Se você está descobrindo a colagem artística agora, volte um link para conhecer a origem dessa técnica e entender como artistas contemporâneos têm se apropriado dela em trabalhos que utilizam bem mais que cola, tesoura e papel. Feito o exercício, é possível que queira colocar o conhecimento em prática, e pensando nisso, convidamos três artistas visuais para darem dicas de como começar.
“Eu sempre digo que colagem é uma arte muito democrática, você não precisa saber pintar nem desenhar, nem nada dessas técnicas. Minha dica é realmente brincar. A colagem está ligada com esse jogo de composição, recorte, vira, cola, tem que brincar mesmo como se fossem peças de um jogo”, introduz a gaúcha Manuela Eichner.
O cearense Célio Celestino partilha uma sensação semelhante ao afirmar que a técnica se distancia um pouco do que as pessoas chamam de dom. “O passo a passo é querer se expressar. Você deve apenas desenvolver um mínimo de habilidade motora para recortar papel e na sequência desenvolver encontros inusitados”, avalia.
Conversar com artistas dessa área, mesmo nas redes sociais, segundo ele, é muito interessante, e quase sempre são todos bastante receptivos. “Eu mesmo adoro dialogar sobre colagem, é desse diálogo que nós artistas crescemos enquanto seres expressivos e artísticos. A pessoa precisa de imagens impressas, papel, tesoura, cola e acionar a imaginação”, detalha.
Também cearense, Ma Njanu orienta que, antes de tudo, é preciso consentir. “Se deixar levar, permitir, acreditar na força de uma brincadeira. Criar intimidade consigo mesme ao ponto de dizer: eu quero, eu posso. Então partir para as matérias-primas e técnicas”, pontua.
De acordo com ela, qualquer material da casa pode ser um ponto de partida para colar. Papéis rasgados, amassados, uma memória, objetos tridimensionais etc. “Algo importante é também conhecer o trabalho de quem já veio antes, mas sem esquecer que somente você é capaz de colar como só você sabe. A arte nunca pede além do que possamos dar: a entrega”, atenta.
Experiências compartilhadas
A universitária Caroline Bento, 20 anos, e o psicólogo Má Neto, 25 anos, escolheram se aventurar pelo universo da colagem em cursos recém-ofertados pela Escola Porto Iracema das Artes, em Fortaleza. Os dois já tinham experiências anteriores com essa linguagem, mas se viram atraídos pelas atualizações constantes da técnica.
Com Manuela Eichner, Caroline exercitou a colagem com plantas. “É uma experiência de reconexão, tanto a prática do fazer manual, quanto esse retorno ao contato com a natureza.Sou estudante de Geografia e por conta disso, sempre me questiono sobre a relação sociedade e natureza. O curso me proporcionou refletir sobre essas questões a partir da colagem”, observa a universitária.
No caso de Má Neto, que participou de uma formação com a artista Ma Njanu, o processo de deturpar a mensagem foi uma das coisas que mais lhe atraiu nessa técnica. “Isso é muito interessante, principalmente para quem contesta, para quem quer rever, para quem quer fabricar uma outra memória, uma outra imaginação, então colagem é bom pra isso, como exercício de imaginação, só que ela é construída, ela é ativa, uma imaginação feita”, define.
Ambos pretendem dar continuidade aos experimentos daqui para frente. Caroline, porque identifica na colagem uma maneira de encontrar detalhes (peças) para compor o nosso próprio olhar a respeito do mundo, da natureza, da sociedade em si; e Má, porque acredita que esse é um processo que vem acompanhando o nosso jeito de ser humanidade há muito tempo. “Tudo isso me inspira a querer continuar e a querer repensar, criar, deturpar algumas margens, algumas coisas. A pensar afeto, amor, outros mundos. É assim que pretendo seguir”, diz.
E se as experiências acima também te contagiaram, a dica final é conferir os trabalhos de alguns artistas selecionados por Ma Njanu, Célio Celestino e Manuela Eichner. Segue lá:
Rosana Paulino, Nino Cais, Caco Neves, Thais Silva, Zé Vicente e sociedadebrdecolagem