O perímetro irrigado Icó-Lima Campos, no Município do Icó, deverá receber do programa de revitalização e modernização do governo federal cerca de R$ 361 mil, este ano. O recurso será utilizado em infra-estrutura e na recuperação de canais de irrigação. Em janeiro, o Dnocs liberou R$ 40 mil, usado na reforma de canais existentes na primeira etapa, que recebe água por gravidade, oriunda do Açude Lima Campos. Mesmo enfrentando dificuldades, os irrigantes acreditam que, com os investimentos, a situação dos perímetros existentes no Estado e que passam por dificuldades, poderá ser revertida. No ano passado, eles movimentaram R$ 50,7 milhões em negócios.
O Perímetro Irrigado Icó – Lima Campos, administrado pelo Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) atravessa uma fase de dificuldades. Apenas 30% da área, que vai do setor de piscicultura ao Rio Salgado permanece irrigada e produzindo, basicamente, arroz e banana. No restante, que depende de bombeamento da água, os lotes estão paralisados ha quatro anos. A falta de produção está empobrecendo os colonos.
De acordo com os dados da Associação do Distrito de Irrigação, Icó- Lima Campos, Adicol, na área beneficiada trabalham 180 produtores. No setor dois, que depende de irrigação, os canais estão quebrados e ali vivem a maioria dos colonos, cerca de 280. Apesar das dificuldades, o gerente da Adicol, José Martins Filho, vê com esperança a possibilidade de melhoria do perímetro, se nos próximos anos, forem implantadas políticas públicas voltadas para o setor agrícola.
José Martins Filho lembra que o Dnocs liberou R$ 40 mil em janeiro passado. O recurso foi usado na reforma de canais existentes na primeira que etapa, que recebe água por gravidade, oriunda do açude Lima Campos. Para este mês, aguarda-se a concessão de mais recursos. O projeto já aprovado prevê o crédito de R$ 361 mil do Dnocs, que serão aplicados em investimento — R$ 210 mil, e na recuperação dos canais de irrigação — R$ 151 mil.
Segundo Martins, a solução em definitivo seria a implantação do projeto que prevê a construção de um sistema de transferência de água de uma margem para a outra do Rio Salgado, beneficiando 70% do perímetro, sem necessidade de bombeamento, isto é, o uso de motores e de energia elétrica. “Essa é a saída para a revitalização do perímetro”, disse. O projeto é orçado em R$ 3,6 milhões.
Para este segundo semestre, a expectativa é de produção elevada de arroz, na área irrigada (primeira etapa). A maioria dos colonos continua cultivando arroz e outras culturas de subsistências. Com a falta de água para a segunda etapa, dezenas de produtores de banana não tiveram condições de continuar com o plantio que foi destruído pela falta de água. Atualmente existem apenas 20 produtores de banana.
Há dois anos, houve uma tentativa de plantio de 14 hectares de banana e 57 de goiaba, nos conjuntos Gama e GH2. O projeto implantado em parceria entre a Agência Nacional de Águas e a então Secretaria de Agricultura Irrigada, ainda não obteve êxito. Deveria beneficiar 38 produtores. Cada um recebeu um kit de irrigação para dois hectares no valor de seis mil reais. Resultado: alguns foram roubados e outros estão guardados nas casas dos colonos. Com o fim do Agropolo Centro Sul, o município de Icó ficou sem assistência técnica.
Sem água não há como produzir. A viúva e aposentada, Francisca Amâncio da Silva, 57 anos, mãe de seis filhos, tem um lote de 5,5 hectares, no conjunto KL. Anualmente, ela conseguia uma produção de 18 mil kg de arroz, mas há quatro anos está sem plantar nada. “Não tem como produzir porque a água não chega nas nossas áreas”, contou. Em tom de tristeza, ela lembrou dos tempos em que colhia em média 18 toneladas de arroz. “Estou vivendo do aposento”, disse. “É uma tristeza”;
Edvaldo Tomaz de Souza, 48 anos, é um dos líderes dos irrigantes. A exemplo de centenas de outros colonos, há quatro anos, não trabalha a terra. Por ano, ele obtinha uma colheita de 45mil quilos de arroz, numa área de cinco hectares. Agora, vive de bicos. “Estou vendendo medicamento natural para sobreviver”.
Honório Barbosa
sucursal Iguatu