O que se sabe sobre as ventanias que afetam Sul e Sudeste do Brasil

Ciclone-bomba se afasta do continente, mas combinação com frente fria mantém ventos fortes e deixa o mar agitado.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
08 de Agosto de 2026 - 14:19
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Legenda: Ventos de até 90 km/h ainda podem ser registrados neste sábado (8).
Foto: Worldview/Nasa

O ciclone-bomba que atingiu o Centro-Sul do Brasil nos últimos dias já se afastou do continente e avança pelo Oceano Atlântico neste sábado (8).

Mesmo distante da costa, o sistema ainda influencia as condições atmosféricas no Sul e no Sudeste, mantendo uma área de ventos fortes e contribuindo para a agitação do mar.

A passagem do sistema foi marcada por rajadas superiores a 120 km/h, queda de árvores e estruturas, destelhamentos e interrupções de serviços no Sul do País

No Rio Grande do Sul, uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas durante os eventos de tempo severo registrados na sexta-feira (7). Até aquela noite, 114 municípios haviam comunicado danos em casas e infraestruturas públicas. 

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Segundo órgãos meteorológicos, o episódio também esteve associado à ocorrência de um tornado em Pedro Osório (RS), onde uma casa foi atingida e teve o telhado destruído.

Segundo a Defesa Civil, o tornado foi um fenômeno localizado e ocorreu em uma área não urbanizada.

Por que os ventos ficaram tão intensos?

O fenômeno começou com a formação de um ciclone extratropical entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul. O sistema se intensificou rapidamente enquanto avançava em direção ao Atlântico.

A expressão “ciclone-bomba” é usada quando uma área de baixa pressão sofre uma queda muito rápida de pressão em seu centro.

Esse processo faz o sistema se aprofundar e pode aumentar a intensidade dos ventos e de outros fenômenos associados.

Mesmo depois de se afastar do continente, o ciclone continua influenciando a atmosfera próxima à costa.

sso ocorre, entre outros fatores, por causa da diferença de pressão entre o oceano e as áreas continentais, que acelera o deslocamento do ar e favorece rajadas mais fortes.

A atuação do ciclone também ocorre em conjunto com uma frente fria, responsável pela entrada de ar mais frio e pela formação de áreas de instabilidade. O encontro entre o ar frio e uma massa de ar mais quente contribui para a ocorrência de chuva forte, raios e ventos intensos.

Apesar de o ciclone estar no centro do episódio, os impactos registrados no Sul não podem ser atribuídos exclusivamente ao sistema.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, o mau tempo foi resultado de uma combinação de fatores atmosféricos, incluindo a passagem da frente fria e a formação de instabilidades.

O próprio ciclone não passou diretamente sobre os estados mais afetados: seus efeitos ocorreram de forma indireta, por meio da dinâmica atmosférica associada ao sistema que avançou pelo oceano.

Essa combinação ajuda a explicar por que um mesmo episódio pode produzir diferentes fenômenos em uma área extensa.

Além das rajadas, foram registrados temporais, queda de árvores, destelhamentos, tornado e queda acentuada de temperatura.

O que acontece com o mar?

A circulação de ventos associada ao sistema deixa o mar agitado, com ondas que podem atingir cerca de 2,5 metros no Sul neste sábado e avançar em direção às costas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

No domingo (9), as ondas podem ficar entre 2 e quase 3 metros em áreas do Sul e do Sudeste. A agitação marítima está relacionada à atuação do ciclone e de outro sistema de baixa pressão sobre o Atlântico Sul.

Esse comportamento mostra que os efeitos de um sistema atmosférico intenso não ficam restritos às áreas onde há chuva ou vento em terra.

A circulação atmosférica também interfere nas condições do oceano, alterando a dinâmica das ondas e deixando a navegação e atividades costeiras mais vulneráveis.

Na sexta-feira (7), por exemplo, o Porto de Santos foi fechado para navegação devido às condições meteorológicas, e travessias de balsa também chegaram a ser interrompidas.

Por que a frente fria aumenta os impactos?

A frente fria funciona como uma espécie de zona de transição entre massas de ar com características diferentes.

Neste episódio, o avanço do ar frio encontra uma atmosfera que ainda estava sob influência de temperaturas mais elevadas. Essa diferença favorece movimentos mais intensos do ar e pode contribuir para a formação de nuvens carregadas e tempestades.

No Sudeste, por exemplo, os maiores impactos não estão necessariamente relacionados à passagem direta do ciclone, mas à combinação entre a frente fria, a diferença de pressão e o contraste entre o ar quente e o ar frio.

Por isso, mesmo com o ciclone se afastando, as condições atmosféricas ainda permanecem instáveis em áreas do Centro-Sul.

O que acontece agora?

Com o ciclone se afastando para o Atlântico, a tendência é de redução gradual da intensidade dos ventos sobre o continente. Ainda assim, a frente fria mantém condições de instabilidade em partes do Sul e do Sudeste.

Neste sábado, rajadas ainda podem chegar a 90 km/h em pontos do Paraná e de Santa Catarina e a cerca de 70 km/h em áreas de São Paulo. A previsão também indica chuva forte e risco de temporais em estados do Sul e em São Paulo.

No oceano, porém, a agitação permanece por mais tempo. As ondas devem continuar elevadas ao longo do fim de semana, enquanto o sistema se desloca para alto-mar.

Assim, o episódio entra em uma fase de perda gradual de intensidade sobre o continente, mas seus efeitos ainda podem ser sentidos na atmosfera e no oceano nos próximos dias.