O terreno do agricultor Sidrônio Moreira, em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, entrou no bloco de mais 24 áreas da Bacia Potiguar aprovadas nesta sexta-feira (4), por unanimidade, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para exploração de petróleo.
A decisão não significa que haverá extração comercial do petróleo na propriedade do agricultor. Representa que o terreno onde foi encontrado a substância poderá, futuramente, ser incluído em um dos ciclos de concessão.
Segundo a ANP, os espaços delimitados visam à eventual inclusão em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC). "As áreas indicadas somente poderão ser disponibilizadas para oferta após o 6º ciclo, previsto para acontecer no dia 07 de outubro de 2026", completa a agência.
Antes disso, porém, o órgão detalha que os blocos aprovados precisam ainda cumprir etapas que incluem análise ambiental, emissão de documentos dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, além de audiência pública.
"Ficamos na mesma", afirma filho de agricultor
Em entrevista ao Diário do Nordeste, Sidnei Moreira, filho de Sidrônio, detalha que a decisão desta sexta-feira representa uma vitória ao indicar que o processo para resolver o impasse na propriedade do pai está caminhando.
Apesar disso, como ainda há muitos processos pendentes junto aos órgãos competentes, incluindo dois ministérios, a imprevisibilidade de uma data para futuros leilões não muda o cenário de aperto financeiro.
Ficamos na mesma, pois enquanto não tiver uma decisão final, não podemos mexer muito no solo da propriedade. O ideal seria uma posição final a respeito de onde podemos mexer na terra para conseguir água cuidar da horta e dos animais, pois o período de chuva tem ficado cada vez menor".
O filho do agricultor afirma que foram feitos dois empréstimos relacionados, direta ou indiretamente, com a perfuração dos poços no Sítio Santo Estevão. As dívidas ultrapassam R$ 25 mil. Segundo Sidnei, algumas parcelas foram renegociadas e tiveram prazo para pagamento ampliado.
Entenda o caso
A situação do agricultor cearense começou em novembro de 2024. Sidrônio resolveu perfurar o solo do Sítio Santo Estevão, em Tabuleiro do Norte, para irrigar a lavoura e dar de beber aos animais.
Ao atingir cerca de 40 metros de profundidade, entretanto, a broca trouxe um líquido preto, viscoso e com forte cheiro de asfalto.
Após a família notificar a ANP em julho de 2025, técnicos visitaram a propriedade em março de 2026 para colher amostras. Em maio deste ano, o órgão confirmou que a substância encontrada no quintal de Sidrônio Moreira era oficialmente petróleo cru.
Mesmo com a descoberta de petróleo na propriedade e com a inclusão do local em futuros ciclos de concessão para exploração, especialistas acreditam que a extração do recurso no ambiente dificilmente teria viabilidade econômica, pois o alto custo de extração arrisca superar o valor de mercado do recurso.