A Polícia Federal indiciou a deputada suplente sem exercício Gorete Pereira (MDB) e mais 28 pessoas por suspeita de retiradas indevidas de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo relatório obtido pela Folha de S.Paulo, Gorete foi indiciada sob suspeita dos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário qualificado e lavagem de dinheiro.
A reportagem aponta que os desvios teriam beneficiado familiares e prepostos da parlamentar em pelo menos R$ 11 milhões, e que Gorete teria agido como articuladora política da fraude, utilizando sua influência no INSS para garantir e proteger Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) junto às associações fraudulentas.
Procurado pelo Diário do Nordeste, o advogado de defesa da parlamentar, Waldir Xavier, afirmou que Gorete Pereira não foi oficialmente intimada e, por isso, não irá se posicionar. No entanto, ressaltou que "a defesa continua serena, tranquila, aguardando os atos processuais, cônscios de que, na conduta dela, especificamente, não enxergamos um cometimento de ilícitos penais e que, oportunamente, nós iremos nos manifestar".
De acordo com o advogado, até o momento, não há acusação formal à parlamentar. "Existe uma investigação deflagrada, um inquérito policial em curso, mas ela ainda não foi acusada de nenhum delito. Isso também dificulta. Como nós não tivemos a ciência oficial desse indiciamento, nós nem sabemos por quais crimes, por quais delitos ela teria sido indiciada", explicou o advogado.
"Nós não temos nem condições de aferir qual seria esse conjunto delitivo contra ela para poder impugnar. Mas, de antemão, o que nós estamos dizendo e o que a defesa, nos momentos em que interveio nos autos, tem sustentado, é que até o momento não há nenhuma conduta dela que possa vir a configurar um delito ou mais de um delito", completou Waldir.
Quem é Gorete Pereira
Nascida em Juazeiro do Norte, Maria Gorete Pereira tem 74 anos, é fisioterapeuta e começou na política como vereadora de Fortaleza no final da década de 1980. À época, ela chegou a ser líder de seu então partido, o Partido de Frente Liberal (PFL), na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor).
Em 1994, foi eleita deputada estadual pelo PFL e, dois anos depois, conseguiu uma vaga de suplente na Câmara dos Deputados.
Ela disputou todas as eleições para deputado federal desde 2006 e ainda tentou, em 2008, eleger-se prefeita de Juazeiro do Norte, mas não conseguiu. Foi eleita deputada federal em 2006 e 2014, mas voltou à Câmara no ano passado, após assumir a vaga do deputado Yury do Paredão (MDB) temporariamente.
Durante sua trajetória política, Gorete esteve filiada ao PFL, ao então Partido da República (PR) e, mais recentemente, ao Partido Liberal (PL).
Em janeiro deste ano, ela se filiou ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para concorrer novamente à uma vaga na Câmara dos Deputados, mas obteve apenas 3.615 votos, ficando no 5º lugar da lista de 17 suplentes do partido.
Sua campanha nas Eleições 2026 foi marcada pelo uso de tornozeleira eletrônica, determinado pela Justiça após Gorete ter um pedido de prisão preventiva negado pelo ministro André Mendonça, no STF, em março.