A seis meses da eleição presidencial na França, manifestantes foram às ruas neste sábado (17) para protestar contra o aumento do custo de vida no país. Uma convocação nas redes sociais intitulada “Amarelos e Jovens” reuniu integrantes do movimento dos coletes amarelos, jovens da geração Z, agricultores, professores, ativistas climáticos e aposentados.
“Abaixo o sistema”, “Tomamos a Bastilha” e “Macron, renuncie” foram algumas palavras de ordem dos manifestantes. As autoridades francesas estimam que cerca de 550 mil pessoas foram às ruas, enquanto os organizadores apontam a participação de 800 mil nos protestos.
Segundo a AFP, os atos foram majoritariamente pacíficos, mas houve situações de confronto entre policiais e manifestantes, invasões de prefeituras, saques a lojas e marchas não autorizadas que provocaram caos no centro das grandes cidades. Um balanço inicial feito pelas autoridades anunciou cerca de 400 detidos.
“Aqueles que destruíram, atacaram tanto sedes de governos regionais quanto estabelecimentos comerciais e saquearam até mesmo nossas prefeituras serão perseguidos e punidos”, escreveu o presidente Emmanuel Macron na rede social X.
A mobilização deste sábado teve como foco o aumento do custo de vida, marcado, por exemplo, pela alta dos combustíveis desde o início da guerra no Oriente Médio.
“No fim do mês, já não me sobra nada. Os preços sobem, mas os salários não. Não aguentamos mais, estamos sufocando”, afirmou o funcionário público Franck, que participou de uma manifestação em Guéret, no centro da França, que contou com cerca de 300 pessoas.
Os episódios remetem à onda de protestos dos coletes amarelos que ocorreram em 2018 e 2019 contra o aumento de um imposto sobre os combustíveis.
“Há oito anos, lutamos com todas as nossas forças. (...) Agora, a juventude da França entrou em cena e nos devolveu a esperança”, recordou François Boulo, uma das figuras mais conhecidas dos coletes amarelos.
Invasão a prefeituras
Manifestantes invadiram as prefeituras em Marselha e Lille. Além disso, na primeira cidade, um busto de Marianne, símbolo da República Francesa, foi derrubado. Já na prefeitura de Limoges, um incêndio começou durante a noite.
Em Paris, a manifestação oficial ocorreu em clima festivo, mas, ainda segundo a AFP, as forças de segurança lançaram gás lacrimogêneo e usaram jatos de água antes mesmo do início, em resposta a objetos atirados por manifestantes mascarados na Praça da República.
Houve protestos não autorizados em outros pontos da capital, como os turísticos Campos Elíseos, perto do Museu do Louvre e nos arredores do Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa.
“Não vamos nos deixar intimidar”, afirmou o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu. Ele acusa o partido de esquerda radical França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, de estar por trás dos protestos.
Marine Le Pen, líder da extrema direita que lidera as pesquisas para a eleição presidencial e poderá disputar o segundo turno com Mélenchon, declarou que “a extrema esquerda voltou a fazer das reivindicações sociais legítimas suas reféns”.