Dr. Jairinho é indiciado por tortura contra filha de ex-namorada

Avó e mãe da criança relataram caso em inquérito sobre a morte de Henry Borel

Dr. Jairinho em meio a multidão enquanto é preso por morte de Henry Borel
Legenda: Jairinho afirmou que ele e a filha da ex tinham relação "amistosa", sem "grau de intimidade".
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foi indiciado pelo crime de tortura contra a filha de uma ex-namorada dele. A mãe e a avó da criança relataram o caso ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) em inquérito que apura a morte de Henry Borel, 4 anos. As informações são do jornal O Globo.

Os termos de declaração das duas mulheres, testemunhas do inquérito, foram encaminhados à Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), na qual outros procedimentos investigativos foram abertos. A menina, ouvida na DCAV, confirmou as violências, e um pedido de prisão preventiva foi feito contra o parlamentar, investigado por agredir três crianças.

A criança é filha de uma cabeleireira que conheceu Jairinho em 2010 e manteve relacionamento com ele até 2014, chegando a ficar noiva do médico. Atualmente com 13 anos, a menina disse que teve a cabeça colocada contra a parede do box de um banheiro por parte do então padrasto. Ela também afirmou que chegou inclusive a ser pisada por Jairinho no fundo de uma piscina para que não conseguisse emergir e respirar.

Também ouvida pelos investigadores, a avó da criança afirmou que Jairinho deu uma versão diferente sobre um machucado na testa da neta. O vereador teria dito que o ferimento fora provocado por uma batida no console do carro após uma frenagem brusca a caminho de um shopping.

A avó, em outra ocasião, disse que a garota chegou com o braço imobilizado. Jairinho, na ocasião, disse que ela tinha se lesionado durante aulas de judô — fato não lembrado pelo professor da academia em depoimento.

Ela acrescentou que estranhou o comportamento da neta, que teria lhe agarrado e pedido, enquanto chorava e vomitava, que não a deixasse sair sozinha com Jairinho.

A criança admitiu as agressões sofridas oito meses depois, ao assistir a um programa de  televisão que abordava casos de violência doméstica.

Jairinho se defendeu das acusações

Após ser preso no dia 8 de abril, devido à morte do enteado, Jairinho prestou depoimento ao delegado Adriano Marcelo Firmo França, titular da DCAV, negando as acusações feitas pela ex-namorada. Em relação à filha da cabeleireira, o vereador afirmou que eles tinham relação "amistosa", sem "grau de intimidade".

Jairinho também negou ter saído sozinho com a criança ou a levado a qualquer lugar com piscina, contestando informações sobre ter torcido o braço dela, dado "mocas" na cabeça da criança e colocado um saco em seu rosto para tentar sufocá-la.

Outro caso de violência infantil

O filho de outra mulher com quem Jairinho se relacionara, a estudante Débora Melo Saraiva, também foi ouvido pela DCAV. A estudante começou relacionamento com o vereador em 2014, dizendo ter ficado com ele durante seis anos entre idas e vindas — o parlamentar era casado com a dentista Ana Carolina Ferreira Netto, mãe de dois dos seus três filhos, nessa época.

Agora com oito anos, o filho de Débora disse que o vereador colocou um papel e um pano em sua boca, avisando que a criança não poderia engoli-los. Jairinho também teria deitado o menino em um sofá de sua casa em Magaratiba e pisado no corpo dele após subir no móvel.

Em outra ocasião, o menino torceu o joelho enquanto estava sozinho com o vereador. Jairinho disse, em ligação, que a criança torcera o joelho e médicos de uma clínica partiular atestaram uma fratura no fêmur. Débora disse estranhar o fato de o filho não chorar em razão da lesão, grave, em momento algum.

O advogado Braz Sant’Anna, que representa a defesa de Jairinho, comunicou que não irá se pronunciar sobre os procedimentos instaurados pela DCAV.

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