Um caso curioso chamou a atenção de Camocim, no Litoral Oeste do Ceará, neste início de semana: um homem ajudou a salvar um passarinho que havia caído perto de onde ele estava com familiares ao fazer manobras de reanimação.
Vídeos do momento em que o empreendedor Kennyd Sousa, de 41 anos, faz movimentos no corpo de um pardal-doméstico na tentativa de reanimá-lo circularam nas redes sociais desde ontem (30), quando o ocorrido se deu. A ave reage e alça voo depois da ajuda.
“Fiquei impressionado pela atitude que eu tive, de Deus ter me tocado na hora e ter deixado eu dar uma vida àquele pássaro”, compartilha o camocinense em entrevista ao Diário do Nordeste.
À reportagem, o pesquisador e médico veterinário de animais silvestres e exóticos Carlos Diego de Sousa Ribeiro analisou o vídeo e confirmou que o pardal-doméstico passou passou por manobras de massagem cardíaca com "êxito".
O profissional, no entanto, orienta que o ideal em um caso semelhante é que pessoas leigas tentem levar o animal a um serviço veterinário para que eventuais sequelas possam ser conferidas por um médico.
"É uma vida, então uma vida é muito importante”
Kennyd narra que estava em uma loja de conveniência na tarde do domingo com o cunhado e o primo dele, Jonas e Emerson Galvão, quando o trio foi surpreendido pela queda do animal.
“De repente esse pássaro caiu bem nos pés do meu cunhado. (Estava) todo tremendo, ficou emborcado na mão dele, não tinha força de nada, abrindo a boca como se estivesse morrendo sem ar”, relembra.
O trio acredita que o passarinho tenha sofrido alguma descarga elétrica na fiação de um poste próximo ao local. Ao ver o animal naquela situação, Kennyd reagiu: “Eu disse: ‘Cara, não vou deixar ele morrer, não, vou reanimar ele’. Porque é uma vida, né? Podia ser um cachorro, um gato, uma pessoa, é uma vida, então uma vida é muito importante”.
Manobras de reanimação
O empreendedor, então, começou a fazer manobras de reanimação no pássaro. Nos vídeos, é possível ver o momento em que o animal começa a reagir. “Comecei a fazer massagem no peito dele, depois a soprar no bico dele de longe, e ele começou a retornar, com a boca aberta, ainda cansado, falta de ar, coração acelerado”, descreve.
Após um tempo, o estado do passarinho se normalizou. “Meu cunhado ficou com ele na mão. Depois, quando ele quis, já começou a se mexer. Botamos ele na mesa e ficamos com ele, aí de repente ele voou, graças a Deus”, segue Kennyd.
O empreendedor conta que ele e os familiares ficaram “muito felizes” com a conclusão positiva da situação. “Ganhamos nosso dia por ter salvado aquele pássaro (...) Acho que se eu não tivesse feito isso ali, ele tinha morrido nas mãos do meu cunhado, mas Deus é bom toda hora”, celebra.
Massagem cardíaca foi feita "adequadamente"
O veterinário Carlos Diego aponta que, provavelmente, a ave passou por uma descarga elétrica, cujas consequências possíveis incluem arritmia, parada cardíaca, danos cerebrais e musculares, queimação e desorientação.
"Alguns outros danos podem ser tardios, o animal não demonstra tanto estar totalmente afetado, e após ele vem a óbito", aponta. O dano aparente do passarinho em Camocim — também provavelmente uma fêmea, a partir da coloração visível nos registros — foi uma parada cardíaca.
"Existe a possibilidade de fazer massagem cardíaca em aves, não é algo diferente e que não dê para fazer. Ele surpreendeu porque conseguiu fazer direitinho. Ele não usa os termos corretos, mas o que importa é que fez o procedimento adequadamente, relativamente", avalia o médico.
O veterinário explica que "a massagem cardíaca nas aves envolve comprimir, obviamente não com tanta força para não machucar, a quilha, que é esse osso que vai estar envolvendo o coração do animal, assim como as vísceras".
"Na altura de onde fica o coração, você vai fazer uma compressão de ambos os lados para poder estimular não só o coração, como a musculatura dessa região", avança o especialista.
Especialista ressalta importância de atendimento profissional
Apesar do desfecho positivo, Carlos Diego ressalta a importância de atendimento profissional em uma situação do tipo — inclusive para garantir a sobrevivência da ave a longo prazo em casos de choque elétrico mais sério.
"Ali onde ele está, a depender, não ia ter ninguém (para atender o animal), então realmente é possível tentar fazer essa reanimação em caso de ausência de profissionais da área, mas a gente recomenda sempre procurar o médico veterinário, porque esse processo de eletroplessão é bem delicado e a gente pode tentar ajudar e acabar prejudicando o animal, porque são bem frágeis, as pessoas não sabem a força que devem usar, não sabem onde pressionar exatamente"
"No caso, a gente vê que era um local sem tanta possibilidade de atendimento, ele tentou a sorte e deu certo. Muito impressionante, inclusive", afirma.
"Que bom que ele conseguiu fazer o animal reanimar. Não sei se ele vai ter sequelas depois, muito provavelmente sim, mas que bom que ele conseguiu fazer essa reanimação do animalzinho", conclui o especialista.