Reduto do bolsonarismo, Conjunto Ceará entra na mira de aliados de Flávio e de Lula no 2º turno

Houve atos em favor dos dois candidatos no bairro, com apenas dois dias de diferença.

Escrito por Luana Barros luana.barros@svm.com.br
13 de Outubro de 2026 - 18:00
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Legenda: Aliados de Lula e de Flávio Bolsonaro fizeram atos em favor dos candidatos à presidência da República no Conjunto Ceará neste 2º turno.
Foto: (1) Reprodução/ (2) Ismael Soares.

O bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza, tornou-se palco de mobilizações na campanha eleitoral deste 2º turno, nos últimos dias, com atos de aliados tanto de Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL, como do atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Dois atos foram realizados com apenas dois dias de diferença: André Fernandes reuniu, no sábado (10), militantes para o "Bloquinho do 22" — ato de campanha que o deputado federal reeleito tem realizado desde a eleição de 2024. 

Na segunda-feira (12), foi a vez do prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), participar de mobilização, junto com outras lideranças da base governista, como o deputado estadual eleito Léo Suricate (Psol) e a vereadora de Fortaleza Adriana Almeida (PT). 

O bairro deu vitória a Lula no 1º turno das eleições de 2026, mas com uma margem pequena: foram pouco mais de 22,4 mil votos para o petista contra 19,3 mil para Flávio Bolsonaro. 

Já candidatos da oposição ao PT no Ceará, como Ciro Gomes (PSDB), candidato derrotado ao Governo do Ceará, em 2026, e André Fernandes (PL), que concorreu à Prefeitura de Fortaleza em 2024, foram vitoriosos no Conjunto Ceará. 

'Reduto bolsonarista'

A disputa pelo voto no bairro e nos arredores não é por acaso. O Conjunto Ceará tem sido um reduto bolsonarista desde, pelo menos, as eleições de 2022.  Lá, foi realizado o único ato de campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Fortaleza, há quatro anos, quando ele tentava a reeleição para a presidência da República — disputa em que acabou sendo derrotado por Lula. 

Em 2026, o filho e candidato a presidente Flávio Bolsonaro repetiu a escolha do pai: ele visitou Fortaleza apenas uma vez durante a campanha eleitoral para o 1° turno, ocasião em que participou de agenda justamente no Conjunto Ceará. Além dele, participaram do ato André Fernandes e o então candidato ao Senado Federal Alcides Fernandes. 

Resultados eleitorais no Conjunto Ceará

Quando o assunto é força eleitoral de nomes locais, a região também foi simbólica na disputa pela Prefeitura de Fortaleza em 2024. O então candidato do PL, André Fernandes, em disputa de 2º turno contra Evandro, encerrou a campanha no bairro, ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira, uma das lideranças nacionais do bolsonarismo.

Além disso, André Fernandes venceu no Conjunto Ceará nos dois turnos de votação. No primeiro deles, registrou 18,1 mil votos. O número é maior que a soma de votos dos três principais candidatos adversários na época: Evandro Leitão, José Sarto (hoje no PSDB) e Capitão Wagner (União). Juntos, o trio acumulou cerca de 17 mil votos no bairro.

Disputa acirrada para presidente

Apesar das vitórias eleitorais de lideranças cearenses da direita, na disputa pela presidência da República, é o PT que segue tendo vantagem na zona eleitoral que abrange o Conjunto Ceará — apenas de ser uma votação acirrada, com a diferença diminuindo a cada nova votação.

No 1º turno de 2022, por exemplo, Lula teve 21.803 votos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que teve 16.699, em uma diferença de pouco mais de 5,1 mil. No 2º turno do mesmo ano, a margem entre os dois diminuiu para cerca de 3,7 mil.

Para 2026, a diferença foi semelhante: Lula ficou cerca de 3,1 mil votos a frente de Flávio Bolsonaro no 1º turno, no último dia 4 de outubro. Para o 2º turno, aliados tanto de Lula como de Flávio apostam em aumentar o quantitativo de votos para os candidatos no próximo dia 25 de outubro. 

No ato do sábado, André Fernandes afirmou que a mobilização era uma resposta ao pedido de Lula para "o povo ir para as ruas". "Aqui estamos nós", disse o deputado, ao que os militantes gritaram "Lula ladrão". 

"Hoje, nós não estamos aqui comemorando 100% da nossa vitória, mas eu posso dizer: ainda. Ainda. Porque é questão de tempo até a gente tirar, sim, o PT, de 100% do nosso Ceará", acrescentou Fernandes. 

Dois dias depois, Léo Suricate afirmou que a mobilização de apoiadores de Lula nas ruas do Conjunto Ceará era uma resposta, dessa vez a André Fernandes. "Quiseram convencer a gente que não dava para vencer, queriam deixar nós tudo triste", afirmou. 

"Ver o Conjunto Ceará lotado vai dar resposta pro André Fernandes, que vem pra cá pro Conjunto Ceará falar que aqui só tem gente que vota em bandido, porque o Flávio Bolsonaro é bandido", disse.

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