A CEO da Fraport Brasil, Andreea Pal, descartou a internacionalização do Aeroporto Regional de Jericoacoara – Comandante Ariston Pessoa até 2029, durante entrevista ao Diário do Nordeste nesta terça-feira (1º).
A declaração veio após a concessionária assumir a operação do empreendimento localizado em Cruz (CE), também nesta terça-feira (1º).
De acordo com a executiva, atualmente, o aeroporto não apresenta infraestrutura para receber uma companhia aérea internacional.
A primeira urgência elencada por Andreea é a reforma no terminal de passageiros, que deve seguir até 2028. Em seguida, vem a ampliação do pátio das aeronaves, que deve ocorrer entre 2028 e 2029.
“Começaremos com a reforma da parte dos banheiros e depois vamos ter praticamente que refazer todo o interior do terminal. Não poderemos trabalhar no terminal e no pátio ao mesmo tempo por causa da falta de espaço para todas as companhias”, pondera.
Assim, com a finalização das reformas principais em 2029, a CEO aponta a possibilidade de iniciar a negociação para atrair voos internacionais.
Segundo ela, o processo envolve requisitos burocráticos extensos e depende da decisão das próprias companhias, com um prazo de até dois anos entre a definição da rota e a efetiva operação.
“Como o aeroporto está hoje, não está em condições de oferecer para uma companhia aérea internacional chegar aqui. Temos que finalizar o projeto de reforma do terminal e ter uma ideia de como fazer acontecer os poucos voos que poderiam começar aqui. Não vamos começar com 20 voos internacionais por semana, provavelmente será apenas um”
Até o momento, o Aeroporto de Jericoacoara conta com operações das companhias aéreas domésticas Latam e Gol, com destino a Guarulhos (SP), e Azul, com destino a Confins (MG).
Fraport também descarta outros investimentos comerciais
Outra possibilidade descartada por Andreea Pal foi a construção de outros empreendimentos comerciais no Aeroporto de Jericoacoara por meio do programa Investe Mais+Aeroportos.
Lançado pelo Ministério dos Portos e Aeroportos (MPOR), o projeto busca agregar a aeroportos receitas comerciais da iniciativa privada, como shoppings e hotéis.
“Acho que é muito cedo para falar sobre isso. O aeroporto é muito pequeno. Shopping aqui não é muito realista. A primeira prioridade do aeroporto é ter espaço suficiente para crescer e acomodar mais passageiros e mais voos. E aqui, como está a situação em Jeri, não vejo muito espaço para outros investimentos”, declarou a CEO da Fraport Brasil.
Entenda a concessão
A gestão do Aeroporto de Jericoacoara foi concedida à Fraport Brasil em novembro de 2025, por meio de leilão realizado em São Paulo. A empresa já tem concessão do Aeroporto Internacional de Fortaleza. Com contrato atual até 2047, a previsão é que o terminal receba investimentos de R$ 100 milhões.
O aeroporto foi leiloado na primeira rodada do Programa AmpliAR, que busca conceder à iniciativa privada a gestão, manutenção e exploração de terminais regionais.
O Aeroporto de Canoa Quebrada, em Aracati, também integrou a primeira fase do programa, sendo concedido à Concessionária do Aeroporto Internacional de Guarulhos.