Cearenses Moacir Fio e Nina Rizzi são finalistas do Jabuti 2026; veja obras que disputam Prêmio
"Aranha Movediça" e "Diáspora não é lar" são os livros que disputam premiação.
Os cearenses Moacir Fio e nina rizzi são finalistas da 68ª edição do Prêmio Jabuti com as obras "Aranha Movediça" e "Diáspora não é lar", respectivamente. Os autores foram anunciados na quarta-feira (14), mas a cerimônia com o resultado oficial da premiação acontece apenas em 27 de outubro.
Enquanto Moacir disputa na categoria "Romance de Entretenimento", com o livro lançado pela editora Moinhos, nina concorre no eixo "Poesia", com a obra da editora Pallas.
A escritora, que também tem forte atuação como tradutora, nasceu em Campinas (SP), mas é radicada no Ceará. Na assinatura do próprio nome, nina rizzi opta pelas iniciais minúsculas. Ela já publicou "Tambores pra n’zinga", "Sereia no copo d’água", "Caderno-goiabada" e "A melhor mãe do mundo". No campo da tradução, verteu ao português obras de Alice Walker, bell hooks e Alejandra Pizarnik.
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Já Moacir é autor do livro "Pequenas Hemorragias", uma coletânea de contos, e venceu o 2º Prêmio Literário Máquina de Contos, com "Diáspora". Sua escrita explora o desconforto e o horror, carregando referências de Verena Cavalcante, Bruno Ribeiro e Márcio Benjamin.
"A relação do horror com a memória é muito bem cimentada, pois a literatura gótica tem esse fascínio com o passado, com as maldições que retornam de suas tumbas. A memória me assombra. De certo modo, é ela que cria a nossa realidade. Somos reféns de nossas memórias. Não tem como algo ser mais assustador que isso."
Em entrevista à coluna, Moacir ainda revelou que a vitória na premiação Máquina de Contos abriu espaço para conquistar certa projeção e lançar seu primeiro livro de ficção em 2023, o "Pequenas Hemorragias".
Para ele, foi uma surpresa perceber a recepção de "Aranha Movediça". "Confesso que nada parece real. Jamais me imaginei disputando prêmios tradicionais como Jabuti e Oceanos, sobretudo com uma história que fala de punks, assombrações e sertão colonial", acrescentou.
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Obras cearenses finalistas do Prêmio Jabuti 2026
Aranha Movediça, de Moacir Fio
Na obra "Aranha Movediça", Moacir Fio aborda um podcast investigativo sobre o underground punk dos anos 1980. Ele ainda ambienta um mistério no sertão, com uma lenda que segue atiçando a curiosidade dos moradores de Fortaleza. O podcast investiga uma intricada história de "Jota do Lixo", que entrelaça diversos personagens e fantasmas.
Há ainda o vilarejo de Cococi, um local abandonado que esconde horrores de um passado colonial e fantástico. Com seu novo livro, Moacir se torna um dos nomes brasileiros — cearense! — a integrar o horror latino-americano, marcado por escritoras como Mariana Enriquez e Samanta Schweblin. Esse gênero se propõe a usar o horror como uma ferramenta para refletir heranças coloniais e traumas históricos.
Diáspora não é lar, de nina rizzi
Em "Diáspora não é lar", nina rizzi busca criar, recuperar e ressignificar linguagens. É um mergulho sobre a forma e as possibilidades da língua portuguesa. Sua escrita ainda recupera a ancestralidade, manifestada no "pretuguês", em uma poesia que se coloca no centro, afastando-se das margens e das periferias.
Seus versos relembram episódios de racismo que sofreu na infância, assim como na juventude e vida adulta. nina aponta que o amar é uma forma de resistência. Ela ainda apresenta histórias do ambiente escolar e do trabalho da mãe.