Câncer do colo do útero: conheça sintomas, causas e relação com o HPV

Saiba como prevenir a doença, quais exames permitem identificá-la e quais são as opções de tratamento.

Escrito por Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
08 de Novembro de 2026 - 09:00
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Legenda: A depender do tipo de tratamento, a mulher pode apresentar infertilidade depois.
Foto: Shutterstock/Freshystock.

O câncer é o terceiro tipo de tumor mais incidente entre as mulheres no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Nas regiões Norte e Nordeste, ocupa a segunda posição. A doença registra cerca de 19,3 mil novos casos e mais de 7 mil mortes por ano no País

O câncer do colo de útero tem cura, principalmente quando o diagnóstico ocorre em fase inicial.
Legenda: O câncer do colo de útero tem cura, principalmente quando o diagnóstico ocorre em fase inicial.
Foto: Shutterstock/superbeststock.

A infecção persistente pelo HPV de alto risco é o principal fator associado ao desenvolvimento da doença, mas o risco pode aumentar com o tabagismo, a imunossupressão e outras infecções sexualmente transmissíveis

Em entrevista ao Diário do Nordeste, os especialistas da Rede ICC Rafaella Torres** e Ricardo Juaçaba** explicaram os principais sintomas, as formas de tratamento e as medidas de prevenção da doença.

O que é câncer do colo do útero?

O câncer do colo do útero é um tumor maligno localizado na parte inferior do útero, em uma região que se comunica com a vagina. Conforme a médica Rafaella Torres, a doença surge principalmente da infecção persistente pelo HPV de alto risco. 

As pacientes apresentam, primeiramente, uma lesão não oncológica, que, se não for tratada, pode evoluir para câncer em um período de 15 a 20 anos. Nas mulheres com HIV, esse intervalo pode ser reduzido para cinco a dez anos, segundo a especialista.

Quais são os principais sintomas?

Nos estágios iniciais, o câncer do colo do útero geralmente não apresenta sintomas. Por isso, Rafaella destaca a importância dos exames de rastreamento e os sinais de alerta:

  • Sangramento vaginal anormal ou depois da relação sexual; 
  • Corrimento anormal;
  • Dor na relação sexual;
  • Dor pélvica.

Além disso, nas fases ainda mais avançadas, as mulheres podem apresentar sintomas urinários ou intestinais, assim como inchaço nas pernas e perda de peso.

"Quem tem sintomas não deve esperar o exame de rotina: precisa ser avaliada logo".
Rafaella Torres de Melo
Oncoginecologista da Rede ICC

Qual exame detecta o câncer do colo do útero?

O Papanicolau é um dos principais exames utilizados no rastreamento do câncer do colo do útero.

"Ele coleta células do colo do útero e as analisa no microscópio, identificando lesões precursoras e câncer. Foi graças a ele que a mortalidade caiu no mundo todo, e ele segue sendo o exame disponível na maior parte dos serviços", apontou. 

No entanto, Rafaella detalhou que os médicos estão em fase de transição para o teste de DNA-HPV, que é mais sensível e detecta o vírus antes mesmo de aparecerem alterações nas células. Ele tem sido implantado de forma gradual no Sistema Único de Saúde (SUS).

No Brasil, o câncer de colo do útero é o 3º mais frequente em mulheres.
Legenda: No Brasil, o câncer de colo do útero é o 3º mais frequente em mulheres.
Foto: Shutterstock/sasirin pamai.

O Papanicolau detecta câncer do colo do útero?

Sim. O Papanicolau é um exame responsável por detectar alterações nas células do colo do útero. Ele identifica tanto as lesões precursoras quanto o câncer.

"Sua maior força é encontrar as lesões antes de virarem câncer: tratá-las a tempo reduz o risco de câncer invasivo em até 95%", revelou Rafaella. 

O que é o teste de DNA-HPV?

O teste de DNA-HPV identifica o material genético dos tipos de HPV de alto risco presentes no colo do útero. É considerado mais sensível que o Papanicolau e, em caso de resultado negativo, o intervalo recomendado para a repetição pode ser de cinco anos, conforme o protocolo adotado.

Qual a causa do câncer do colo do útero?

A especialista detalha que o câncer do colo do útero ocorre pela infecção persistente pelo HPV de alto risco. Os tipos 16 e 18 respondem por 71% dos casos. 

O risco pode aumentar com:

  • Início precoce da vida sexual;
  • Relações sem preservativo e múltiplos parceiros;
  • Outras infecções sexualmente transmissíveis;
  • Imunossupressão;
  • Tabagismo;
  • Uso prolongado de anticoncepcional oral;
  • Não tomar a vacina e não fazer o exame de prevenção.

O câncer do colo do útero é causado pelo HPV?

Sim. O HPV é uma das causas do câncer do colo do útero e está presente em praticamente todos os casos.

No entanto, ela ressalta que ter HPV não significa ter câncer, isso porque a maioria das infecções é eliminada pelo próprio organismo, e só a infecção persistente vira câncer.

O câncer do colo do útero pode causar infertilidade?

Sim. As mulheres que são diagnosticadas com câncer do colo de útero e realizam o tratamento podem apresentar infertilidade. Isso decorre do tratamento. Em alguns casos, é feita a retirada do útero, que impede a gravidez.

O risco de causar infertilidade também ocorre quando a mulher realiza quimiorradiação com cisplatina. "A radioterapia causa falência dos ovários (menopausa precoce) e danifica o útero. A quimioterapia agrava essa falência", explica Rafaella.

Como proteger a fertilidade?

Dentre as formas de proteger a fertilidade em meio ao tratamento do câncer do colo de útero, a médica cita: 

  • Transposição dos ovários para fora do campo da radioterapia;
  • Congelamento de óvulos ou embriões;
  • Encaminhamento à oncofertilidade antes de iniciar o tratamento.

Câncer do colo do útero tem cura?

Sim. O câncer do colo do útero tem cura, principalmente quando diagnosticado na fase inicial. No entanto, é necessário buscar o tratamento o mais rápido possível. 

O diagnóstico é feito inicialmente através do exame ginecológico, o exame preventivo.
Legenda: O diagnóstico é feito inicialmente através do exame ginecológico, o exame preventivo.
Foto: Shutterstock/Rabizo Anatolii.

Como prevenir?

A principal forma de prevenir o câncer do colo é realizar a vacinação contra o HPV antes do início da vida sexual, afirma o médico Ricardo Juaçaba. Ele também aponta a importância de evitar o contato com o vírus mesmo após o início da vida sexual, como o uso de preservativo.

No caso das vacinas, há dose única no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com resgate dos 15 aos 19 anos até dezembro de 2026. 

A oncoginecologista Rafaella ainda reforça a importância de fazer o exame de prevenção, realizando o Papanicolau ou teste de DNA-HPV, que detectam e permitem tratar as lesões precursoras.

Como é feito o diagnóstico da doença? 

O diagnóstico é feito inicialmente através do exame ginecológico, segundo Ricardo. Caso seja identificada alguma alteração do colo no exame ginecológico, faz-se a biópsia para confirmação. Após a confirmação, os médicos investigam o estágio da doença através de exames de imagem.

Estágios para detectar um câncer

A especialista Rafaella Torres aponta que os estágios para localizar um câncer passam por três etapas: 

  • Rastreamento;
  • Identificação de lesões;
  • Confirmação diagnóstica, 

Na primeira etapa, do rastreamento, os exames são realizados antes mesmo da aparição dos primeiros sintomas. Essa fase foca em pessoas assintomáticas que se enquadram em um grupo de risco ou faixa etária específica. 

A etapa da identificação de lesões, ocorre justamente depois de uma alteração ser apontada no rastreamento. Por fim, a confirmação diagnóstica busca descartar ou confirma a doença. 

Quais são os estágios do câncer do colo do útero? 

Os estágios do câncer do colo do útero variam a depender da extensão da doença. O estágio 1 ocorre quando a doença está localizada apenas no colo do útero, mas ela vai avançando até o estágio 4, quando a doença existe fora do útero e atinge outros órgãos. 

Qual o tratamento para câncer do colo do útero?

O tratamento depende da fase em que o câncer do colo é diagnosticado. Nos estágios iniciais, quando a doença está localizada apenas no colo do útero, o tratamento preferencial é a realização de cirurgia.

"Em alguns casos de doença bem inicial, podem ser realizadas cirurgias com a preservação de parte do útero, permitindo inclusive que a mulher possa engravidar. Nos casos de doença mais avançada o tratamento é feito com a radioterapia e quimioterapia, o que também pode levar a cura da doença".
Ricardo Juaçaba
Médico oncoginecologista

Câncer do colo do útero pode voltar? 

Sim. Como todo tumor maligno, o câncer do colo pode voltar após a realização de um tratamento. "Quanto mais cedo for diagnosticado e tratado, menor a probabilidade de recidiva, do tumor voltar", disse Ricardo.

Ele recomenda que os pacientes oncológicos sejam acompanhados mesmo após o tratamento, por pelo menos cinco anos. 

*Rafaella Torres de Melo, médica oncoginecologista da Rede ICC (Instituto do Câncer do Ceará).

**Ricardo Juaçaba, médico oncoginecologista da Rede ICC (Instituto do Câncer do Ceará).

 

Edição do Dia