‘Super’ El Niño no Brasil pode causar ondas de calor, incêndios florestais e chuvas intensas

Fenômeno climático será acompanhado mensalmente pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
12 de Julho de 2026 - 21:58
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Legenda: Aumento de temperaturas pode acarretar em ocorrências de ondas de calor e incêndios florestais, especialmente no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do País.
Foto: Alex Pimentel / SVM.

O Brasil está se preparando para enfrentar, pelo menos até o começo de 2027, uma versão “muito forte” do El Niño, fenômeno climático que deve influenciar no regime de chuvas e temperaturas em diversas partes do mundo. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ao lado de outras instâncias do Governo Federal, passou a monitorar a evolução e os possíveis impactos do fenômeno no País, com a publicação mensal de boletins. 

A versão mais forte do fenômeno vem sendo popularmente tratada por “super” El Niño. O boletim do Painel El Niño 2026-2027, demonstra que o aquecimento do oceano tem sido progressivo.

A possibilidade é que a temperatura da superfície do mar ultrapasse 2°C acima da média histórica, potencializando os efeitos já conhecidos do El Niño. Os mesmos estudos indicam que ele deve permanecer “muito forte” até o começo de 2027.

No primeiro boletim do Inmet, publicado no final de junho, foi apontado que a previsão climática para o terceiro trimestre de 2026 é de chuvas acima da média nas regiões Sul, enquanto o volume de precipitações no Norte, Nordeste e Centro-Oeste deve ser abaixo da média

Em relação à temperatura, em todo o Brasil as previsões são de valores acima da média por todo o segundo semestre, o que pode acarretar em ocorrências de ondas de calor e incêndios florestais, especialmente no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do País.

Confira previsão de cenários climáticos por região

  • Norte: chuvas abaixo e temperaturas acima da média, com redução da umidade do solo e elevado risco de deficiência hídrica; cenário traz possíveis prejuízos às pastagens, culturas perenes e agricultura familiar;
  • Nordeste: chuvas abaixo e temperaturas acima da média, com favorecimento na colheita do feijão de terceira safra em áreas mais avançadas, mas comprometimento de cultivos em desenvolvimento e redução de disponibilidade hídrica;
  • Centro-Oeste: aumento de temperaturas pode impactar na saúde hídrica, mas com condições favoráveis à colheita do milho segunda safra, algodão e cana-de-açúcar;
  • Sudeste: chuvas dentro da média, o que tende a beneficiar culturas de inverno, e cenário favorecido para colheita de café caso as chuvas retornem após o período seco; temperaturas elevadas impactam no aumento de doenças e na aceleração do ciclo das culturas;
  • Sul: chuvas acima da média, com favorecimento de culturas de inverno, mas excesso de umidade pode aumentar a incidência de doenças fúngicas.

Orientações ao poder público e população

Conforme a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), é recomendado que Estados e municípios revisem os planos de contingência e fortaleçam sistemas de monitoramento e alerta para lidar com a intensificação do El Niño.

A pasta ressalta a importância da articulação entre órgãos de Defesa Civil, recursos hídricos, meio ambiente, saúde e assistência social nos entes.

A orientação à população é a de seguir avisos oficiais e atualizar o cadastro para recebimento de alertas da Defesa Civil, como forma de poder agir conforme as necessidades dos cenários.

O que é o El Niño?

O fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que muda a circulação da atmosfera, influenciando o regime de chuvas e temperaturas em vários países

No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região, mas costumam afetar a porção Centro-Norte com estiagem e a Centro-Sul com excesso de chuva

Apesar de já conhecido no País, o El Niño teve confirmação de evolução a partir de estudos e projeções de centros de estudos internacionais. 

Os boletins mensais de monitoramento do El Niño são uma iniciativa do Inmet em parceria com as seguintes entidades:

  • Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe);
  • Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA);
  • Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden);
  • Serviço Geológico do Brasil (SGB); e 
  • Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).