Em novembro de 2025, o marinheiro cearense Adrian Alves de Sousa, de 21 anos, descobriu que precisaria realizar um transplante cardíaco por conta do diagnóstico de cardiomiopatia dilatada e insuficiência cardíaca.
Depois da descoberta, deu entrada no Hospital São Camilo em 5 de janeiro deste ano, sendo transferido no dia seguinte para o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, referência em transplante cardíaco no Ceará.
Lá, passou cerca de três meses na UTI à espera do novo coração, que foi transplantado nele no dia 28 abril de 2026. Após um total de 10 meses internado e cinco meses depois do procedimento, o jovem recebeu, na última sexta-feira (25), alta hospitalar.
Os primeiros meses, ele compartilha ao Diário do Nordeste, foram de "agonia, medo, incerteza". "Em muitos momentos perdi a esperança”, reconhece. A atual fase, no entanto, é de "alívio" e "gratidão". "Esperança de uma nova vida”, define.
Jovem passou 24 dias com coração artificial
Nascido em Sobral, Adrian vive há 13 anos em Fortaleza com a mãe, Rosy Alves, no bairro Pirambu.
"(Desde a transferência) ele não saiu mais (do Hospital do Coração), a gente estava lá até ontem (25), entre UTI, pioras, corações artificiais", compartilha ela.
Segundo Rosy detalha, o filho chegou a precisar ter dois corações artificiais implantados enquanto aguardava a chegada do novo órgão.
"Eu estava tão com os meus nervos à flor da pele que nem lembro o tempo exato, mas a doutora me falou que ele passou 24 dias no coração artificial esperando a doação", conta.
Apesar dos desafios, foi possível realizar o transplante e, desde então, Adrian esteve internado na enfermaria. Na ocasião da esperada alta, o jovem ressaltou a importância da equipe do hospital.
“Primeiramente eu quero agradecer a todos vocês. Vocês são uma equipe maravilhosa. Vocês todos estão no meu coração, nos dois. Muito obrigado pelo serviço de vocês”, disse, emocionado, em vídeo que registrou o momento.
Foco na recuperação
Agora, no primeiro dia em casa após os meses de internação, o jovem partilha que os planos futuros são os cuidados com foco total na recuperação:
“Seguir uma rotina leve e saudável, consultas, medicações e tudo que possa favorecer para o meu bem estar. No momento vou seguir o tratamento, priorizar a minha recuperação, cuidar mais da minha saúde e futuramente realizar meus sonhos e planos”
O que são as condições cardíacas que afetaram o jovem?
A cardiomiopatia dilatada e a insuficiência cardíaca foram descobertas pelo Adrian em 16 de agosto de 2024. “Não tive reação. Foi difícil acreditar”, lembra ele sobre a época do diagnóstico.
Na medicina, cardiomiopatias são condições que atingem o músculo cardíaco, alterando a anatomia e função cardíaca.
Com isso, podem provocar a condição de insuficiência cardíaca, na qual o coração não consegue bombear a quantidade de sangue adequada para os órgãos do corpo.
Há diferentes tipos de cardiomiopatia, sendo as duas mais comuns a hipertrófica e a dilatada. No caso de Adrian, a condição que o acometeu foi a cardiomiopatia dilatada, popularmente conhecida como “coração crescido”.
Nela, o tamanho do coração, sobretudo do ventrículo esquerdo, aumenta excessivamente, o que impede o bombeamento de sangue para atender às necessidades do corpo, causando a insuficiência cardíaca.