção deve apresentar ação concreta para enfrentar o problema

Na redação do Enem, não basta identificar ou explicar o problema apresentado no tema. O candidato também precisa indicar uma forma de enfrentá-lo. É isso que será avaliado na Competência V, responsável por analisar a elaboração de uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.

Segundo a Cartilha de 2026, a proposta deve estar relacionada ao tema e aos argumentos desenvolvidos no texto. A cartilha orienta que ela seja “concreta, específica ao tema e consistente com o desenvolvimento de suas ideias”.

Para construir a proposta, o candidato deve considerar:

  • Ação: o que deve ser feito?
  • Agente: quem deve executar?
  • Meio: como a ação será realizada?
  • Finalidade: qual efeito deve alcançar?
  • Detalhamento: que informação pode tornar a proposta mais específica?

A Cartilha destaca ainda que apenas apontar a existência de um problema não configura uma proposta de intervenção. Dizer, por exemplo, que “faltam investimentos em x” é uma constatação, não uma medida para enfrentar a questão.

Segundo o documento, “a principal diferença entre propor e constatar está na presença de uma ação propositiva”. Por isso, o candidato deve indicar claramente o que precisa ser feito para modificar a realidade discutida.

A orientação também é evitar propostas vagas, genéricas ou desconectadas dos argumentos apresentados na redação.