‘Ciro continua sendo a mesma pessoa que respeito e admiro’, diz Cid após derrota do irmão no Ceará

Ele ainda repercutiu o desempenho de Ciro em Sobral, berço político da família Ferreira Gomes.

Escrito por Ingrid Campos ingrid.campos@svm.com.br
05 de Outubro de 2026 - 17:22 (Atualizado às 17:23)
capa da noticia
Legenda: Cid comentou não só sobre a derrota do irmão Ciro na disputa ao Governo Estadual, mas também a reeleição da irmã Lia Gomes a deputada estadual.
Foto: Thiago Gadelha.

Senador reeleito e articulador da vitória de Elmano de Freitas (PT) no Governo do Ceará, Cid Gomes (PSB) comentou sobre a relação com o irmão Ciro Gomes (PSDB), após este ser derrotado pelo petista. Ainda no domingo (4), o político do PSB reforçou que mantém o respeito e admiração pelo familiar. "O Ciro, para mim, continua sendo a mesma pessoa que eu respeito e admiro. Só por questões políticas, nós estivemos em lados opostos, mas ele, para mim, continua sempre sendo a referência que é", disse Cid.

Ele ainda repercutiu o desempenho de Ciro em Sobral, berço político da família Ferreira Gomes. Na cidade, o candidato do PSDB conseguiu 82.525 votos, equivalente a 70,09% dos votos válidos. "Sobral uma cidade bairrista, que tem uma autoestima muito forte. O sobralense enxergava nele (Ciro) uma oportunidade de Sobral ter mais prestígio. O meu desafio maior agora, nos próximos quatro anos, é fazer com que as pessoas não fiquem chateadas comigo porque o Elmano foi eleito. Então vou perturbar muito o Elmano para que o governo dele possa fazer muito em Sobral", afirmou.

O senador não participou do momento festivo no comitê central da campanha de Elmano, em Fortaleza. Por outro lado, logo após o evento, compareceu à coletiva de imprensa ao lado de Elmano; da primeira-dama do Estado, Lia Freitas; da vice-governadora eleita, Gabriella Aguiar (PSD); da senadora eleita, Luizianne Lins (Rede); e do suplente de senador eleito, Chagas Vieira (PDT).  

Questionado se a ausência da confraternização pública teria sido motivada pela relação com Ciro, Cid negou e atribuiu a postura à espera pela consolidação do desempenho do PSB na eleição para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). 

"Me sinto responsável por um partido, no qual a gente tem alegrias e tristezas. Eu contava que fizéssemos 14, mas infelizmente fizemos 13, e a minha irmã Lia estava fora. Para ela entrar, o Salmito ficou fora, e ele é como se fosse um irmão para mim, pelo que eu tenho de respeito e carinho. Mas tenho certeza que o partido vai encontrar, junto com o governador, meios para que os dois e mais algum suplente possam ter exercício na Assembleia. Então, (a ausência) era um sentimento de solidariedade com a minha irmã. Já não basta o problema com o irmão, você ainda tem um problema com a irmã...", explicou o senador.

A deputada estadual Lia Gomes (PSB) foi confirmada como reeleita nos momentos finais da apuração de urnas com 40.123 votos. Já o correligionário Salmito ficou na 1ª suplência do PSB na Alece, com 40.500 votos.

"Eu tinha dito ao Elmano: se a Lia não não se eleger, eu não vou (para a festa no comitê central). Eu fiquei esperando o voto de Pires Ferreira, que foi a última cidade a ter os votos apurados ou registrados pelo menos", detalhou, ainda.

Eleição ao Governo do Ceará

Elmano de Freitas foi reeleito governador do Ceará ao lado da nova vice-governadora, Gabriella Aguiar (PSD), nesse domingo (4), ao obter o apoio de 53,19% do eleitorado — exatos 2.875.573 votos — ainda no primeiro turno. Ciro Gomes, que tentava retornar ao cargo após três décadas, ficou em segundo lugar, com 46,22% dos votos válidos, equivalente a 2.498.891 eleitores.

A vitória petista garantiu a continuidade de um dos ciclos políticos mais duradouros do Ceará, iniciado em 2007 por Cid Gomes e mantido nos anos seguintes por aliados por Camilo Santana (PT) e Elmano. Por outro lado, deu uma nova camada à crise na família Ferreira Gomes, intensificada nesta campanha eleitoral. 

Durante a sabatina PontoPoder, Cid reiterou o desejo de se reaproximar do irmão, mas relatou resistência do lado oposto: "Já manifestei isso várias vezes e ele disse que não quer". Já o tucano preferiu não fazer mais comentários a respeito da relação com o político do PSB durante a campanha, alegando angústia. Em um dos poucos momentos em que tocou no assunto ao longo das últimas semanas, Ciro afirmou já "ter tido atritos feios" com atuais aliados por sair em defesa do irmão no passado. "Nada no campo moral, mas ele (Capitão Wagner) atacava o Cid, e eu amava o Cid loucamente, de forma sem reserva", relembrou.

Este conteúdo é útil para você?

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado

Colunistas

Edição do Dia