A reta final do segundo turno da eleição presidencial tem mobilizado lideranças políticas do Ceará em estratégias distintas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto a base governista aposta na articulação com prefeitos e parlamentares para reforçar a campanha pela reeleição do petista, a oposição concentra esforços em lideranças de destaque do bolsonarismo.
A diferença entre os dois grupos está, principalmente, na estrutura política disponível. Aliado ao governador reeleito Elmano de Freitas (PT), Lula conta com o apoio de uma ampla base de prefeitos, que têm participado de encontros e articulações em favor de sua candidatura. Os governistas também saíram fortalecidos das eleições estaduais, com a reeleição de Elmano e a escolha de uma maioria de deputados estaduais e federais alinhados ao presidente, além dos dois senadores eleitos pelo Ceará.
Do outro lado, a candidatura de Flávio Bolsonaro reúne lideranças da direita e integrantes do grupo político de Ciro Gomes (PSDB), derrotado na disputa pelo Governo do Ceará. Sem uma rede de prefeitos comparável à governista, a oposição tem apostado na mobilização de apoiadores em diferentes regiões do Estado.
Aliados estabelecem metas de votação
No campo governista, o objetivo é ampliar a votação de Lula para pelo menos 70% dos votos válidos no Estado, conforme meta anunciada pelo governador reeleito Elmano de Freitas. Em Fortaleza, o prefeito Evandro Leitão (PT) estabeleceu como objetivo alcançar 65% dos votos válidos na Capital, com o apoio de vereadores e lideranças comunitárias.
Já na oposição, o deputado federal André Fernandes (PL), presidente estadual do partido, trabalha para ampliar a votação de Flávio Bolsonaro entre os cearenses. O candidato recebeu cerca de 1,7 milhão de votos no Estado no primeiro turno, diante dos 3,5 milhões obtidos por Lula.
A estratégia dos aliados do candidato do PL passa pela mobilização de quem já votou em Flávio, por meio de atos de rua, e pela tentativa de conquistar novos eleitores. O grupo também busca atrair parte do eleitorado de Ciro Gomes, derrotado na disputa pelo Governo do Estado, para a candidatura do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A disputa ocorre em um cenário de ampla vantagem territorial para o atual presidente, que venceu em 183 dos 184 municípios cearenses no primeiro turno. Para os aliados de Flávio, reduzir essa diferença é uma das prioridades na reta final da campanha.
Cid comanda articulação com prefeitos
Uma das principais frentes de articulação da campanha governista é conduzida pelo senador Cid Gomes (PSB), que intensificou os encontros com prefeitos e parlamentares eleitos. Nessa segunda-feira (19), o senador reuniu gestores da Região Metropolitana de Fortaleza para reforçar o apoio à reeleição de Lula. Em publicação nas redes sociais, Cid agradeceu o envolvimento dos prefeitos e destacou a importância da continuidade do governo federal para os municípios cearenses.
Entre as lideranças presentes estavam os prefeitos Evandro Leitão (PT), de Fortaleza; Roberto Pessoa (PSD), de Maracanaú; Nezinho Farias (PSB), de Horizonte; e Naumi Amorim (PSD), de Caucaia. Também participaram as prefeitas Ariana Aquino (PP), de Paraipaba; Gabi Aquino (PP), de Paracuru; Larissa Camurça (PSD), de Pacatuba; Izabella Fernandes (PSB), de Guaiúba; e Ana Afif (PSB), de Cascavel, entre outros gestores municipais.
A mobilização liderada por Cid não ficou restrita aos prefeitos. Em outro encontro promovido pelo senador, participaram os deputados estaduais Romeu Aldigueri (PSB), Lia Gomes (PSB), Guilherme Bismarck (PSB), Davi de Raimundão (MDB), Tin Gomes (PSB), Antônio Granja (PSB) e Osmar Baquit (PSB), entre outras lideranças.
A atuação dos prefeitos é um dos principais recursos políticos dos governistas. Além da presença em eventos, os gestores mantêm relações com vereadores, lideranças comunitárias e grupos locais que podem ser mobilizados para incentivar a participação dos eleitores na votação.
A campanha de Lula também conta com iniciativas de rua. Entre os nomes envolvidos está o deputado estadual eleito Léo Suricate (Psol), que tem promovido caminhadas e carreatas em Fortaleza em apoio ao presidente. NesSa segunda-feira (19), por exemplo, ele comandou um ato com a participação da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP).
André Fernandes lidera mobilização por Flávio Bolsonaro
Na oposição, o deputado federal André Fernandes (PL), o mais votado da história do Ceará, assumiu uma das principais frentes de mobilização em favor de Flávio Bolsonaro no Estado.
Por meio do chamado “Bloco do 22”, o parlamentar promove atividades de campanha em Fortaleza e em municípios do Interior, com carreatas, adesivaços e encontros de apoiadores. Entre as cidades que receberam mobilizações estão Sobral, Morrinhos, Horizonte, Eusébio e Tauá, além de diferentes bairros da Capital.
André também participou da articulação de agendas no Ceará com lideranças nacionais do bolsonarismo. O candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, tem visita prevista a Fortaleza nesta quarta-feira (21), enquanto o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) deve participar de atividades no Estado na sexta-feira (23). Outro parlamentar envolvido na campanha é Carmelo Neto (PL), deputado federal eleito, que tem participado de ações de rua e reforçado a presença da candidatura nos municípios.
Aliados de Ciro anunciam apoio, mas ex-governador não declara voto
Na semana passada, a campanha de Flávio Bolsonaro também recebeu o apoio de integrantes da chapa e do grupo político de Ciro Gomes, derrotado na eleição para governador. Na sexta-feira (16), o ex-prefeito de Fortaleza e candidato derrotado a vice-governador, Roberto Cláudio (União), anunciou voto no candidato do PL.
O político também publicou um vídeo ao lado do ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e do deputado estadual Alcides Fernandes (PL), ambos derrotados na disputa pelo Senado. Na gravação, os três defenderam a candidatura de Flávio Bolsonaro e fizeram críticas ao presidente Lula.
Apesar do movimento dos aliados, Ciro Gomes não declarou apoio a nenhum dos dois candidatos à Presidência. O ex-governador divulgou um manifesto aos eleitores cearenses após o primeiro turno, mas, no documento, não cita Lula ou Flávio Bolsonaro.
A ausência de posicionamento público também se estende à maior parte dos prefeitos que apoiaram Ciro na disputa pelo Governo do Ceará. Dos seis gestores municipais que estiveram ao lado do ex-governador no primeiro turno, apenas um declarou apoio a um dos presidenciáveis até o momento.
A exceção é Rômulo Noronha (Solidariedade), prefeito de Parambu, que tem participado ativamente da campanha de Flávio Bolsonaro. O gestor promoveu carreatas no município e prepara uma atividade com André Fernandes para a véspera da votação.
Em Juazeiro do Norte, o prefeito Glêdson Bezerra (Podemos) não havia divulgado posicionamento público sobre a disputa presidencial até o levantamento realizado pela reportagem. Situação semelhante ocorre com Roberto Filho (PSDB), prefeito de Iguatu, que também não anunciou apoio a nenhum dos candidatos.
Não foram identificadas manifestações públicas sobre o segundo turno presidencial dos prefeitos Edilberto Bezerra (PSB), de Acarape; Selma Benevides (PSB), de Redenção; e Ozires Pontes (PSDB), de Massapê.
Na prática, embora integrantes do núcleo político de Ciro Gomes tenham aderido à candidatura de Flávio Bolsonaro, o movimento ainda não foi acompanhado pela maioria dos prefeitos que apoiaram o ex-governador na eleição estadual.