Padre questiona fundação de Sobral

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
11 de Dezembro de 2004 - 23:30

F. Edilson Silva
sucursal Sobral

“A história do Ceará não estará escrita, enquanto escrita não estiver a história particular de cada um dos seus municípios”. É o que afirma o padre historiador Francisco Sadoc de Araújo, 73 anos, que defende o debate sobre fatos históricos que, no seu entender, precisam ser revistos. No seu livro Raízes Portuguesas do Vale do Acaraú, ele discute o problema sobre quem é o verdadeiro fundador de Sobral, título que afirma pertencer ao padre Lino Gomes Correia, e não a Antônio Rodrigues Magalhães como consta na história oficial.

Sadoc relata que antes de 1854, quando foi canonicamente instituída a Diocese do Ceará, o território da província do Ceará estava sob a jurisdição do bispado de Pernambuco. O bispo de Olinda delegava a alguns sacerdotes, chamados de visitadores gerais, a missão de conhecer de perto os problemas locais. Um desses visitadores foi o padre Lino que, em viagem apostólica, escolheu a fazenda Caiçara para sediar o curato da Ribeira do Acaraú e nela construir a sua matriz.

“Por ser de justiça, torna-se necessário que seja revista a história de Sobral no tocante às suas origens e seja retirado do esquecimento a memória de seu legítimo fundador”, enfatiza padre Sadoc de Araújo, ao mesmo tempo em que reclama das autoridades locais a falta de homenagem ao padre Lino, uma vez que existe apenas uma pequena rua com o seu nome. Sadoc explica que a decisão do padre Lino sobre a sede do curato deu origem à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, hoje Catedral, em torno da qual começaram a ser edificadas casas, constituindo-se o primeiro núcleo habitacional. Esta determinação ficou registrada na ata da visita, lavrada a 31 de julho de 1742, constituindo-se o ato de fundação da cidade. A primeira igreja foi de taipa, depois de tijolo e finalmente ficou pronta a Catedral. Depois, veio o segundo núcleo que ocorreu em torno da Igreja do Rosário, construída pela Irmandade de N. Sra. do Rosário dos Pretos. “É óbvio que a matriz não poderia ser construída sem que lhe fosse adquirido o terreno. Padre Lino o conseguiu por doação feita pelo capitão Antônio Rodrigues Magalhães e sua mulher Quitéria Marques de Jesus, casal proprietário da fazenda. Esses doadores nunca tinham pensado em construir capela, apenas colaboraram no sentido de que o projeto do visitador pudesse ser realizado”. Com esta reflexão, ele entende que “cabe ao padre Lino a glória de ser o fundador de Sobral, pois foi da sua vontade deliberada que foi escolhido o local para centro do trabalho de evangelização de todo o Vale do Acaraú, impulso original para o desenvolvimento do primitivo povoado e, posteriormente, da vila e da atual cidade”.