Bolsonaro diz que China liberou insumos para produção da CoronaVac no Brasil

Lote de 5,4 mil litros de insumos para a vacina deve chegar ao País nos próximos dias

Foto: Miguel Schincariol/AFP

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (25) que o governo foi informado por autoridades chinesas de que insumos para a fabricação da CoronaVac devem chegar ao Brasil nos "próximos dias".

"A Embaixada da China nos informou, pela manhã, que a exportação dos 5,4 mil litros de insumos para a vacina CoronaVac foi aprovada e já estão em área aeroportuária para pronto envio ao Brasil, chegando nos próximos dias", escreveu o presidente no Facebook.

"Assim também os insumos da vacina AstraZeneca que estão com liberação sendo acelerada. Agradeço a sensibilidade do Governo chinês, bem como o empenho dos ministros Ernesto Araújo [Relações Exteriores], Eduardo Pazuello [Saúde] e Tereza Cristina [Agricultura]".

Em um vídeo publicado no perfil do ministro Onyx Lorenzoni (Cidadania), Pazuello diz que os insumos para a CoronaVac devem chegar ao Brasil até o final da semana.

"A previsão de chegada dos insumos no Brasil é até o final desta semana, garantindo com isso a continuidade da fabricação e distribuição da vacina", afirma o titular da Saúde, que está em Manaus para mostrar reação do governo diante da crise de falta de oxigênio para tratamento da Covid-19 nos hospitais da cidade.

A CoronaVac é desenvolvida por uma farmacêutica chinesa e no Brasil é produzida pelo Instituto Butantan, vinculado ao governo de São Paulo.

Guerra da vacina

O imunizante está no centro da chamada "guerra da vacina" entre o governador do estado, João Doria (PSDB), e Bolsonaro. Ao longo do ano passado, o presidente atacou a CoronaVac em mais de uma ocasião, disse que ela não transmitia confiança e garantiu que o governo não a compraria.

Mas a pressão de governadores e as críticas de falta de planejamento da campanha brasileira de imunização levaram o Ministério da Saúde a anunciar a compra de 100 milhões de doses da vacina.

Bolsonaro vinha apostando na vacina desenvolvida pela universidade de Oxford em parceria com a empresa AstraZeneca, que no Brasil será produzida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Após uma tentativa do governo de importar 2 milhões de doses da Oxford/AstraZeneca ter atrasado, a imunização no País começou no último dia 17 em São Paulo, numa ação capitalizada por Doria e sentida como derrota política pelo Palácio do Planalto. Tanto a CoronaVac quanto a Oxford/AstraZeneca estão com seus cronogramas ameaçados por dificuldades de acessar matérias-primas fabricadas na China.

Nos últimos dias, Doria e ministros do governo fizeram apelos a autoridades chinesas para que os IFAs (Ingrediente Farmacêutico Ativo) que estavam retidos no país asiático fossem liberados.

O histórico de ofensas à China de aliados do presidente brasileiro — entre eles seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub — foram apontados como obstáculos para a luz verde de Pequim. Além disso, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tem péssima interlocução com a missão diplomática chinesa em Brasília, outro empecilho para as negociações.

Diante do risco de atraso no cronograma de produção do Butantan, o governo mobilizou ministros que têm boas relações com a China para tentar agilizar os trâmites exigidos por Pequim. O argumento das autoridades brasileiras é que os problemas para a liberação dos insumos eram técnicos e que não havia qualquer componente político na demora registrada.

Em paralelo, Doria também iniciou gestões com a embaixada chinesa, tendo pedido ao ex-presidente Michel Temer que conversasse com a missão diplomática em Brasília.

O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, comentou o anúncio feito por Bolsonaro nas redes sociais.
"A China está junto com o Brasil na luta contra a pandemia e continuará a ajudar o Brasil neste combate dentro do seu alcance. A união e a solidariedade são os caminhos corretos para vencer a pandemia", escreveu o diplomata.

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