Cerca de R$ 2,7 bilhões em bens de ex-dirigentes do Banco BRB foram bloqueados após o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) decidir, em caráter cautelar, determinar a indisponibilidade dos valores, nesta quarta-feira (23). A decisão foi proferida durante sessão reservada, segundo comunicado do TCDF.
“Os ex-dirigentes terão um prazo de 30 dias para se manifestar. A medida tem por objetivo resguardar eventual ressarcimento aos cofres públicos diante de indícios apontados em apurações relacionadas a operações conduzidas pela instituição financeira”, disse a entidade.
Além do bloqueio cautelar de bens por prazo de um ano, o Tribunal determinou a conversão do processo em Tomada de Contas Especial (TCE), instrumento destinado à apuração de responsabilidades e de possíveis danos ao patrimônio público.
OUTRAS DETERMINAÇÕES DO TCDF
- Que o banco encaminhe, em até 24 horas, relatório de auditoria independente realizada no BRB.
- Audiência do atual diretor-presidente da instituição financeira para que apresente, em até 30 dias, justificativas sobre o descumprimento de determinação anterior do Tribunal relacionada ao envio de informações.
- Estabeleceu prazo de 15 dias para que o BRB apresente esclarecimentos e documentação sobre os fatos tratados na representação apresentada pelo Ministério Público de Contas do DF (MPC/DF).
BRB E MASTER
Ministério Público Federal do Distrito Federal instaurou em 2025 uma notícia-crime para investigar se houve crime contra o sistema financeiro nacional na compra do Banco Master pelo banco estatal Banco de Brasília (BRB). A etapa foi o início da investigação, assim como a tomada de informações preliminares.
A transação de compra consistiu na aquisição de 58% do Banco Master pelo BRB, com os valores de aquisição ficando entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Para os procuradores, a operação é complexa, o que levanta indícios de possíveis irregularidades.
PRISÃO DE EX-PRESIDENTE
No dia 16 de abril deste ano, a Polícia Federal (PF) prendeu o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A ação fez parte da quarta fase da Operação Compliance Zero.
O ex-gestor é suspeito de não seguir normas governamentais e permitir negócios com o Banco Master sem lastro. Ele foi localizado e detido em Brasília, segundo apuração do g1.
Paulo Henrique teria recebido pelo menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em troca de facilitar esquemas ilícitos. Duas dessas residências seriam sediadas no Distrito Federal.