Cidade do Ceará perde 60% da população de galinhas em um ano; ovos também caem

Apesar da redução, município do Litoral Leste continua com protagonismo na produção de aves e derivados.

Escrito por Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
19 de Outubro de 2026 - 10:00
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Legenda: Rebanho de galinhas e produção de ovos no Ceará encolhe consideravelmente em um ano.
Foto: Kid Júnior.

A cidade de Beberibe, no Litoral Leste do Ceará, viu o rebanho de galinhas despencar cerca de 60% em um ano. Já a produção de ovos, que já chegou a ser a quinta maior do País, caiu 30% em 12 meses.

Os resultados foram divulgados pela Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) de 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2025, Beberibe viu o rebanho sair de 4,04 milhões de animais no ano anterior para 1,65 milhão. Foi a maior queda, nominal e percentual, dentre os 30 municípios com o maior número de galinhas do País.

O secretário do Desenvolvimento Agrário e da Pesca do município, Alexandre Belém, afirma que duas situações aconteceram com as galinhas que constavam na última PPM em Beberibe.

Parte delas foi transferida para outras unidades industriais, em outros municípios, enquanto outro quantitativo foi descartado. Isso significa que galinhas especializadas em pôr ovos foram destinadas ao abate em Beberibe.

"Como estratégia para regular e manter o preço em um nível interessante. Por isso, o efetivo foi significamente menor que no ano anterior. Como a maior parte dessa movimentação de animais foi de galinhas, a proporção com relação ao efetivo total de galináceos reduziu", observa.

Ovos também tem queda na produção em Beberibe

A produção de ovos é contabilizada em mil dúzias pelo IBGE. Nesse cenário, o município cearense saiu de 85,6 mil dúzias em 2024 para 60,5 mil no ano passado. A redução gira em torno dos 30%.

Apesar desse cenário, Beberibe continua como uma das protagonistas no Brasil na produção de galináceos, incluindo codornas (coturnicultura) e galinhas.

O presidente da Associação Cearense da Avicultura (Aceav), João Jorge Reis, atribui à queda expressiva a mudanças em lotes de galinhas, tanto poedeiras quanto as destinadas ao abate, e acredita que a redução é "sazonal".

"Um lote normalmente tem 100 mil aves. Elas chegam em idade de descarte, isto é, ficam velhas demais para corte ou para pôr ovos. Aquele lote deixa de existir, mas em 2026 deve dar um aumento com os pintinhos. Projetamos uma recuperação da produção", comenta. 

Alexrandre acrescenta, entretanto, que, mesmo que tenham sido produzidos menos ovos, a produtividade "foi significativamente maior", principalmente em um contexto de menos rebanho de animais. 

"Ainda que o rebanho tenha sido menor que o do ano anterior, em boa parte do ano os ovos foram produzidos com um efetivo superior. O preço foi maior devido à demanda global - impactada pela gripe aviária nos EUA no início do ano - e também por outras questões de cálculo no valor dos ovos", esclarece o secretário de Beberibe.

Cascavel tem leve melhora

Na contramão disso, os resultados obtidos por Cascavel, cidade vizinha a Beberibe e já na Região Metropolitana de Fortaleza, indicam melhora tanto nos rebanhos de galinhas quanto na produção de ovos.

A população de galinhas no município saiu de 1,45 milhão para 1,55 milhão, alta de 7,1%, a 29ª maior do Brasil. Já a produção de ovos cresceu de 34,3 mil dúzias para pouco mais de 36 mil dúzidas, leve aumento de 5%.

Municípios que compõem a Grande Fortaleza para além de Cascavel, como Aquiraz e Horizonte, também figuram como os maiores rebanhos do animal e principais produtores de ovos do Estado.

"As empresas fizeram nesses locais pela proximidade com o maior centro de consumo, embora existam planos em Quixadá e Quixeramobim de constituir um polo de avicultura no Sertão Central", define o presidente da Aceav.

Veja a lista dos municípios com o maior rebanho de galinhas do Nordeste (por cabeças):

  1. São Bento do Una (PE): 6,45 milhões;
  2. Paudalho (PE): 2,3 milhões;
  3. Orobó (PE): 1,82 milhão;
  4. Beberibe (CE): 1,65 milhão;
  5. Cascavel (CE): 1,55 milhão;
  6. Macaíba (RN): 1,46 milhão;
  7. Aquiraz (CE): 1,19 milhão;
  8. Horizonte (CE): 1,08 milhão;
  9. Eunápolis (BA): 1,03 milhão;
  10. São Cristóvão (SE): 988,4 mil.

Ceará também encolhe participação

No Estado, o cenário também foi de uma redução no rebanho dos animais e também na produção dos ovos de galinha. 

Em 2025, o Ceará perdeu um efetivo de 2,1 milhões de galinhas, chegando a 14 milhões de animais. Já na produção de ovos, o Estado saiu de 292,8 mil dúzias para 278,8 mil, redução de 4,8%.

Ceará continua como um dos dez maiores produtores de ovos de galinha do Brasil.
Legenda: Ceará continua como um dos dez maiores produtores de ovos de galinha do Brasil.
Foto: Kid Júnior.

Os resultados fizeram o Estado cair de 8º para 10º como o maior produtor de ovos do Brasil, mesma situação observada no rebanho de galinhas. 

No Nordeste, o Ceará ainda é o segundo colocado tanto em produção de ovos quanto em quantidade de animais, atrás somente de Pernambuco. O estado superou o território cearense no ano passado no rebanho.

Confira o ranking dos estados com maiores rebanhos de galinha do Brasil (por cabeças):

  1. São Paulo: 59 milhões;
  2. Paraná: 29,1 milhões;
  3. Minas Gerais: 26,9 milhões;
  4. Rio Grande do Sul: 23,8 milhões;
  5. Santa Catarina: 19,1 milhões;
  6. Pernambuco: 18 milhões;
  7. Espírito Santo: 16,9 milhões;
  8. Goiás: 15,3 milhões;
  9. Mato Grosso: 15,1 milhões;
  10. Ceará: 14,1 milhões. 
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