Enem poderá ter questões abertas e cobrar itinerários formativos, diz presidente do Inep

As mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio estão sendo estudadas para os próximos anos.

Escrito por Alexia Vieira* alexia.vieira@svm.com.br
26 de Agosto de 2026 - 13:26 (Atualizado às 13:36)
capa da noticia
Legenda: Outra mudança estudada para a prova é a possibilidade de inclusão de questões eletivas para avaliar os itinerários formativos escolhidos pelo estudante durante o ensino médio.
Foto: Saulo Roberto

Após ser incorporado como um instrumento de avaliação, substituindo a prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para o terceiro ano do Ensino Médio, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deve passar por mudanças. Uma delas pode ser a inclusão de questões abertas, nas quais o estudante terá de escrever a resposta em vez de apenas marcar o item correto.

De acordo com o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palácios, as questões abertas ainda não serão implementadas no Enem de 2026. Ele garante que as inovações estudadas para a prova serão divulgadas com antecedência, para não prejudicar a preparação de alunos e redes. 

“Uma questão vem sendo especialmente discutida, que é o interesse de trabalhar com a compreensão leitora, pedindo que os estudantes resumam um artigo ou texto que foi lido por ele, de forma a sintetizar as ideias ali apresentadas. Mas nada que se aplique no ano que está se discutindo ou mesmo no seguinte. As discussões que estamos fazendo com inovações no teste devem começar a entrar em efeito a partir de 2028, e muitas apenas nos anos seguintes”, disse. 

A entrevista foi concedida após a participação do presidente do Inep em uma mesa de discussão do VI Seminário Internacional de Gestão Educacional, promovido pelo Instituto Unibanco, em São Paulo. 

Enem poderá ter questões eletivas e mais de uma versão

Outra mudança estudada para a prova é a possibilidade de inclusão de questões eletivas para avaliar os itinerários formativos escolhidos pelo estudante durante o ensino médio. 

Esses itinerários são a parte personalizável do currículo presente no Novo Ensino Médio: áreas de aprofundamento selecionadas pelo aluno com base nos seus interesses. 

“Na prática, a inclusão dos itinerários formativos faz com que você não tenha uma prova única. Você pode ter uma grande parte da prova única e partes dessa prova ou sessões da prova eletivas”, explica Palácios. 

Manuel Palácios, presidente do Inep, participou de uma mesa de discussão do VI Seminário Internacional de Gestão Educacional, promovido pelo Instituto Unibanco, em São Paulo.
Legenda: Manuel Palácios, presidente do Inep, participou de uma mesa de discussão do VI Seminário Internacional de Gestão Educacional, promovido pelo Instituto Unibanco, em São Paulo.
Foto: Reprodução\Youtube Unibanco

Em 2024, a Reforma do Ensino Médio foi sancionada com veto presidencial para os prazos e diretrizes que obrigavam o Enem a avaliar os itinerários formativos. No entanto, com a inclusão do Exame no Saeb e a previsão de uma nova matriz de referência até 2028, esse ponto voltou a ser discutido. 

Enem 2026 já será usado para avaliação: o que muda agora?

Apesar de nenhuma das mudanças descritas por Palácios estar prevista para a prova de 2026, que ocorre nos dias 8 e 15 de novembro, o Enem deste ano já servirá como base para avaliação da qualidade da educação básica, substituindo o Saeb. 

A nota, que até então seria utilizada para acesso ao ensino superior, aos programas de financiamento e à certificação do Ensino Médio, também será base para a produção de indicadores.

Por isso, no Enem de 2026 todos os alunos concluintes do ensino médio da rede pública foram inscritos automaticamente. Atingir o máximo de estudantes é essencial para garantir uma boa produção de dados da etapa. A importância do Exame para os concluintes também é citada como um fator para garantir informações mais fidedignas sobre o aprendizado. 

“O Enem produz muito mais engajamento do estudante do que o Saeb. O Saeb é uma avaliação que não tem efeito prático na vida do estudante. Já o Enem é porta de acesso a uma série de oportunidades de formação. Esse engajamento deve oferecer um diagnóstico mais preciso do que o estudante aprendeu, do que consegue fazer a partir das referências curriculares que estão em vigor”, defende Manuel Palácios. 

Além disso, os dados sobre as escolas particulares serão mais robustos. Atualmente, com o Saeb, Palácios explica que os indicadores da rede privada tem uma margem de erro significativa, devido à participação aquém do esperado. “Com o Enem substituindo o Saeb no terceiro ano do ensino médio, vamos ter um quadro completo da educação básica no País”. 

Para atingir uma meta de 70% de participação dos estudantes, o Inep também deve aumentar a quantidade de locais de prova. Segundo Palácios, 80% dos candidatos concluintes devem fazer o exame nas escolas de origem.

*A repórter viajou a convite do evento. 

Este conteúdo é útil para você?

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado

Colunistas