Após troca com Diamante Energia, Eneva reforça atuação no setor de gás natural no Ceará

Eneva assumiu controle total da Porto do Pecém Transporte de Minérios (PPTM).

Escrito por Mariana Lemos mariana.lemos@svm.com.br
05 de Setembro de 2026 - 07:00
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Legenda: Infraestrutura que integrará terminal de gás natural no Porto do Pecém passou para controle da Eneva.
Foto: Thiago Gadelha.

A empresa brasileira de energia Eneva assumirá o controle total da Porto do Pecém Transporte de Minérios (PPTM), infraestrutura responsável pelo transporte de carvão e granéis no Complexo do Pecém, após acordo de permuta com a Diamante Energia.

Para fontes especializadas, a transação pode acelerar o desenvolvimento da cadeia de gás natural no Ceará.

O acordo entre as empresas, celebrado em 2 de setembro, inclui a transferência de 50% das ações da PPTM da Diamante Energia para a Eneva, que já detinha os outros 50%.

Em troca, a Diamante Energia receberá da Eneva 100% das ações da Itaqui Geração de Energia, no Maranhão. A permuta deve passar ainda por aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). 

A Diamante Energia deve pagar à Eneva R$ 400 milhões, além de contingente adicional de R$ 467 milhões caso o início do suprimento de energia contratado no Leilão de Reserva de Capacidade seja antecipado.

O empreendimento em Itaqui é uma usina termelétrica movida a carvão, com capacidade instalada de 360 MW.

Com a permuta do ativo, a Eneva sai do mercado de usinas movidas a carvão.

Anteriormente, a empresa vendeu para a Diamante Energia a usina termelétrica Pecém II, também movida a carvão, por cerca de R$ 748,4 milhões.

A Diamante afirmou que sua atuação no Ceará seguirá com a operação das usinas Pecém e Pecém II.

"Adicionalmente seguirá buscando emplacar os projetos a gás que foram desenvolvidos anteriormente e também com a participação no próximo leilão de baterias, que deve ocorrer até o final do ano", afirmou. 

TERMINAL DE GÁS NATURAL NO PORTO DO PECÉM

A Porto do Pecém Transporte de Minerais fará parte da implementação do terminal de importação, armazenamento e regaseificação do gás natural no Complexo do Pecém, com capacidade de escoar até 14 milhões de m³ de gás por dia.

"A operação anunciada pela Eneva reforça a relevância do Ceará em sua estratégia de crescimento. O estado abriga o Hub Ceará, uma plataforma integrada que reúne projetos de geração termelétrica a gás natural e infraestrutura de GNL", segundo a Eneva.

O terminal será dimensionado para usinas térmicas contratadas no leilão de reserva, que funcionam como demanda-âncora — dão previsibilidade de receita e permitem amortizar a infraestrutura, destaca Adão Linhares.

O excedente do gás natural deve ser injetado na malha da Cegás e poderá ser usado por setores gás-intensivos, como cerâmica, vidro, metal-mecânica, alimentos e siderurgia.

"É um argumento novo na mesa quando o Ceará for disputar uma indústria com outro estado. Abre espaço, também, para o mercado livre de gás, em que o consumidor de grande porte negocia diretamente com o supridor", aponta. 

Com o hub, o Porto do Pecém intensifica seu posicionamento como hub energético. A mesma estrutura de píer, tancagem, dutos e área industrial será utilizada pela amônia verde, metanol e combustível sustentável de aviação, projeta o especialista. 

"Em outras palavras: o gás natural não compete com o hidrogênio verde no Pecém. Ele pavimenta o caminho dele. O que precisamos garantir, e repito porque é o ponto que decide se isso dá certo, é que essa porta de entrada permaneça aberta a todos", destaca. 

UNIFICAÇÃO PODE FORTALECER SETOR, MAS EXIGE CAUTELA

A Eneva destacou que a concentração de ativos da PPTM reforça sua posição em uma infraestrutura estratégica para suprimento de gás natural do Ceará.

A reorganização é benéfica para o setor do gás, já que a fragmentação de ativos atrasa o desenvolvimento da cadeia, avalia o engenheiro, 
consultor especializado em energia renováveis e presidente da Energo Soluções em Energias, Adão Linhares. 

"Durante anos convivemos com uma situação em que quem tinha o gás não tinha a usina, quem tinha a usina não tinha o contrato de suprimento, e quem queria investir não conseguia enxergar quem, afinal, garantiria a molécula chegando ao porto", afirma.

A operação coordenada por um único operador tende a aumentar a eficiência e reduzir os custos de intermediação. O especialista pondera, entretanto, que a concentração de infraestrutura exige transparência e regulação.

"O píer e o terminal são o que os economistas chamam de facilidade essencial: quem controla a porta de entrada da molécula controla, na prática, o preço do gás para todo mundo que está do lado de dentro. Por isso, o princípio do acesso aberto e não discriminatório a terceiros precisa ser levado a sério", comenta. 

 

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