Uma luxuosa lista de bens de alto padrão foi alvo de sequestro e apreensão pela Justiça Federal: um veículo BMW Série 3 Sport, quatro relógios da marca Rolex, além de celulares, mídias e HDs. O objetivo da força-tarefa integrada é desarticular uma organização criminosa especializada em crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação no Aeroporto Internacional de Fortaleza.
Para além dos itens de luxo, as medidas patrimoniais alcançaram cifras milionárias para garantir a recuperação de recursos públicos, o que inclui:
- bloqueio de até R$ 40 milhões em contas bancárias de pessoas jurídicas;
- sequestro de três imóveis em Fortaleza e Aquiraz avaliados em mais de R$ 10 milhões;
- bloqueio de direitos de aquisição de um imóvel na planta no limite de R$ 2.071.000,00.
Toda essa ofensiva patrimonial faz parte da Operação Snooker 2, deflagrada em uma ação conjunta pela Polícia Federal (PF), Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF) nesta terça-feira (25).
Auditor-fiscal da Receita entre os alvos da ofensiva
Ao todo, os agentes cumpriram 3 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. As ações ocorreram simultaneamente nas cidades de Fortaleza (CE), Caucaia (CE), Eusébio (CE) e Salvador (BA).
Entre os principais alvos presos preventivamente nesta fase estão um auditor-fiscal aposentado da Receita Federal, capturado em Fortaleza, e dois empresários, de Salvador.
As investigações apontam que o grupo possuía uma divisão muito bem estruturada de tarefas e movimentava quantias exorbitantes. Foram identificadas transações financeiras superiores a R$ 27 milhões entre as empresas ligadas ao esquema criminoso, além da aquisição de aproximadamente R$ 31,8 milhões em criptoativos sem qualquer compatibilidade com as receitas declaradas formalmente pelos investigados.
Essa nova fase decorre de provas coletadas após a primeira etapa da Operação Snooker, deflagrada em setembro de 2025, que teve origem em uma denúncia anônima de ocultação de bens e facilitação aduaneira encaminhada à Ouvidoria do então Ministério da Economia.
O cerco técnico da Receita Federal no aeroporto identificou diversas fraudes aduaneiras como subvaloração de cargas, falsificação (contrafação) e adulteração de declarações bancárias.
O resultado dessa fiscalização intensificada culminou na maior apreensão de mercadorias da história da Alfândega de Fortaleza e na lavratura de mais de R$ 30 milhões em autos de infração.
Os envolvidos no esquema poderão responder judicialmente pelos crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em importações.