Homicídio em motel e PM preso: crime teria ocorrido após briga por 'pix agendado' e recusa de sexo

Policial teve prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.

Escrito por Emanoela Campelo de Melo emanoela.campelo@svm.com.br
16 de Julho de 2026 - 16:00
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Legenda: O crime aconteceu na madrugada desta quinta-feira (16).
Foto: Arquivo.

A recusa de sexo a três e uma discussão sobre um 'pix agendado' teria levado o policial militar Neilton Silva do Nascimento a efetuar disparos de arma de fogo, matando uma mulher e deixando outra vítima ferida, em Fortaleza.

O crime aconteceu na madrugada desta quinta-feira (16), em um motel no bairro Messejana. O soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva determinada pela Justiça em audiência de custódia.

A Justiça destacou que há elementos que apontam "não apenas para a brutalidade da ação imputada, como também demonstram aparente desproporcionalidade entre o motivo da discussão e a reação adotada pelo autuado, circunstância que potencializa o juízo de periculosidade extraído da conduta e reforça a necessidade de tutela da ordem pública".

A mulher assassinada é a estudante Andreza Fernanda Felix Rocha. A segunda vítima baleada no braço foi socorrida a uma unidade hospitalar.

No local do crime ainda havia uma quarta pessoa, uma travesti, que acompanhava o PM. O advogado do suspeito não foi localizado pela reportagem.

Sete cápsulas deflagradas foram encontradas no bolso da roupa usada pelo soldado.

DISCUSSÃO E TIROS

Segundo documentos obtidos pela reportagem, o PM buscou contato, separadamente, para um 'programa', tendo chamado a travesti e outra mulher ao motel.

O militar já estava com a travesti dentro do quarto, quando a 'garota de programa', na companhia de uma suposta cafetina chegaram ao local e bateram na porta.

Neilton pediu para fazer um pix de forma agendada, tendo uma das vítimas dito que não aceitava esse tipo de pagamento. 

Ao ver que havia mais uma pessoa dentro do quarto, a outra mulher se recusou em prestar o serviço, tendo iniciado uma discussão entre as partes.

Conforme o relato das testemunhas, neste momento o policial sacou a arma de fogo que portava e efetuou uma sequência de disparos, atingindo as duas mulheres que estavam na porta do quarto.

A vítima sobrevivente disse à Polícia que o suspeito tinha sinais de embriaguez.

MANCHAS DE SANGUE

Quando policiais militares e civis chegaram ao local do crime, avistaram um veículo modelo HB20, com a porta aberta, marcas de disparo de arma de fogo e manchas de sangue na parte de trás. O carro pertencia a vítima.

O soldado foi preso em flagrante e levado ao 30º Distrito Policial. Na delegacia, ele permaneceu em silêncio.

A defesa dele afirma que o suspeito tem problemas psiquiátricos.

De acordo com a Polícia Militar do Ceará (PMCE), o PM estava afastado do serviço operacional em razão de responder a um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).

"Após a adoção dos procedimentos legais, o PM foi recolhido ao Presídio Militar".

A Polícia Militar do Ceará ressaltou em nota que "não compactua com qualquer conduta ilícita praticada por seus integrantes. Paralelamente à investigação conduzida pela Polícia Civil, a Corporação adotará todas as medidas administrativas cabíveis para a apuração dos fatos, observando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa".

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) instaurou procedimento disciplinar para investigar a ocorrência no âmbito administrativo.

PRISÃO PREVENTIVA

O Ministério Público do Ceará (MPCE) se manifestou pela homologação do auto de prisão em flagrante delito e a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, enquanto a defesa do policial pediu medidas cautelares alternativas à prisão.

A Justiça entendeu a necessidade da prisão preventiva destacando que a "a análise da dinâmica acima revela circunstâncias de elevada gravidade".

"A multiplicidade e a distribuição das lesões, especialmente na vítima fatal, evidenciam, em juízo de cognição sumária, a intensa violência empregada na ação. Os ferimentos localizados em diversas regiões do corpo, inclusive nas costas e na mão, constituem indicativos de que a vítima fatal, possivelmente, tentou defender-se ou fugir da agressão em curso, circunstância que, se confirmada ao longo da instrução, evidenciará sofrimento prolongado e acentuada vulnerabilidade perante o agressor", segundo o juiz.

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