Como manter a firmeza da pele? Entenda a relação do colágeno e estrogênio

Saiba como a queda do estrogênio afeta a produção de colágeno e quais sinais aparecem na pele com o tempo.

Escrito por Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
23 de Setembro de 2026 - 14:00
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Legenda: A redução do colágeno e estrogênio está relacionada com a diminuição da elasticidade e da espessura da pele.
Foto: Shutterstock/Rido.

Os cuidados com a pele vão além de lavar o rosto 
à noite
ou tirar a maquiagem antes de dormir. Com o tempo, diferentes mudanças no organismo podem interferir na aparência e na estrutura da pele. Nesse cenário, o colágeno e o estrogênio podem ser fortes aliados. 

Isso porque, no caso do colágeno, ele é uma das principais proteínas responsáveis pela sustentação dos tecidos. As alterações hormonais que surgem no envelhecimento podem reduzir os níveis dessas substâncias. 

O uso regular de protetor solar ajuda a reduzir o impacto da radiação ultravioleta.
Legenda: O uso regular de protetor solar ajuda a reduzir o impacto da radiação ultravioleta.
Foto: Shutterstock/PeopleImages.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, a farmacêutica e especialista em saúde hormonal Izabelle Gindri*, explica a relação entre colágeno, estrogênio e saúde da pele. Ela ainda aborda os cuidados que podem ajudar a preservar a qualidade da pele ao longo dos anos.

O que são colágeno e estrogênio, e qual a relação entre eles?

Colágeno

O colágeno é uma proteína fundamental para a pele, sendo responsável por garantir uma espécie de “rede de sustentação”. Ele contribui para: 

  • Firmeza; 
  • Resistência; 
  • Elasticidade. 

"Com o passar dos anos, a produção e a qualidade do colágeno diminuem, um dos processos relacionados ao envelhecimento cutâneo", revela Izabelle. 

Estrogênio

O estrogênio é um hormônio produzido principalmente pelos ovários durante a fase reprodutiva. Além de possuir um papel no sistema reprodutivo, ele também atua em diferentes tecidos do organismo, inclusive na pele. 

Esse hormônio participa da manutenção do colágeno, da espessura da pele, da hidratação e da elasticidade.

Por isso, quando os níveis de estrogênio caem, durante a transição para a menopausa, as mulheres costumam apresentar alterações na estrutura da pele. Elas também podem registrar perda de colágeno. 

Como o estrogênio estimula a produção de colágeno?

O estrogênio está diretamente ligado à manutenção da matriz extracelular, estrutura que garante suporte ao tecido cutâneo. Entre seus efeitos, estão: 

  • Estímulo à síntese de colágeno;
  • Preservação da espessura da pele; 
  • Preservação da elasticidade da pele.

Izabelle revela que, na prática, o estrogênio não apenas produz colágeno, como ajuda a manter a estrutura e função da pele.

Por que essa relação se torna mais evidente com a idade?

Com o envelhecimento, a pele vai perdendo gradualmente a capacidade de renovar os tecidos. Além disso, fatores externos, como a exposição à radiação ultravioleta, podem acelera esse processo. 

No caso das mulheres, ainda precisam enfrentar mudanças hormonais na menopausa e na perimenopausa, que aceleram as alterações que já vinham acontecendo. "Estudos relacionam a deficiência de estrogênio da menopausa à redução do colágeno e à diminuição da elasticidade e da espessura da pele", destaca Izabelle.

Durante a consulta, o dermatologista deve analisar detalhes da pele como textura, espessura aparente, elasticidade e hidratação.
Legenda: Durante a consulta, o dermatologista deve analisar detalhes da pele como textura, espessura aparente, elasticidade e hidratação.
Foto: Shutterstock/Studio Romantic.

Quais fatores aceleram a perda de colágeno?

Alguns fatores podem acelerar a perda do colágeno, como: 

  • Radiação ultravioleta; 
  • Tabagismo; 
  • Poluição; 
  • Alimentação inadequada; 
  • Baixa ingestão de proteínas e micronutrientes; 
  • Deficiências nutricionais; 
  • Privação do sono; 
  • Má alimentação.

Dentre todos os fatores, a especialista reforça que nem todo envelhecimento da pele pode ser relacionado aos hormônios. Segundo ela, a exposição solar acumulada tem um papel particularmente relevante

Sintomas do envelhecimento hormonal da pele

Para quem busca manter uma pele saudável por mais tempo, é preciso ter atenção aos pequenos sinais. Algumas mudanças mais perceptíveis são: 

  • Aumento da flacidez;
  • Surgimento ou aprofundamento de rugas;
  • Redução da elasticidade;
  • Pele mais fina e frágil;
  • Aumento do ressecamento;
  • Alteração da textura e da luminosidade; 
  • Maior facilidade para sofrer pequenos traumas e hematomas;
  • Alterações na cicatrização.

Como identificar e avaliar essas mudanças?

A especialista aponta que a avaliação dessas mudanças começa pela observação dos sinais e pela história clínica.

"O dermatologista, por exemplo, deve analisar textura, espessura aparente, elasticidade, hidratação, pigmentação e grau de fotoenvelhecimento, além de investigar hábitos como exposição solar, tabagismo e rotina de cuidados".
Izabelle Gindri
Especialista em saúde hormonal

No caso das mudanças relacionadas à menopausa, a avaliação também pode envolver ginecologista ou endocrinologista

Como repor colágeno e estrogênio?

A reposição do colágeno e do estrogênio passam por medidas diferentes. No caso do colágeno, o paciente precisa manter uma alimentação adequada, com a quantidade suficiente de proteínas. Também é importante fornecer aminoácidos necessários à síntese de colágeno.

Mesmo quem estiver consumindo produtos comercializados como suplementos, os efeitos deles não substituem a fotoproteção e os cuidados dermatológicos.

Já no caso do estrogênio, a reposição deve ser feita quando há indicação médica. A terapia hormonal da menopausa, por exemplo, pode utilizar o estrogênio de forma isolada ou combinado a progestagênio. 

A ausência de cuidados com a pele pode causar fragilidade cutânea.
Legenda: A ausência de cuidados com a pele pode causar fragilidade cutânea.
Foto: Shutterstock/maxbelchenko.

"Mulheres que possuem útero geralmente precisam de progestagênio associado ao estrogênio sistêmico para reduzir o risco de câncer do endométrio. O estrogênio pode ser administrado por diferentes vias, como comprimidos, adesivos, implantes subcutâneos, géis", compartiha.  

Ao Diário do Nordeste, Izabelle alerta ainda que a terapia hormonal com estrogênio não deve ser iniciada para tratar exclusivamente rugas ou flacidez. 

Como cuidar da pele no dia a dia?

A estratégia mais importante no cuidado da pele é a fotoproteção diária. Ou seja, é necessário manter um uso regular de protetor solar para reduzir o impacto da radiação ultravioleta, um dos principais fatores externos do envelhecimento cutâneo.

Além disso, a rotina básica pode incluir limpeza suave, sendo importante evitar os produtos que provocam ressecamento excessivo. Izabelle ainda cita:

  • Realizar hidratação; 
  • Escolher produtos compatíveis com o tipo de pele; 
  • Ter alimentação equilibrada, com proteínas, frutas e verduras; 

A rotina de cuidados deve ser individualizada, porque uma pele madura e seca exigirá cuidados diferentes de uma pele oleosa ou sensível. 

Quais os riscos de não cuidar da pele nesse período?

A falta de cuidados com a pele não gera, necessariamente, uma doença de pele. No entanto, a ausência de proteção e tratamento pode favorecer o envelhecimento, assim como o ressecamento, perda de elasticidade e fragilidade cutânea. 

"Com o envelhecimento, a pele também pode se tornar mais suscetível a lesões e apresentar cicatrização mais lenta. Por isso, o cuidado nessa fase não deve ser encarado apenas como uma questão estética. A fotoproteção e o acompanhamento dermatológico ajudam a preservar a saúde, a integridade e a capacidade de proteção da pele", acrescenta.

*Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil.

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