Um novo projeto busca tirar a tradicional Avenida Monsenhor Tabosa do "limbo", modernizando os negócios desse corredor comercial de Fortaleza. Batizada de Centro de Inovação Ceará Habitats Digitais, a iniciativa deve ser entregue até dezembro deste ano.
O projeto, localizado na sede do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Ceará, é realizado pela entidade e conta com apoio da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate).
As informações foram confirmadas pela diretora de operações da Acate, Natália Ferreira, durante o Startup Summit 2026, em Florianópolis.
Conforme explica a especialista, a Avenida Monsenhor Tabosa, tradicionalmente conhecida por abrigar diversas lojas do varejo de moda, atualmente apresenta quase metade dos boxes vazios.
Esse esvaziamento, segundo ela, ocorreu devido ao crescimento dos e-commerces e à popularização da internet, causando o fechamento de inúmeros estabelecimentos.
Ao longo dos últimos anos, foram desenvolvidos alguns projetos para tentar reaquecer o comércio da região. Os dois útimos, que foram apresentandos em dezembro de 2025, previam uma rua coberta e um túnel sob a via. Contudo, essas duas propostas foram recusadas pela Prefeitura de Fortaleza.
Como será o novo projeto?
A ideia é que o Centro de Inovação atue no apoio de empreendimentos tradicionais que desejam adotar soluções tecnológicas, na criação de programas de inovação para o desenvolvimento de novos negócios, na pré-aceleração e aceleração de startups e na realização de eventos na região para promover conexões e oportunidades de investimento.
“Utilizar tecnologia para acelerar a visibilidade ou as vendas, ajudando a colocar esses negócios, por exemplo, em plataformas de e-commerce. Participar de eventos, de atividades que a gente vai realmente ajudar na sobrevivência desses pequenos negócios. Estamos trazendo esse movimento do centro de inovação para ser esse grande remodelador da economia daquela região", indica Natália.
Na visão da diretora, a tecnologia é uma espécie de “faca de dois gumes”: enquanto a ferramenta pode ser usada para alavancar negócios, a falta dela pode ser responsável pela crise em muitos empreendimentos.
“Muitas empresas não vão sobreviver se não se reinventarem. Tudo está mudando muito rápido. É necessário estar antenado e ter essa agilidade muito apurada", observa.
"Essas empresas, não só do varejo, se não criarem estruturas que tenham capacidade de fazer a leitura rápida e a remodelagem do que está vindo, vão realmente ficar para trás”, frisa.
No momento, informações sobre como integrar o hub e quais programas serão lançados ainda estão sendo consolidadas.
Hub também quer conectar ecossistemas de inovação
Outro objetivo do hub tecnológico é conectar os ecossistemas locais de inovação no Estado.
Segundo dados do Observatório do Sebrae Startups, o Ceará conta com 1306 startups mapeadas pela entidade, sendo os principais segmentos Tecnologia da informação (19%), Saúde e bem estar (12%) e Educação (11%).
Além disso, de acordo com o presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, o Nordeste passou da terceira para a segunda região brasileira com maior número de startups.
“É sinal que o Nordeste tá tendo também oportunidade. Monsenhor Tabosa vai se tornar uma grande rua de inovação. A nossa ideia é fazer com que os ecossistemas locais do Ceará se conectem cada vez mais em relação a todo o Brasil”, salienta.
Aproximar os ecossistemas de inovação de Santa Catarina e do Ceará também está no radar. Conforme aponta a Acate, atualmente, Florianópolis ocupa a 247ª posição no ranking global de ecossistemas de startups, atrás de São Paulo (24º), Rio de Janeiro (138º), Curitiba (146º), Belo Horizonte (157º) e Porto Alegre (196º)
*A repórter viajou a convite do Sebrae.