‘Monstruosidade fetal isolada’: porco nasce com seis patas e dois quadris em Fortaleza

Zootecnista falou ao Diário do Nordeste sobre as possiveis causas da má-formação do animal.

Escrito por
Bergson Araujo Costa bergson.costa@svm.com.br
(Atualizado às 17:18)
Foto de porco que nasceu com má-formação em messejana, fortaleza.
Legenda: Imagens foram registradas pelo propietário do animal.
Foto: Jerfsson Oliveira Venuto.

Um leitão nasceu com seis patas e dois quadris nessa segunda-feira (15), no bairro Messejana, em Fortaleza. A má-formação do animal foi classificada pelo zootecnista e professor de Medicina Veterinária, Doutor Rhamon Costa e Silva, como “Anomalia congênita severa” e “Monstruosidade fetal isolada”.

O caso foi registrado pelo proprietário da porca gestora, Jerfsson Oliveira Venuto, encarregado geral de obra. Ao Diário do Nordeste, o profissional relatou que essa é a primeira ninhada da fêmea e que não havia visto algo parecido antes.

“Seis horas da manhã já tinha parido um [...] Mais de 10 horas ela não tinha parido [outro] de jeito nenhum, fiz uma massagem nela, fui me deitar [...] Quando fui olhar, ela já tinha esses dois bichos num só. Nunca tinha visto. Ela tá ali sofrendo ainda não conseguiu parir mais”, contou Jerfsson.

Jerfsson afirmou que reprodutor não tinha parentesco com a genitora, e que o animal está com a vacinação em dia.

“O cruzamento desses dois animais é totalmente diferente, não são parentes. A alimentação deles é saudável, aplico a medicação correta para verme, vitamina, tudo direitinho, não tem nada demais. Pariu um normalzinho de manhã e pariu esse aí. Ela só pariu esses três bichos”, disse ainda o proprietário.

Sobre o caso, o prof. Dr. Rhamon Costa e Silva preparou ao Diário do Nordeste um relatório sobre o fenômeno, apontando que o exemplar analisado apresenta um quadro complexo de defeitos congênitos múltiplos.

As características são:

  • esvaziamento/exposição de vísceras; (gastrosquise/esquistossomia);
  • deformação severa de membros (dactilia anômala);
  • dismorfia crânio-facial.

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HIPÓTESES

“Em suinocultura, a ocorrência de anomalias em ninhadas de primeiro parto (leitoas) exige atenção. Três frentes principais devem ser investigadas para determinar a origem do problema”, apontou Rhamon Costa e Silva. As hipóteses do especialista são:

Fatores genéticos e consanguinidade

Rhamon explica que a linhagem Pietrain é submetida a uma forte pressão de seleção artificial para o ganho de massa muscular magra. O cruzamento entre parentes próximos (consanguinidade) pode promover o encontro de genes recessivos deletérios, desencadeando monstruosidades fetais.

Causas infecciosas (falhas sanitárias)

Infecções virais que atingem a matriz durante o terço inicial da gestação — período crítico de formação dos órgãos dos fetos (organogênese) — são causas frequentes de natimortos e deformidades. Os principais patógenos suspeitos incluem:

  • Parvovirose suína e circovirose suína (PCV2/PCV3).
  • Vírus da PRRS (Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína) ou Peste Suína Clássica (PSC).

Fatores ambientais e nutricionais

  • Toxicidade alimentar: Rações contaminadas por micotoxinas (como Zearalenona ou Fumonisinas) ingeridas na fase inicial da prenhez.
  • Deficiências e medicamentos: Carência severa de vitaminas (como a Vitamina A) ou o uso inadequado de manejos terapêuticos (vermífugos/anti-inflamatórios) em períodos proibidos da gestação.

RECOMENDAÇÕES

Ainda em seu relatório, o prof. Dr. Rhamon Costa e Silva trouxe recomendações para mitigar novos casos e proteger o status sanitário da granja nessas situações.

  • Avaliação crítica da leitegada: Monitorar se o defeito foi isolado ou se outros leitões nasceram com baixo peso, tremores ou natimortalidade. Se o restante da leitegada estiver saudável, ganha força a hipótese de um acidente vascular/genético isolado nesse feto.
  • Auditoria do calendário sanitário: Revisar rigorosamente o protocolo de vacinação das matrizes antes da cobertura.
  • Controle de linhagem: Rastrear a árvore genealógica do cachaço e da leitoa para descartar parentesco.

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