Cearense é o sexto melhor do mundo

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
24 de Março de 2007 - 21:22
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Legenda: Esta é uma das capas da revista Liga da Justiça, que tem como editora a DC Comics
Foto: Melquíades Júnior
Limoeiro do Norte. O mercado de quadrinhos é concorrido, exigente (tem que ser muito bom mesmo para participar) e está sempre evidenciando os desenhistas de mão cheia. Segundo ranking da revista norte-americana Wizard, especializada em quadrinhos, o cearense Ed Benes é o sexto da lista, atrás apenas de outros figurões do desenho como Alex Moss (primeiro) e Jim Lee. Mais: o cearense é o primeiro brasileiro do século a ocupar o topo de venda das revistas em quadrinhos nos Estados Unidos.

Faz menos de um ano que Benes desenha a Liga da Justiça, seu título mais importante, o que sugere que seu nome possa subir na lista – há um ano estava em décimo lugar. Ele leva a camisa do Brasil para as revistas em quadrinhos norte-americanas depois do caminho aberto pelos desenhistas Marcelo Campos e Mike Deodato, que também estão figurando na cena internacional.

O artista cearense conta que sua entrada no mercado de revistas, então com 19 anos, deu-se graças à interferência de um amigo jornalista que o teria apresentado à Art Comics. Atualmente, seu valioso passe é da DC Comics, editora da Liga da Justiça e “dona” da marca de Superman e companhia.

Infância

Desde menino, fã dos desenhos animados tipo He-Man e Thundercats (do jingle “thunder, thunder, thunder cats, Rôu!!”), Edilbenes Bezerra viu-se, anos depois, definindo os traços dos seus super heróis, sendo-lhes seu principal desenhista.

Em tempo, um esclarecimento: a onda de americanização dos nomes dos brasileiros é vista pelos empresários como forma de tornar mais acessível (porque pronunciável) o trabalho deles nos mercados norte-americanos e, assim, mundial.

A leva de jovens garimpados por Ed Benes vai de Ron Adrian (Ronaldo Adriano, o primeiro a trabalhar com Benes) a Diego Bernardo, outro “menino prodígio”. Também no mesmo grupo tem Rober Lean (Robério Leandro), Tiê, Amorim, Welton e, geneticismos à parte, os irmãos de Ed Benes: Fredson Edildenes (Fred Benes) e Mariah Benes.

A turma tem desenhistas, arte-finalistas (reforçam os traços com canetas e definem os cenários) ou as duas coisas, já que a maioria tem que entregar o trabalho em ponto de colorir, o que é feito pela editoras nos Estados Unidos.

Origem humilde

Por diferente que possa parecer, os desenhistas internacionais continuam morando em Limoeiro do Norte, junto às famílias, no Vale do Jaguaribe. Todos tiveram origem muito humilde – alguns não tinham dinheiro nem para comprar os acessórios básicos para o desenho. Com o dinheiro obtido pelas artes, construíram casas, compraram automóveis e vivem para o desenho e a família, milhares de quilômetros de distância do mercado para o qual trabalham e onde são considerados verdadeiros ícones.