Hospitalidade brasileira

Esse governo, desde que iniciou o confronto militar com o Irã, emitiu uma lista de países cujos cidadãos e cidadãs não são lá muito bem-vindos

Escrito por Gilson Barbosa producaodiario@svm.com.br
15 de Junho de 2026 - 06:00
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Legenda: Jornalista

Nos últimos tempos, notadamente durante este “segundo reinado” de Donald John Trump (1946-) à frente dos Estados Unidos, tornou-se ainda mais intensa a questão do combate à imigração ilegal por lá. De fato, temos visto, desde o início da nova gestão de Trump, o recrudescimento das medidas de segurança na nação norte-americana. E aquelas, cuja justificativa chega às raias da paranoia, vêm se ampliando com o passar do tempo. É verdade que os EUA devem mesmo se preocupar com a proteção de seu povo e de seus interesses, preocupação legítima e válida não somente para lá, mas também para qualquer nação do planeta. Há muitos anos o fenômeno da imigração ilegal ocorre e o resultado se expressa nas levas e levas de estrangeiros que ainda hoje vivem clandestinamente na chamada “terra das oportunidades”, oportunidades estas que, particularmente, questionamos.

Mas, deixando de lado tal aspecto, e com a realização da XXIII Copa do Mundo, ora em pleno andamento, o que temos visto nos últimos dias nos deixa envergonhados pelo absurdo comportamento dos órgãos de segurança do governo Trump contra as delegações que participarão da maior competição do futebol mundial. Esse governo, desde que iniciou o confronto militar com o Irã, emitiu uma lista de países cujos cidadãos e cidadãs não são lá muito bem-vindos. Entre estes estão, por exemplo, a Somália, a Síria, Cuba, Afeganistão, Irã, Iêmen e vários outros. Agora mesmo, o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, considerado o melhor do futebol africano na atualidade, que havia sido escalado pela FIFA para apitar jogos da Copa, teve seu visto de entrada barrado pelos EUA, ao chegar em Miami, e não poderá atuar no torneio. Já retornou, inclusive, para seu país natal, sendo recebido com honras.

Além disso, delegações de jogadores cujas seleções participarão da Copa, como a do Senegal, por exemplo, passaram pelo constrangimento de, ao chegar em solo norte-americano, terem suas bagagens imediatamente revistadas pelos policiais do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (Immigration and Customs Enforcement, o temível ICE). Sob a justificativa da segurança nacional, muitos abusos têm sido praticados. Diante do que temos visto e analisando o nosso querido Brasil, concluímos que, ao contrário da antipática e xenofóbica postura do trumpismo, somos mesmo um país que acolhe com sincera hospitalidade todos os que o visitam. Há que se verificar, sim, a origem de quem aqui chega, seja como turista ou como refugiado. Porém, sem paranoia ou exagero.

Que nosso país, ao contrário da arrogante nação setentrional, mantenha suas precauções de segurança, mas conserve o espírito de boa hospitalidade e simpatia que é uma característica de seu povo e de sua cultura, sem atitudes exageradamente hostis e discriminatórias. Mesmo com todas as suas dificuldades, viva nossa hospitaleira pátria!

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