A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) e a Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) manifestaram pesar pela morte ex-prefeito de Limoeiro do Norte, José Maria Lucena, durante as sessões realizadas na manhã desta terça-feira (25). Ambas as Casas Legislativas realizaram minutos de silêncio.
O ex-gestor morreu nesta segunda-feira (24), conforme anunciou nota publicada pela sua filha, a deputada estadual licenciada e secretária das Mulheres do Ceará, Juliana Lucena (PDT), em suas redes sociais. Desembargador federal aposentado, ele comandou a administração limoeirense por dois mandatos. A causa do falecimento não foi informada.
Na Assembleia Legislativa, o minuto de silêncio foi solicitado pelo deputado Júlio César Filho (PT), sendo atendido pela 2ª vice-presidente da Casa, a deputada Larissa Gaspar (PT), que presidia a sessão na ocasião.
Na solicitação apresentada pelo parlamentar, ele destacou aspectos como a trajetória do ex-mandatário do município do Vale do Jaguaribe e se solidarizou com a filha do político.
Já na Câmara de Fortaleza o pleito foi apresentado pelo presidente do Legislativo municipal, o vereador Leo Couto (PSB), que também apresentou um requerimento para o envio de votos de pesar aos familiares do ex-prefeito.
Couto afirmou que o homenageado foi uma pessoa importante no Poder Judiciário brasileiro e destacou a trajetória do ex-magistrado na Justiça Federal. Além disso, o presidente da CMFor destrinchou a trajetória do político e enviou seus sentimentos para a filha do ex-prefeito de Limoeiro do Norte.
O corpo de José Maria foi velado em uma funerária localizada em Fortaleza, até a manhã desta terça-feira. No início da tarde, ele foi transferido para Limoeiro do Norte, para uma cerimônia no Ginásio Nilson Osterne e depois ser sepultado no Cemitério Nossa Senhora do Carmo.
Trajetória política de José Maria Lucena
José Maria Lucena foi eleito prefeito de Limoeiro do Norte em 2016 e reeleito quatro anos depois. Ele esteve à frente do Executivo municipal até se licenciar do cargo, em outubro de 2023. Na ocasião, a autorização foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal, e a então vice-prefeita Dilmara Amaral (PSB) assumiu interinamente a gestão.
O afastamento ocorreu em meio a questionamentos sobre a presença de Lucena no exercício das funções de prefeito. À época, ele alegava estar realizando tratamento médico em Fortaleza.
O Ministério Público do Ceará (MPCE) investigava, havia mais de um ano, denúncias de que o então prefeito não estaria exercendo regularmente as funções administrativas e que atribuições da gestão estariam sendo desempenhadas por secretários e terceiros.
Em outubro de 2023, o órgão ajuizou uma ação de improbidade administrativa e pediu o afastamento de Lucena por 90 dias, além da devolução de salários que, segundo o MPCE, teriam sido recebidos sem o efetivo exercício das funções naquele ano. O Ministério Público também pediu aplicação de multa e perda dos direitos políticos.
Na mesma época, uma ação popular que também questionava a situação do gestor levou a Justiça a determinar que um hospital particular de Fortaleza apresentasse documentação sobre o estado de saúde de José Maria Lucena.
Além da passagem pela vida pública, Lucena construiu carreira no Judiciário Federal, onde atuou como juiz e chegou ao cargo de desembargador federal antes da aposentadoria.
Na nota em que confirmou a morte, a família destacou a trajetória pública e jurídica do ex-prefeito. “Sua partida deixa uma imensa saudade em seus familiares, amigos e na comunidade que ele serviu com dedicação ao longo de sua trajetória pública e jurídica”, afirmou.