Chuvas provocam estragos no Cariri

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
18 de Março de 2003 - 02:22
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Legenda: Na rua Diógenes Frazão, no bairro do Seminário, a chuva derrubou uma mercearia, ao lado do prédio do Liceu Diocesano
Foto: Antonio Vicelmo
Crato (Sucursal) - Desespero, prejuízo e medo. A vala da rua Tristão Gonçalves, em Crato, transbordou. Casas e muros caíram. Foram 88 milímetros de chuva, que começou às 22 horas e se prolongou até às 4 horas da manhã. Cerca de 15 famílias da Rua Joaquim Alves Correia, que fica por trás do Hospital Regional Manoel de Abreu, amanheceram na rua.

O Rio Batateira, que passa ao lado, transbordou e invadiu as casas. “Nós saímos de casa com a água pela cintura”, diz a dona de casa Maria Elisa Oliveira, acrescentando que passou a noite na rua acompanhada dos dois filhos. Os móveis foram colocados, também, no meio da rua.

O mesmo aconteceu com os outros moradores, cujo drama é igual. São pessoas pobres, que compraram, com sacrifício, um lote de terra para construirem suas casas. Hoje, elas estão desesperadas, com prestações para pagar e sem dinheiro para recuperar o prejuízo. O pior é que não tem uma solução imediata.

O loteamento fica a menos de 100 metros do Rio Batateira, cujas águas estão saindo do leito em conseqüência de retirada de terras. A enchente derrubou muros e destruiu móveis e eletrodomésticos. Na Rua Diógenes Frazão, no bairro do Seminário, a chuva derrubou uma mercearia, ao lado do prédio do Liceu Diocesano.

A sede do Departamento de Edificações Rodovias e Transportes, Dert, mais uma vez foi invadida pelas águas. A água entrou nos escritórios e nas oficinas. O equipamento de informática só não foi atingido porque os vigias conseguiram salvá-los, mas foram destruídos alguns documentos importantes. Esta é a terceira vez, este ano, que a sede do Dert é inundada. A cheia está sendo causada pelo represamento das águas que descem na vala da Rua Tristão Gonçalves que não suportam o volume das chuvas.

Em Brejo Santo, foram registrados 62 milímetros. Acumulados com as chuvas de sexta-feira e sábado são mais de 100 milímetros. A chuva de ontem, segundo a Ematerce, foi de 88 mm. Nos três primeiros meses do ano choveu cerca de 800 milímetros em Crato.

JUAZEIRO - As chuvas que banharam Juazeiro do Norte durante o final de semana, voltaram a inundar casas e a desabrigar pessoas, principalmente no bairro Lagoa Seca. Na Rua Maria Marcionília e adjacências, a água subiu e invadiu várias residências obrigando cerca de 26 famílias a desocuparem suas casas. Só em Juazeiro, foram 85 milímetros numa chuva que começou por volta das 22 horas de domingo e perdurou por quase toda a madrugada de ontem.

Os moradores viveram horas de pânico com medo de desabamentos e preocupados com a destruição dos móveis. A área é considerada crítica e toda vez que chove com mais intensidade os problemas se renovam. No final de janeiro deste ano matéria do Diário do Nordeste mostrou a inundação no local e mais de dez casas abandonadas pelos moradores. Muitos deles perderam tudo que tinham e tiveram que se mudar do bairro temendo o pior. Os moradores cobram a realização de obras de drenagem pluvial para resolver o problema desviando as águas para a chamada Lagoa dos Macacos. Na época, o secretário de infra-estrutura de Juazeiro do Norte, Tadeu Coelho, informou que o Município aguardava a liberação de R$ 300 mil por todo o mês de fevereiro para tocar as obras, o que não aconteceu. De acordo com o balanço pluviométrico da Ematerce, já choveu 742 milímetros este ano em Juazeiro.