Idosa usa redes sociais para incentivar a vacinação: 'Na ciência está nossa esperança'

O exemplo vem da cidade de Cedro, no Centro-Sul cearense, e resiste à disseminação de ‘fake news’ que dominam as plataformas digitais

Escrito por Honório Barbosa e Wandenberg Belém regiao@svm.com.br
27 de Janeiro de 2021 - 16:48 (Atualizado às 17:07)
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Legenda: O casal Francisca Bezerra (82) e Luis Francisco (85) foi vacinado nesta quarta-feira (27) em Cedro.
Foto: Wandenberg Belém

Uma idosa, de 82 anos, moradora da cidade de Cedro, na região Centro-Sul do Ceará, usa as redes sociais para disseminar notícias verdadeiras sobre a pandemia do novo coronavírus entre amigos de parentes. Francisca Bezerra, conhecida como Quinquinha, recebeu na manhã desta quarta-feira (27) a primeira dose da vacina de Oxford/Astrazeneca e não perdeu tempo: disparou mensagens de WhatsApp para dizer que “tomem a vacina, sejam fortes e não acreditem em falsas notícias porque na ciência está a nossa esperança”.

No ano passado, Quinquinha, como prefere ser chamada, ganhou do neto Marciel Bezerra, fotógrafo e radialista, um smartphone, e logo aprendeu a usar o WhatsApp. “Participo de vários grupos, mas não repasso coisas falsas, besteiras, só notícias sérias que vejo nos jornais”, reforçou. “Não olhem para as informações mentirosas, assistam jornais na TV e fiquem atualizadas, não só vejam só o lado negativo”.

Esperançosa e otimista, a aposentada disse, após ser imunizada em casa, que “a vacina não doeu e estou muito confiante e animada que aqui está a cura, a proteção contra essa pandemia que já matou e maltratou muita gente”. Ela também pediu que as pessoas continuem "usando máscara, limpando as mãos e conversando de longe". 

O marido dela, o aposentado Luís Alves, 85 anos, também foi vacinado e segue a mesma ideia da esposa ao defender o recebimento do imunizante. “Acho que ninguém deve ter medo, temos de confiar nos médicos”, disse. Ele lembrou que crianças e idosos “tomam outras vacinas há muito tempo e dá tudo certo”, frisou.

O professor de Comunicação Social do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará, Nonato Lima, parabenizou o comportamento da aposentada Francisca Bezerra. “Há uma pandemia de notícias falsas que circulam nas redes sociais e muitos preferem acessar essas plataformas a olhar de forma crítica os jornais e sites confiáveis”, disse. “Sem dúvida, é um bom exemplo”.

O carroceiro aposentado, Francisco Herculano, de 82 anos, foi o primeiro a ser vacinado em Cedro.
Legenda: O carroceiro aposentado, Francisco Herculano, de 82 anos, foi o primeiro a ser vacinado em Cedro.
Foto: Wandenberg Belém

Campanha

A cidade de Cedro começou na manhã desta quarta-feira (27) a vacinar os idosos acima de 75 anos e complementar a imunização dos profissionais de Saúde que estão na linha da frente da pandemia do novo coronavírus. “Já orientamos todas as cidades e seguimos as determinações da Secretaria de Saúde do Estado”, observou a secretária de Saúde de Cedro e presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), Sayonara Cidade Moura.

Em casa, deitada em uma cama, Julieta Bezerra Viana, 99 anos, também foi imunizada. A filha dela, Francisca Natália Viana, estava contente. “É uma alegria muito grande, Deus é muito bom e eu pensava que a vacina iria demorar ainda muito tempo, mas agora minha mãe está protegida”.

Dona Julieta Viana, que vai completar 100 anos no próximo dia 12 de fevereiro, foi uma das primeiras idosas a receber a vacina em Cedro.
Legenda: Dona Julieta Viana, que vai completar 100 anos no próximo dia 12 de fevereiro, foi uma das primeiras idosas a receber a vacina em Cedro.
Foto: Wandenberg Belém

O aposentado Francisco Herculano, 82 anos, permaneceu por cinco meses isolado em casa, após o início da pandemia e das medidas de isolamento social em 18 de março de 2020. “Chegou um tempo que ele não aguentou e pediu para tomar o banho de sol, sair um pouco”, contou o filho, o professor Cícero Alves. “Ele sai, mas sempre de máscara e fica distante dos amigos e aqui em casa a gente não recebe visitas”.