A Diamante Energia apresentará propostas de até 300 Megawatts (MW) para o Ceará no primeiro leilão de baterias do Brasil, marcado para o início de dezembro.
A informação foi confirmada pelo CEO da companhia, Pedro Akos Litsek, nesta quinta-feira (24), durante o evento ProEnergia Summit 2026, em Fortaleza.
O leilão deve contratar projetos de baterias com potência mínima de 30 MW, disponibilidade para recarga completa em seis horas e eficiência mínima de 85%.
As propostas selecionadas serão contratadas por 15 anos, com remuneração pela disponibilidade de potência, e não pela energia armazenada. Aquelas selecionadas no Ceará e em outros estados do Nordeste terão prioridade.
Fim da participação no projeto Jandaia
A oferta no leilão de baterias compõe um pacote de investimentos voltados à expansão da Diamante Energia no território cearense.
Dentre eles, estava a participação na instalação da usina térmica Jandaia, movida a gás natural, que será instalada no Complexo do Pecém, na Grande Fortaleza.
Entretanto, segundo o Pedro Litsek, a empresa decidiu não mais colaborar na iniciativa. "É um projeto do qual a gente acabou abrindo mão da nossa participação. Então ele vai ser 100% da Eneva", afirmou.
O projeto para a usina prevê investimento de R$ 6,5 bilhões, com início das obras projetado para o primeiro semestre de 2026 e operação prevista para 2030.
A instalação deve movimentar 18 milhões de m³ de gás natural por ano e demandará a construção de um novo píer no Porto do Pecém para suporte logístico.
Axia estuda participar do leilão
Além da Diamante Energia, a Axia Nordeste planeja apresentar propostas para o leilão de baterias, segundo informou o Tony Ulysses Rodrigues Matos, diretor-presidente da empresa, ao Diário do Nordeste.
"Existe uma seleção por parte da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), desses projetos que vão ser implementados, e a Axia vai avaliar quais são os empreendimentos que vão ser do nosso interesse para participar", disse.
O executivo não soube informar, no entanto, se a companhia analisa projetos exclusivos para o Ceará, apenas que há propostas para o Nordeste.
"A nossa ideia para essa bateria é exatamente ficar próximo a onde está existindo um excesso de geração, para explorá-lo", complementou.
Os investimentos da Axia no Nordeste somam R$ 6,2 bilhões em linhas de transmissão de energia. Os empreendimentos estão nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.
No Ceará, a empresa está investindo R$ 981,5 milhões associado ao Lote 3 do leilão da Aneel, de 2024, com a construção da nova subestação (SE) de Morada Nova.
Início da operação em 2028
A habilitação das empresas cadastradas no leilão será divulgada até 17 de novembro. Os certames serão realizados em 2 e 4 de dezembro.
A seleção dos projetos ocorrerá com disputa de preços, vencendo o mais vantajoso. Antes disso, os projetos passarão por análises técnicas de capacidade de escoamento no Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Foram inscritos 5.296 projetos para o leilão focado em conteúdo nacional e 5.734 para o certame aberto a todas as empresas, sendo que 4.939 propostas estão cadastradas nos dois leilões.
Os contratos terão 15 anos de duração, com início da operação em 1º de agosto de 2028, mas com possibilidade de antecipação conforme a necessidade do sistema.