O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, enviou uma carta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em resposta às recentes tratativas entre o parlamentar brasileiro e o governo norte-americano. As informações são do g1.
No documento, datado da última terça-feira (23), Rubio reforça o compromisso dos Estados Unidos em classificar como terroristas as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
"Ao visar suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o americano do crime organizado transnacional", diz o texto.
Em outra parte da carta, Rubio responde à uma correspondência escrita por Flávio no iníco de junho, em que é feito um pedido para que o governo Trump poupe o Brasil da nova proposta de tarifaço de 25%.
Sobre isso, Rubio afirma que o representante comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, "deixou claro" que os dois países continuam tendo "diferenças substanciais" sobre a conclusão da investigação comercial contra o Brasil.
"Essas questões dizem respeito ao comércio digital, aos serviços de pagamentos eletrônicos, às tarifas preferenciais injustas, à aplicação das medidas anticorrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal", escreveu.
Ao fim do texto, Rubio também fez menção às eleições brasileiras e citou o "otimismo" de Flávio quanto ao pleito. "Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar em cooperação com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro a fim de buscar um quadro de comércio e investimento abrangente, justo e mutuamente benéfico", disse.
"Aguardo com expectativa a continuidade do nosso diálogo e o aprofundamento da parceria estratégica entre as nossas duas grandes nações. Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil", finaliza o texto.
Entenda pedido de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos
Em 2 de junho, Flávio Bolsonaro escreveu uma carta endereçada à Marco Rubio em que solicita um recuo por parte do governo Donald Trump com relação às taxações ao Brasil.
Com argumento, o senador citou uma suposta crise econômica e afirmou que o Brasil vive uma "grave deterioração fiscal". Em nenhum momento, porém, Flávio apresenta uma prova concreta dos problemas descritos por ele no documento.
"Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil”, diz Flávio em trecho do ofício.
Também na carta, Flávio afirma estar convicto que será o futuro presidente do Brasil e ainda coloca à disposição para negociar um "amplo acordo de comércio e investimentos" entre os dois países no futuro.