Lifting facial é seguro? Especialista explica o que é a cirurgia e quais os riscos do procedimento

Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta que a cirurgia é considerada invasiva, de grande porte e de alta complexidade.

Escrito por Raísa Azevedo raisa.azevedo@svm.com.br
19 de Agosto de 2026 - 15:40 (Atualizado às 16:18)
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Legenda: Cirurgia reposiciona a pele, os tecidos e os músculos profundos do rosto para chegar ao resultado de uma pele com aspecto mais jovem e rejuvenescido.
Foto: Anna Zhukkova/Shutterstock.

O lifting facial, procedimento estético para tratar o envelhecimento e a flacidez do rosto e pescoço, virou alvo de discussão recentemente sobre a segurança e potenciais riscos da cirurgia.

A repercussão acerca do procedimento ganhou força após o caso do empresário de 45 anos, que morreu, na tarde dessa terça-feira (18), durante uma cirurgia plástica de face lifting realizada na clínica Michele França, no bairro Meireles, em Fortaleza. A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) investiga as circunstâncias do ocorrido.

O processo cirúrgico, no entanto, não envolve apenas a pele. Nele, os tecidos e os músculos profundos do rosto são reposicionados para alcançar o resultado cirúrgico planejado, conforme explica o dermatologista Guilherme Holanda, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional Ceará (SBD-CE).

Mas quem pode fazer lifting facial? Quais profissionais e locais são adequados para realizar o procedimento? Como se preparar para a cirurgia?

Em entrevista ao Diário do Nordeste, o especialista esclarece como funciona, para quem é indicado e os processos envolvidos para a realização segura da cirurgia estética, que viralizou nas redes sociais e caiu no gosto de famosos como Solange Almeida, Anitta, Maya Massafera e Andressa Urach.

Antes de realizar qualquer cirurgia invasiva, especialmente aquelas envolvendo o rosto como o lifting facial, é importante estar atento a alguns detalhes. Para te ajudar a entender a complexidade do procedimento, o DN preparou um guia sobre o assunto. Confira a seguir: 

O que é o lifting facial e como ele é feito?

Cirurgia é indicada para quem tem flacidez moderada a avançada e marcas profundas no rosto.
Legenda: Cirurgia é indicada para quem tem flacidez moderada a avançada e marcas profundas no rosto.
Foto: PeopleImages/Shutterstock.

O lifting facial ou face lifting é uma cirurgia feita no rosto e no pescoço para tratar o envelhecimento e a flacidez. Nele, o médico precisa reposicionar os tecidos e os músculos profundos do rosto para chegar ao resultado de uma pele com aspecto mais jovem e rejuvenescido.

Segundo o dermatologista Guilherme Holanda, trata-se de uma cirurgia invasiva de grande porte e de alta complexidade.

O profissional explica que o procedimento começa com incisões muito bem planejadas na região ao redor das orelhas e couro cabeludo, posicionadas de forma estratégica para esconder as cicatrizes.

O médico-cirurgião faz o descolamento da pele para trabalhar na camada profunda da face, chamada de Sistema Musculoaponeurótico Superficial (SMAS). É essa estrutura muscular e gordurosa profunda que precisa ser tracionada e reposicionada, pois é ela que sustenta o rosto”.
Guilherme Holanda
Dermatologista e presidente da SBD-CE

Ele destaca que, durante todo esse processo de descolamento da pele, tecidos e músculos, o médico precisa ter um domínio anatômico absoluto para preservar vasos sanguíneos importantes e, principalmente, os ramos do nervo facial, que são responsáveis por toda a movimentação expressiva do rosto. 

“Após o reposicionamento dessa estrutura profunda, o excesso de pele é retirado delicadamente e a região é suturada em camadas, sem esticar a pele em excesso para evitar um aspecto artificial. Por envolver corte de tecidos, sangramento e manipulação de nervos, é um procedimento minucioso que exige ambiente cirúrgico e equipe especializada”, sublinha o médico.

Quais são os tipos de lifting? Todos são cirúrgicos? 

Conforme a literatura médica, existem cirurgias menores, para áreas específicas, como pescoço ou bochechas, e cirurgias mais complexas.

Sobre o procedimento, o dermatologista é enfático: o lifting verdadeiro, que corta, estica e trata a flacidez grave, é sempre cirúrgico.

Guilherme Holanda cita que, em consultório, podem ser feitos processos não cirúrgicos, que também promovem o rejuvenescimento da pele, como fios de sustentação ou ultrassom microfocado.

Ele destaca que, embora esses procedimentos proporcionem um efeito de firmeza, eles não substituem a cirurgia quando há muita sobra de pele ou flacidez excessiva.

Para quem o procedimento é indicado?

Para quem tem flacidez moderada a avançada, perda do contorno do rosto ou marcas profundas que não melhoram mais com tratamentos simples de consultório.

Segundo o profissional, depende muito mais da avaliação do estado da pele e da saúde do paciente do que da idade por si só. Por isso, é essencial uma avaliação individualizada com o médico especialista.

Como se preparar para fazer face lifting? Quais exames fazer antes? 

Como qualquer cirurgia, o lifting facial exige um preparo rigoroso. O dermatologista indica fazer exames de sangue completos, eletrocardiograma e uma avaliação de risco cardíaco.

Se houver sedação ou anestesia, a consulta prévia com o anestesista é indispensável. 

O paciente também precisa parar de fumar semanas antes e suspender remédios que aumentem o risco de sangramento.

Quais os riscos do lifting facial?

Por ser uma cirurgia invasiva, existem riscos locais e riscos sistêmicos graves como:

Riscos locais e cirúrgicos

  • Sangramentos;
  • Hematomas extensos;
  • Acúmulo de líquidos (seroma);
  • Infecções; e
  • Cicatrizes inestéticas.

Como a anatomia da face é extremamente complexa, o desconhecimento das estruturas profundas pode causar lesão definitiva de nervos, levando à paralisia facial e perda de sensibilidade ou movimento.

Riscos da sedação e anestesia

A sedação atua no sistema nervoso central e exige monitoramento contínuo. Sem o suporte adequado, podem ocorrer complicações graves como:

  • Depressão respiratória e parada respiratória (quando o paciente para de respirar sozinho devido ao efeito dos sedativos);
  • Obstrução das vias aéreas e broncoaspiração;
  • Anafilaxia (reação alérgica grave e súbita aos anestésicos);
  • Instabilidade hemodinâmica, arritmias e parada cardiorrespiratória;
  • Tromboembolismo e colapso cardiovascular.

Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) reforçou que as cirurgias na face envolvem estruturas anatômicas complexas e exigem conhecimento aprofundado, avaliação pré-operatória, capacidade de diagnóstico e preparo para prevenir, reconhecer e tratar complicações.

Conforme a entidade, cirurgiões plásticos de todo o país têm recebido pacientes com infecções, necroses, deformidades permanentes e até lesões em estruturas vitais após procedimentos realizados por profissionais não médicos. "Casos graves podem resultar em sequelas permanentes e até mortes", alerta o órgão.

Qual profissional pode realizar a cirurgia? 

O lifting facial é uma cirurgia médica invasiva e complexa. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, ele deve ser feito exclusivamente por cirurgiões plásticos com Registro de Qualificação de Especialidade (RQE), cadastrado no Conselho de Medicina.

Além disso, se a cirurgia envolver qualquer tipo de sedação ou anestesia, é obrigatório ter na sala um médico anestesiologista, também com RQE, dedicado unicamente a cuidar dos sinais vitais e da respiração do paciente.

Guilherme Holanda ressalta que o processo precisa ser feito em ambiente adequado — hospital ou clínica com alvará específico para cirurgias e equipado para socorrer qualquer emergência. Essa estrutura inclui:

  • Monitores multiparamétricos;
  • Fonte central ou torpedos de oxigênio;
  • Equipamento para manuseio de via aérea difícil;
  • Desfibrilador/DEA;
  • Carrinho de emergência completo com medicações para reanimação. 

Em caso de intercorrência grave, a intervenção imediata e adequada de um profissional é determinante para preservar a vida do paciente e tratar complicações cirúrgicas.

Entregar um procedimento cirúrgico a profissionais sem essa formação médica ou em locais sem infraestrutura adequada ou sem plano estruturado para rápida remoção em UTI móvel colocam a vida do paciente em risco”.
Guilherme Holanda
Dermatologista e presidente da SBD-CE

Já o Conselho Regional de Odontologia do Ceará (CRO-CE) esclareceu, em comunicado, que a cirurgia estética orofacial, a exemplo do face lifting, é regulamentada no âmbito da Odontologia por norma do Conselho Federal de Odontologia (CFO), "que estabelece critérios específicos para a atuação profissional e para a realização dos procedimentos abrangidos pela regulamentação".

"A realização de procedimentos dessa natureza deve observar os requisitos e critérios estabelecidos na regulamentação vigente, considerando a formação, a habilitação e o registro profissional, bem como as demais condições técnicas e de segurança previstas para cada procedimento", diz a nota.

Por fim, o conselho orienta a população a verificar se o profissional está regularmente inscrito no Conselho Regional de Odontologia e se atende aos requisitos de habilitação e registro previstos para o procedimento que pretende realizar.

Como é a recuperação? 

O retorno às atividades normais costuma levar de duas a quatro semanas, sempre evitando sol e esforço físico, segundo as recomendações da SBD.

É um processo que exige paciência. Nos primeiros dias, há inchaço e o paciente precisa usar curativos compressivos e fazer repouso.

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