– “Vai dar certo!”
– “Obrigada!”
Passava das 23h30 de uma sexta-feira de 2026 quando saímos da área do centro cirúrgico do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), em Fortaleza. Lá dentro, quase 20 profissionais, entre anestesistas, instrumentadores, técnicos e cirurgiões, se revezavam sob luzes fortes, equipamentos nas mãos, olhares atentos e cercados de monitores em uma das salas. Sobre a mesa cirúrgica, um corpo de poucos centímetros, cujo peito já havia sido cortado outras vezes antes daquela noite na tentativa de prorrogar o tempo de vida que mal chegava a 6 meses de idade.
O bebê, Heitor Sousa Gonçalves (vamos identificar o receptor, mas não o doador para que seja preservado o sigilo sobre a doação, em cumprimento à legislação brasileira), que nasceu na cidade de São Benedito, na Serra da Ibiapaba, no interior do Ceará, ganhou naquele dia a chance de sobreviver. Ele tinha menos de 6 meses e veio ao mundo com cardiopatia congênita, uma doença em que há má-formação na estrutura do coração.
Até então, não sabia o que era viver fora de um hospital. Entubado, já tinha passado por cinco unidades hospitalares - sendo três delas fora de Fortaleza. Àquela altura, a luta pela sobrevivência já o tinha feito passar por duas cirurgias, uma delas, com 7 dias de vida.
A mãe, a dona de casa e agricultora Bruna Vieira Gonçalves Sousa, esperava sentada em um corredor externo ao centro cirúrgico em Messejana. Separada por algumas paredes e a poucos metros da sala onde o filho estava, respondeu esperançosa ao meu cumprimento breve e motivador, disparado no encontro imediato na saída do bloco cirúrgico e ainda sob o efeito do que eu havia testemunhado lá dentro: a chegada do novo coração do filho, que ela esperava há meses.
A equipe da cirurgia, naquele horário, quando a sexta-feira ia embora e o sábado chegava, estava aparentemente mais calma. Pela porta da sala de cirurgia, os via conversar sem um ar de grandes tensões. Um dos momentos mais estressantes do procedimento que, na verdade, se divide em dois - a retirada de um órgão e a inserção de outro -, naquele horário, parecia estar quase superado.
O Diário do Nordeste veicula neste mês a série de reportagens multimídia “EntreLaçados, a rede que move transplantes no Ceará” e revela bastidores de um processo que, guiado pela ciência, entrelaça para sempre pessoas, profissionais e sensações como esperança, solidariedade, luto, dor, amor e vitória. Além de reportagens no site, o especial traz um minidocumentário focado no tempo e no processo das esperas por transplante, publicações nas redes sociais, episódios de podcast e uma newsletter.
Dias depois, entendi, em meio às explicações do cirurgião cardiovascular pediátrico, Valdester Cavalcante, chefe daquele procedimento, que naquela hora um dos pontos críticos do processo havia sido vencido. A tensão era garantir que o tempo de isquemia - período que órgão fica fora do corpo privado de fluxo sanguíneo e oxigênio adequado - não fosse ultrapassado. Mas, outra situação crucial ainda estava por vir.
O coração doado já estava sendo implantado no novo peito. Apesar de o cenário parecer mais calmo, a cada saída de algum profissional da sala cirúrgica onde o pequeno paciente se encontrava há mais de 2 horas, a delicadeza e a apreensão do procedimento eram ressaltadas.
Eu já não estava mais paramentada com as roupas e proteções - máscara e touca - usadas no centro cirúrgico quando passei pela mãe e rapidamente fizemos contato. Ela, acompanhada por outras mulheres que também aguardavam corações para seus filhos, em gestos silenciosos, parecia tentar aliviar o medo e a angústia. Observava quem entrava e saía pela porta. O momento era tenso, mas feliz. O local era aquele e o dia havia chegado. Uma chance que as demais não sabiam se teriam.
Preparado, protegido em recipiente esterilizado, conservado em gelo e transportado em uma caixa térmica, o pequeno coração, que pode passar até 4 horas fora do corpo - o chamado tempo de isquemia - atravessou as alas da instituição à noite, perto das 21h30.
“Quando é uma cirurgia de operação, primeira cirurgia, eu implanto (o novo coração) em 60 minutos ou um pouco menos. Dependendo da complexidade anatômica de tantas intervenções que essa criança já passou, isso pode esticar um pouco o tempo de isquemia e isso é um problema”, relatou em entrevista dias depois do transplante o cirurgião cardiovascular pediátrico, Valdester Cavalcante.
O médico por mais de 20 anos atuou em Messejana e, em junho, passou a trabalhar no Hospital Universitário do Ceará (HUC), no Itaperi, quando o setor da cardiologia pediátrica do Hospital do Coração foi transferida para a unidade.
Ao ser retirado do doador, o coração tem uma espécie de “parada circulatória”. Colocá-lo no gelo ajuda a “segurar” esse momento, explicou em entrevista ao Diário do Nordeste a coordenadora do Serviço de Cardiologia Pediátrica e do Transplante Cardíaco Pediátrico do Hospital de Messejana, Klébia Castelo Branco, horas antes de o órgão chegar à unidade. Ela é uma das médicas também pioneiras no acompanhamento de transplantes cardíacos pediátricos, e acompanhava a trajetória daquele pequeno paciente.
Ao ser colocado em outro corpo, no tempo de segurança, “ele (coração) tem a capacidade de voltar, quando a gente o esquenta”, completa ela. O hospital até julho de 2026 era o único da rede pública no Ceará que fazia esse tipo de procedimento. Depois, o HUC passou a realizar essas cirurgias.
Correria, concentração e trabalho coletivo
A equipe que fez a captação do órgão seguia apressada, após ter deixado a sala da outra unidade de saúde também em Fortaleza. De lá, fez um percurso de 9 minutos em uma van, emitindo sinal sonoro (semelhante à ambulância), cercada de batedores da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) até Messejana. O veículo deslizou pelas ruas e pela BR-116, em um horário de pouco trânsito. Desde às 17h30, os batedores aguardavam na unidade da captação para realizar o trabalho.
Na rotina do agente de trânsito da AMC, Davi Loureiro, motociclista batedor, já são mais de 10 anos atuando na atividade que busca abrir caminhos, seja no acompanhamento de autoridades, em comboios militares, em cortejos fúnebres ou em transporte de órgãos.
A última ação, a que leva de um hospital a outro a possibilidade de salvar vidas, “é a mais especial”, ponderou minutos antes de seguir liderando a equipe que facilitou o percurso do veículo que transportava o coração.
Àquela altura, há algumas horas, uma intensa troca de informações ocorria entre os dois hospitais. Uma equipe de enfermagem avisava a outra, via ligação ou mensagens no Whatsapp, o passo a passo de cada procedimento.
O “time da captação”, como chama o cirurgião cardiovascular pediátrico, Valdester Cavalcante, já havia conversado com ele para identificar as características do receptor com detalhes daquele pequeno corpo. “Eu preciso dizer: você vai captar um coração para uma criança tal, e eu preciso que você me traga nesse coração esse tipo de aspecto, esse tipo de anatomia”, relata ele.
A descrição é reiterada pelo cirurgião cardiovascular Daniel Trompieri, que captou o coração naquela noite. Ainda na van em deslocamento após ter ajudado a retirar o órgão, contou:
“Como eles (equipe no hospital transplantador) vão se deparar com um paciente que fez cirurgias prévias, eles têm que ter um preparo um pouquinho mais demorado para acessar o órgão de forma adequada. Eles (equipe do transplante) vão nos informando para que a gente possa prosseguir ou segurar (a retirada), para que o coração não fique fora do organismo sem eles lá estarem prontos para receber".
Quando a equipe partiu da unidade onde o órgão foi captado, outra seguiu naquele centro cirúrgico para a retirada dos rins do doador. A solidariedade da família doadora, enlutada pela perda de uma criança, garantiu, naquele dia, a partir de um sim ocorrido no início da tarde, a possibilidade de recomeço para, ao menos, outros dois pacientes infantis.
A ordem de retirada, explica o médico Daniel Trompieri, prioriza o coração por ser o órgão que “tolera menos tempo fora do organismo”. Na hierarquia, após ele, vem o pulmão, fígado, rins, e demais órgãos ou tecidos a serem retirados.
Em Messejana, carro parado após manobras rápidas no estacionamento, a equipe desce e adentra a estrutura. A caixa de transporte é levada por um médico cirurgião cardíaco em ritmo acelerado por um corredor silencioso. Passos rápidos e a porta do centro cirúrgico se fecha ante uma “plateia” de mães, incluindo a do bebê.
Tensão e esperança durante o procedimento
O pequeno receptor esperava na sala de cirurgia. Nesse momento, o coração acometido pela doença já estava em processo de retirada. A equipe que capta o órgão, detalha a médica Klébia Castelo Branco, não precisa ser pediátrica: “porque é uma captação, a técnica é a mesma”, aponta. Já a que faz o transplante obrigatoriamente deve ter um cirurgião cardíaco pediátrico.
Naquele noite, parte do grupo da captação permaneceu no procedimento em Messejana. Na área externa do centro cirúrgico, comoção e orações. Outras seis crianças internadas na unidade, naquela data, ainda esperavam na fila por um novo coração. Mães que seguiam na espera, algumas, inclusive, com filhos e filhas nos braços naquele horário, observaram no corredor a passagem do órgão. Os sorrisos eram entusiasmados, embora tímidos.
Teve início o procedimento. Ele durou quase 5 horas. Nesse tempo, vencida a primeira grande tensão, outro instante gerou apreensão e demandou extrema atenção: “é quando eu solto o clamp (técnica de pinçamento usadas durante cirurgias cardiovasculares), se o coração vai bater bem. Você soltou, irritou as coronárias e o coração começou a bater. Pronto, esse é o momento. Quando você olha, o coração tá batendo bem, então tá ok”, explica Valdester Cavalcante.
Na sala, o bebê deixou o coração doente para trás e partiu com um novo. No processo, foram pelo menos 30 profissionais envolvidos. Para o transplante acontecer, uma cadeia de médicos, enfermeiros, técnicos, profissionais da área administrativa, motoristas e seguranças foi mobilizada.
Do condutor da van que disse, com a voz embargada ainda no hospital captador: “eu me emociono quando falo nisso”, mostrando no celular um vídeo com um registro de transporte de órgão, ao cirurgião que fechou o pequeno tórax do paciente, ao final da cirurgia, quando já na madrugada de sábado o procedimento foi finalizado por volta das 2h.
Para o pequeno coração bater novamente dentro de um peito e devolver vida ao portador, muitos "Sim" foram ditos naquele dia. Um deles, o que estrutura todos os processos: o da família doadora, que segundo Valdester Cavalcante, é o que garante que o transplante começou.
Esse ato veio seguido por outros "Sim" requisitados à própria estrutura hospitalar, material, transporte, disponibilidade de profissionais. Recursos fundamentais para garantir a realização de transplante como política pública perene no Ceará.
Seis meses na fila de espera
O dilema daquele bebê, que nasceu com cardiopatia congênita, já durava seis meses, quando em uma quinta-feira a mãe soube, por outras famílias que tinham crianças também internadas em Messejana: “pode ser que um coração (infantil) chegue ao hospital”.
Isso porque, contou em entrevista ao Diário do Nordeste, quase três meses após o procedimento, e com o bebê em fase de recuperação, que essas famílias ouviram falar da possibilidade e saíram repassando a informação. Ainda não era nada oficial.
Diante daquela remota possibilidade, correu para o Hospital. O filho, estava na UTI e, naquela época, ela só passava cerca de 2h30 com ele por dia. Olhou pelo vidro da UTI e viu que uma placa no leito sinalizava que ele estava em jejum. “Desmoronei. Eu disse “meu Deus, é o dele”, relatou. O mundo parou. Havia chegado o grande momento?
“Nesse dia foi uma médica plantonista, que não era de costume estar lá, e ela disse ‘Bruna, o Heitor tem um possível doador, mas a gente está aguardando a família autorizar, e ainda tem a questão de saber se está viável para o transplante”.
Na sexta-feira, voltou ao hospital. O filho, novamente, estava em jejum. No contato junto ao leito do bebê, um médico aproximou-se e entregou uma carta preparada pela equipe da unidade. “De Heitor para mamãe”, registrava o envelope. O conteúdo: “Mamãe, meu coração chegou!”
Emocionada, ela não sabia sequer definir o que sentia. Foi a maior alegria vivida. Orou pelo filho e finalmente compartilhou com a família aquela novidade. Orou também pela família doadora. Até hoje reforça: deve a vida do filho, a solidariedade de uma mãe que teve coragem e empatia em meio à dor.
Até chegar a essa fase, esclarece a médica Klébia Castelo Branco, alguns pontos são avaliados para determinar a compatibilidade, como: a idade, o peso, o tipo sanguíneo e as condições do coração a ser doado. Para estar na fila de transplante cardíaco pediátrico, as crianças, em geral, têm cardiopatia congênita e não tem mais nenhuma outra opção de tratamento.
No caso de Heitor, quando ele entrou na lista de espera, a família precisou deixar a cidade natal e se mudar para Fortaleza. É uma condição imposta a todos os pacientes que aguardam transplante no Estado. Isso porque na contagem contra o tempo, não há garantias, de que famílias distantes, residentes em outras cidades, consigam chegar ao hospital transplantador no prazo adequado.
Ao entrar na lista, o peso do bebê, o quadro clínico e o tamanho do coração que ele pode receber são repassados à Central de Transplantes da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Lá é feito o cruzamento de informações entre potenciais doadores e receptores. “Nosso doador pode ser compatível com o peso, idade, mas se o tipo sanguíneo for incompatível, já está descartado” reitera a médica.
Se for compatível, a equipe parte para fazer o processo de avaliação do doador.
“Saber se o coraçãozinho que vai ser doado, está funcionando adequadamente. Se esse paciente tem infecção, se tem alguma outra doença que contraindica a doação. Por exemplo, se a morte encefálica for por meningite ele estava com uma infecção, na hora que eu transfiro o coração, eu posso passar para o outro bebê”.
O diagnóstico de morte encefálica é sempre feito por outra equipe. Não pode, de forma alguma, partir dos profissionais que acompanham quem está na lista de espera, portanto, os interessados no transplante. A legislação brasileira veda qualquer possibilidade do contrário.
Na quinta-feira que antecedeu a cirurgia, que ocorreu entre o fim de sexta e a madrugada de sábado, todos esses procedimentos foram executados.
Confirmada a morte encefálica, a equipe do hospital onde foi feita a captação entrou em contato com a família para tentar a doação. O sim ocorreu. “Então, na hora que a gente checa tudo isso: coração está batendo direito e a família doou, aí sim. A gente diz: vai ter transplante! Antes disso, estamos no processo de doação. A gente só avisa a família (receptora) que ele está no processo, quando há realmente essas confirmações”, recorda a médica.
O tamanho do coração importa. Mas, no caso do pediátrico, aponta ela, é feito um cálculo que o peso pode ser até três vezes maior do que o do receptor. O mesmo não vale para outros órgãos, como o pulmão, esclarece. “Jamais um pulmão vai conseguir ser três vezes mais o peso. A criança com o pulmão doente, o pulmão dela não dilata, não cresce. Cada órgão tem suas particularidades”, destaca.
Pós-transplante: a vida recomeçando
Quando o procedimento encerrou naquela madrugada, começaram novos desafios. Ao entrar no pequeno corpo, assim como em todos os outros transplantes, o novo órgão é rejeitado. O sistema imunológico tenta combater aquilo que para ele é estranho. A aplicação de remédios para reverter a situação é imediata.
“Entra o anestesista, que começa a fazer as medicações iniciais para combater a rejeição e depois entra a gente, dentro da terapia intensiva para fazer toda essa terapia que chamamos de imunossupressão pesada”, detalha a médica Klébia.
A respiração de alívio daquele procedimento só começou a vir na segunda-feira, já que nas primeiras 72h, normalmente, “o coração ainda não pegou”, acrescenta ela. Ele está batendo às custas de muita medicação e, às vezes, carece até de uma circulação assistida. Não é ainda um coração confiável, afirma. Passada a fase inicial, o “órgão acorda”.
A rejeição é um fantasma que não desaparece tão cedo.
“A gente acha um equilíbrio que é dar imunossupressor, que evite a rejeição, mas que não deixe o nosso receptor suscetível a morrer de uma infecção. É uma avaliação diária pela manhã, tarde e noite. É esse equilíbrio, porque se eu der pouca imunossupressão, eu fico protegido dos germes, mas ataca o meu coração e tenho rejeição. Se der muita imunossupressão, não tenho a rejeição, mas morro de uma infecção. É complicado”.
Heitor, no pós-transplante, se recuperou no Hospital de Messejana e no Hospital Universitário do Ceará (HUC), para onde foi transferido em junho de 2026, quando o serviço de cardiologia pediátrica passou de uma unidade para outra. O transplante teve êxito. Mas, além do convencional acompanhamento pós-cirurgia, ele precisou investigar outros problemas de saúde, como a paralisia das cordas vocais e questões relacionadas à deglutição de alimentos.
“O bebê agora é outro”, disse Bruna em entrevista ao Diário do Nordeste com Heitor nos braços em uma das enfermarias do HUC, com uma distância estabelecida entre eles e eu, já que o pequeno em junho de 2026, ainda estava em isolamento.
“Já tá tendo estímulo, está de luvinha direto porque ele arranca a sonda. Tá tendo acompanhamento com a fisioterapeuta, agora já vai começar o estímulo com a fonoaudióloga para poder alimentar pela boquinha. A questão motora dele tá muito melhor, a gente vê que agora ele é um bebê mais corado. Nada disso poderia ser possível se ele não tivesse sido transplantado”, contou Bruna.
Em julho, Bruna e Heitor deixaram o HUC. Vestido de “Rei Davi” - personagem bíblico que enfrentou um gigante - o pequeno transplantado recebeu alta e finalmente pode conhecer a própria casa, ainda que ela seja um lar provisório na Capital, já que a cidade de origem da família fica a 320 km de Fortaleza.
O tratamento requer que ele permaneça próximo ao hospital onde continuará sendo acompanhado. Ele já acumula vitórias gigantes. A maior delas é a chance de ter um futuro.
Créditos
Thatiany Nascimento, Repórter | Thiago Gadelha e Ismael Soares, Produtor Audiovisual | Jemmyle Cunha, Lincoln Souza e Louise Dutra, Equipe de Arte | Dahiana Araújo e Nícolas Paulino, Editores de DN Ceará | Karine Zaranza, Coordenadora de Jornalismo | G. André Melo, Gerente de Audiovisual | Ívila Bessa, Gerente de Jornalismo | Gustavo Bortoli, Diretor de Jornalismo