O endividamento das camadas sociais mais humildes devido à popularização das bets está contribuindo para a atual crise do varejo brasileiro, segundo análise da presidente do Conselho do Magazine Luiza, Luiza Trajano. A empresária participou do Startup Summit 2026, em Florianópolis, nesta terça-feira (26).
“Os juros atrapalham, as bets atrapalham. A bet é um problema pra classe mais simples, que tá endividada, que sofre pressão e enfrenta depressão. É essa classe que está gastando mais. O emprego está em bom nível, mas o gasto com bets e os juros estão muito altos", avaliou.
Recentemente, a Casas Bahia fez um pedido de recuperação judicial (RJ) para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas, fechando 298 unidades e demitindo 3 mil funcionários em todo o Brasil.
No Ceará, a empresa fechou pelo menos três lojas nos últimos dias, em Fortaleza, Itapipoca e Pacajus. Outro exemplo da crise varejista é o passivo de R$ 1,7 bilhão da CVLB Brasil, dona da Le Biscuit e Casa & Vídeo.
Além desses dois caos, há outros exemplos recentes de crise no varejo brasileiro, como Americanas, Tok&Stok e Polishop.
Apesar da dificuldade no setor, Luiza ressalta que o movimento faz parte da realidade do mercado e acredita que a crise é provisória.
"Alguns varejistas estão indo muito bem, outros não, mas eu sempre vivi altos e baixos no varejo. É temporário. No varejo, sempre houve os que sobreviveram e os que enfrentaram dificuldade, mas o varejo vai sobreviver", salienta.
Atuação no Ceará
Atualmente, o Magazine Luiza conta com 72 lojas no Ceará, em 26 municípios do Estado, segundo o site da empresa.
Questionada sobre a possibilidade de expansão dos negócios no Ceará e no Nordeste, Luiza não descartou a possibilidade e demonstrou otimismo com as atividades da empresa na região.
"Gostamos muito do Ceará. Estamos indo muito bem no Nordeste. Nos adaptamos ao Nordeste muito rapidamente", disse.
*A repórter viajou a convite do Sebrae.