União tinha pedido bloqueio de ponte em Limeira em 2024
No sábado (14), Maria Eduarda de Freitas morreu após ser lançada sem cordas do local.
A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), já havia solicitado à prefeitura de Limeira, em São Paulo, que bloqueasse o acesso de pessoas à Ponte do Esqueleto, local onde Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após um salto de rope jump, no último sábado (13).
A jovem não resistiu aos ferimentos e morreu após ser lançada sem cordas de uma altura de cerca de 40 metros, o equivalente a um prédio de 12 andares. Estrutura viária da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA), a Ponte do Esqueleto nunca foi concluída e está desativada há anos, servindo como um ponto turístico informal.
No dia do acidente, a prefeitura de Limeira acusou o governo federal de omissão e disse que entrará na Justiça contra o Executivo, a quem atribuiu a responsabilidade exclusiva pela fiscalização, manutenção e controle de acesso ao local. Em nota, a prefeitura informou que, desde 2025, vinha cobrando providências junto aos órgãos federais.
Segundo a SPU, no entanto, o bloqueio de acesso à ponte foi solicitado para as prefeituras de Limeira e Cordeirópolis em 2024, quando ocorreu outro acidente fatal envolvendo uma ciclista. "Em 2024, em função dessa parceria, a ponte foi bloqueada por alguns meses. Posteriormente, a reabertura foi discutida e defendida por empresários locais em sessão na Câmara de Vereadores de Limeira", diz a nota do órgão.
Para a SPU, os poderes públicos precisam decidir, de forma conjunta, o futuro da Ponte do Esqueleto. "Entendemos que os poderes públicos de todos os níveis precisam, imediatamente, juntar esforços para evitar de forma definitiva o acesso à ponte do Esqueleto e coibir atividades ilegais", diz a nota do governo federal.
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Fiscalização
O advogado Arthur Rollo, ex-secretário nacional de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, disse em entrevista à TV Brasil que o acesso à Ponte do Esqueleto é responsabilidade da União, mas que o município é que deveria controlar e autorizar as atividades de lazer no local. A responsabilidade, portanto, deveria ser compartilhada entre os entes federativos e a empresa prestadora de serviço, que não tinha qualificação ou preparo para realizar a atividade de rope jump.
"A responsabilidade, nesse caso, é solidária, ou seja, simultaneamente da União e da prefeitura de Limeira porque a área é federal e, sendo federal, caberia à União fazer a sua gestão. E, de outro lado, caberia também à prefeitura de Limeira fazer a fiscalização de empresas e profissionais que atuam naquela área e não têm alvará para atuar e não tem licença ou qualificação técnica para atuar", disse.
Relembre o caso
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu no último sábado (13) após ser arremessada da Ponte do Esqueleto sem estar presa a uma corda de segurança. O salto era parte de uma atividade de um esporte radical chamado rope jump, ou salto de corda, em que o praticante salta de locais elevados como pontes, viadutos ou penhascos, preso a cordas.
O esporte foi criado por Dan Osman, que morreu em 1998 após a corda de segurança ter falhado enquanto ele praticava a atividade no Parque Nacional de Yosemite, nos Estados Unidos.
Após a morte de Maria Eduarda, três homens foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual. Ainda no sábado (14), a Justiça converteu a prisão deles para preventiva.