Mantendo viva uma tradição que atravessa décadas, as bordadeiras artesanais de Itapajé provam que não é preciso fugir de suas raízes para ganhar a vida. A atividade é uma das mais importantes na cidade, gerando emprego e renda para diversas famílias. Entre os nomes reconhecidos no trabalho, dona Maria Brioso é uma das mais antigas. Falar da história de vida dela, é falar da tradição dos bordados em Itapajé. Como Maria, centenas de mulheres, direta ou indiretamente, estão envolvidas nessa atividade que tem na qualidade e beleza das criações seu grande diferencial. Quando começou a se interessar pelo bordado, ainda com sete anos de idade, Maria Brioso lembra que praticamente todas as mulheres da região realizavam o trabalho. Época esta em que os bordados não tinham ainda um fim comercial, sendo produzidos para enxovais de casa. A técnica que a bordadeira diz ter aprendido com as tias, acabou se revelando com o tempo fonte de geração de renda para Maria já aos nove anos, quando fez sua primeira peça paga. Ainda na década de 1940, o bordado de Itapajé começa a se sobressair como atividade profissional e daí em diante a tradição não perdeu espaço, apesar de tantas mudanças no mercado de trabalho. Atualmente, é comum ver em Itapajé mulheres que se dividem entre outras atividades profissionais, mas têm no bordado uma atividade complementar. Mas o destaque maior são para aquelas que até hoje, mantendo uma tradição que passa de mãe para filha, se mantém somente com a atividade.
Na Associação das Bordadeiras Artesanais de Itapajé, por exemplo, cerca de 120 mulheres se revezam nas diferentes funções exigidas para a produção de um bom bordado. Corte, picote, risco, bordado, cordão, lavagem, engomado e venda. Trabalho este muitas vezes desconhecido dos próprios clientes finais do produto. Quem vê a beleza e perfeição dos acabamentos das peças, toalhas, bandejas, colchas, não imagina o longo processo. Segundo Maria, umas das peças maiores chega a demorar 15 dias para ser finalizado somente o bordado. Já os valores, variam de R$ 4,00 a R$ 106,00. Preços estes que agradam compradores de todo o País.
Maria Brioso, por exemplo, conta que hoje atende clientes em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro e anda correndo na Associação para dar conta de tudo. Além das encomendas, a bordadeira é convidada vip em diversas feiras pelo Estado e pelo Brasil. Ocasiões em que o artesanato de Itapajé não faz feio, mas que tem nas peças bordadas o seu maior destaque. Com encomendas e feiras, a quem pense que dona Maria não tenha mais tempo para mais nada. Engano. Contando sempre com o apoio da Central de Artesanato do Ceará (Ceart), ressalta Maria, ela ainda ministra cursos no Brasil e até em Cuba. A receita para tudo isso é a mais clichê, mas também a mais certa, “Tudo que faço é com muito amor”, confessa.
Cristiane Vasconcelos
enviada a Itapajé