Um estudante do Ceará conquistou a nota mais alta do mundo na Olimpíada Internacional de Economia (IEO) deste ano, realizada na cidade de Shenzhen, na China. A 9ª edição foi aplicada entre os dias 12 e 20 de julho e contou com a participação de mais de 260 representantes de países como Estados Unidos, Suíça, Japão, China, Hong Kong e Singapura.
Aluno do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Farias Brito, em Fortaleza, o jovem Arthur Alencar Spuri, de 16 anos, ganhou medalha de ouro e ficou em primeiro no ranking, com 199,469 pontos. Ele foi um dos cinco brasileiros a participar da Olimpíada.
Além do título de vencedor geral, Arthur também integrou a equipe vencedora do “Business Case”, etapa em que os participantes da Olimpíada precisam oferecer soluções para um problema econômico ou empresarial.
Poucos dias antes, o adolescente também havia conquistado a medalha de prata na Olimpíada Internacional de Física (IPhO), realizada na Colômbia.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, ele contou que começou a participar de competições estudantis muito cedo, no 3º ano do Ensino Fundamental, incentivado principalmente pelo pai, Osvaldo.
O período coincidiu com o momento em que a família de Arthur mudou de São Paulo, onde ele nasceu, para o Ceará, terra de sua família materna.
“Meu pai trabalhava com a bolsa de valores, com o mercado de ações, e sempre estava muito envolvido com essa área de exatas e de economia. Por causa disso, ele acabou descobrindo o mundo das olimpíadas e me mostrou”, conta.
Junto a Osvaldo, ele fazia provas antigas das competições para treinar e, sempre que estava perto de competir em alguma olimpíada, dedicava uma hora a mais de estudo após a lição de casa para resolver questões. Por dividir a atividade com o pai, Arthur conta que achava tudo divertido e nem sentia o peso da competição.
“Acho que isso foi uma coisa que me fez ver que essas provas não precisavam ser um estudo chato, uma atividade exaustiva, podia ser uma diversão. Por isso que, quando eu tenho que passar muito tempo estudando, me esforçando muito para alguma coisa, não vejo isso como algo exaustivo”, afirma.
Desde que começou a dedicar parte da rotina de estudos às provas, Arthur já participou de olimpíadas de Matemática, Física, Astronomia, Informática e Economia – nesta última categoria, já havia conquistado medalha de bronze, em 2024, e de prata, em 2025. O ouro deste ano, conta, vem para coroar sua trajetória.
“Eu fico muito feliz de agora ter chegado a minha vez, e ainda mais de conseguir trazer esse resultado e conseguir trazer esse orgulho para o meu país, para o meu Estado e para a minha escola”, destaca.
Estudante sonha em cursar engenharia no MIT
Segundo Arthur, a maturidade e a experiência das demais provas foram fundamentais para alcançar os bons resultados, além da preparação específica para a prova elaborada pela escola.
O estudante ainda ressalta que a economia é uma área de expertise do Brasil, que também conquistou índices importantes nas outras edições da Olimpíada. “Na economia, o Brasil já foi campeão mundial cinco vezes”, enumera.
Para quem deseja participar das próximas edições da Olimpíada, Arthur reforça: mais do que se dedicar a conceitos complexos, é importante revisar os conteúdos básicos e “fazer um arroz com feijão bem feito”.
“As Olimpíadas, no geral, cobram os conceitos mais avançados, claro. Mas a grande maioria das questões é de conceitos básicos, dos conceitos simples. Eles querem testar se você sabe aquilo. Só o fato de você ter isso garantido, forte, fresco na sua cabeça ajuda muito”, aponta.
Animado com a conquista da IEO, Arthur agora se prepara para, no ano que vem, focar no vestibular e começar a perseguir um novo sonho: fazer Engenharia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, um dos principais centros de estudos na área de exatas do mundo. Depois disso, a vontade do garoto é trabalhar, como o pai, no setor financeiro.
“Mas mais importante que isso tudo, o meu maior sonho é causar um impacto”, afirma o jovem. “Chegar no fim da minha vida, olhar pra trás e pensar que, no final, eu tive um efeito positivo no mundo”, conclui.