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Ceará tem recorde de candidatos desde a redemocratização na eleição do 61º governador da história

29/09/2026 - 10:00

O pleito eleitoral de 2026 coloca o cargo de governador em disputa nas 27 unidades federativas. No Ceará, a corrida pelo Palácio da Abolição registra um recorde de candidatos desde a redemocratização, pelo menos. 

Ao todo, oito candidatos disputam o cargo de 61º governador da história do Ceará. O político escolhido comandará o Poder Executivo estadual por quatro anos, entre 2027 e 2030.

O vencedor é definido no 1º turno (primeiro domingo de outubro), caso consiga mais do que 50% dos votos válidos, descontando brancos e nulos. Já em caso de indefinição, a disputa segue para o 2º turno (último domingo de outubro), quando o ganhador é definido por maioria simples.  

6.998.494
eleitores aptos a votar no Ceará em 2026

Do eleitorado de quase sete milhões, 5.919.445 são obrigados a votar, enquanto 1.079.049 têm voto facultativo, ou seja, são eleitores entre 16 e 17 anos, analfabetos e os maiores de 70 anos.

Candidatos a governador do Ceará em 2026:

  • Ciro Gomes (PSDB)
  • Danilo Soares (Democrata)
  • Delegado Huggo Leonardo (Missão)
  • Elmano de Freitas (PT)
  • Ieri Braga (PCO)
  • Serley Leal (UP)
  • Vera Lúcia (Novo)
  • Zé Batista (PSTU)

Legenda: Palácio da Abolição é a sede do Poder Executivo no Ceará.
Foto: Fabiane de Paula/SVm.

O especial “Para entender os Poderes” é uma série de reportagens do PontoPoder sobre o funcionamento e outros aspectos da disputa pelos cargos que estão em jogo nas eleições gerais de 2026. O material envolve a Assembleia Legislativa do Ceará, o Palácio da Abolição, a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e o Palácio do Planalto.

Recorde de candidatos

Com oito postulantes, o Ceará atingiu o maior número de candidatos ao Governo do Ceará desde 1982, quando o Brasil iniciava o processo de redemocratização após mais de duas décadas de ditadura militar (1964-1985). 

A eleição direta para presidente só foi ocorrer em 1989. Contudo, antes da promulgação da Constituição de 1988, os estados realizaram pleitos diretos para o governo estadual.

Foi o caso do Ceará em 1982. À época, o comando do Palácio da Abolição foi disputado por três candidatos. Já a eleição de 1986 registrou 4 candidatos, consolidando a média histórica estadual a cada disputa.

6
média de candidatos ao Governo do Ceará por eleição

Histórico de 1º turno

Outra característica da corrida pelo Palácio da Abolição é o histórico da eleição para governador ser definida já no 1º turno.

Desde 1988, quando a Constituição Federal estabeleceu o segundo turno nas eleições, o Ceará passou por oito pleitos para eleger o chefe do Executivo estadual. Desse total, o governador do Ceará precisou de um segundo turno apenas em duas ocasiões: 2002 e 2014.

No primeiro caso, Lúcio Alcântara (à época, no PSDB) precisou do segundo turno para vencer a disputa, que começou com sete candidatos ao Executivo estadual. Já em 2014, Camilo Santana (PT) venceu a segunda fase da corrida eleitoral, que contou com quatro candidatos de início. 

Fora essas duas disputas, o histórico mostra a tendência da corrida pelo Governo ser resolvida na primeira rodada de votação. Foi o caso do atual governador Elmano de Freitas (PT), eleito no 1º turno em 2022.

O cenário da disputa

Em 2026, a disputa pelo Governo do Estado pode terminar no 1º turno, mas as pesquisas mostram um cenário embolado. Principais candidatos a partir dos dados, Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) aparecem tecnicamente empatados no levantamento mais recente da Quaest, divulgado em 23 de setembro. 

Conforme a segunda rodada da pesquisa, Ciro Gomes aparece com 43% das intenções de votos, seguido do atual governador Elmano de Freitas, que soma 41%. Os dois candidatos estão empatados dentro da margem de erro de 3 pontos percentuais. 

Na sequência, Delegado Huggo (Missão) e Vera Lúcia (Novo) registraram 1% cada. Danilo Soares (Democrata), Serley Leal (UP), Ieri Braga (PCO) e Zé Batista (PSTU) não pontuaram.

A Quaest também simulou um eventual segundo turno entre Ciro Gomes e Elmano de Freitas. No confronto, o tucano tem 45% das intenções de votos, enquanto o petista soma 42%. Há também um cenário de empate técnico. 

Ciro Gomes (PSDB); Danilo Soares (Democrata); Delegado Huggo Leonardo (Missão); Elmano de Freitas (PT); Ieri Braga (PCO); Serley Leal (UP); Vera Lúcia (Novo); e Zé Batista (PSTU).
Legenda: Ciro Gomes (PSDB); Danilo Soares (Democrata); Delegado Huggo Leonardo (Missão); Elmano de Freitas (PT); Ieri Braga (PCO); Serley Leal (UP); Vera Lúcia (Novo); e Zé Batista (PSTU).

Quem são os candidatos

Ciro Gomes (PSDB)

Ciro Ferreira Gomes tem 68 anos e voltou a se filiar ao PSDB em 2025. Presidente estadual da legenda, Ciro faz parte da Família Ferreira Gomes, nome ligado à política cearense, principalmente ao município de Sobral, no interior do Estado.

Além de deputado estadual e federal, Ciro chegou a ser prefeito de Fortaleza. Ele também foi ministro da Fazenda na gestão de Itamar Franco, da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) durante o primeiro governo Lula (PT) e secretário estadual da Saúde (SESA) no Governo Cid Gomes (PSB).

O ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União), é o candidato a vice-governador na chapa de Ciro. O político é médico sanitarista e ex-deputado estadual, chegando a ser presidente da Assembleia Legislativa do Ceará. 

Danilo Soares (Democrata)

Natural de Crateús, no Sertão cearense, Danilo Soares Sousa, de 31 anos, é advogado sem ocupação complementar declarada à Justiça Eleitoral. Ele é filiado ao Democrata há cerca de seis meses. 

Em 2016, Danilo foi a Sobral, na região Norte do estado, para fazer graduação em Direito. O curso foi concluído em 2022, após uma nova mudança de endereço, dessa vez para Fortaleza. Seu campo de atuação é no Direito do Trabalho, com pós-graduação na área.

O administrador Eryck Veloso é o candidato a vice-governador na chapa do Democrata. Ele tem 54 anos, é natural de Fortaleza e nunca concorreu a cargo eletivo. 

Delegado Huggo Leonardo (Missão)

Huggo Leonardo de Lima Anastácio tem 37 anos, é casado e pai de dois filhos. É natural de Fortaleza, mais especificamente do bairro Vicente Pizón, onde nasceu e cresceu. 

Em 2017, concluiu a graduação em Direito e já engatou uma especialização em Direito Processual Civil, finalizada no ano seguinte. Além de delegado da Polícia Civil, tem experiências profissionais como policial militar, técnico judiciário e assessor no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), entre 2015 e 2018.

O programador Felipe Moreira foi oficializado como candidato a vice-governador na chapa de Delegado Huggo. O político tem 35 anos e é natural de Fortaleza.

Elmano de Freitas (PT)

Candidato à reeleição, o governador Elmano de Freitas da Costa tem 56 anos e é filiado ao PT desde 1989. O político é natural do município de Baturité. 

Elmano já atuou na Rede Nacional de Advogados Populares (Renap) e na defesa jurídica do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O petista já foi deputado estadual, líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) e secretário de Educação em Fortaleza.

A candidata a vice-governadora na chapa de Elmano é a atual vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar, do PSD. Ela é médica e ex-deputada estadual. 

Ieri Braga (PCO)

Natural de Cuiabá, no Mato Grosso do Sul, Ieri de Sousa Braga Júnior, de 37 anos, é químico e servidor público da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Também atuou como diretor do Sindicato dos Trabalhadores da instituição e da Secretaria de Formação Política. Em 2022, concorreu a deputado federal pelo Distrito Federal (DF), mas não foi eleito.

O PCO oficializou o nome de Laerte Silva como candidato ao cargo de vice-governador na chapa de Ieri. Natural de Fortaleza, o político tem 58 anos e é técnico em informática.

Serley Leal (UP)

Serley de Souza Leal, de 44 anos, ingressou no Ensino Superior em 1999 e é concursado do Banco do Brasil. Além de bancário e militante, Serley também atua como gestor de finanças. 

Em 2020, foi candidato a vice-prefeito de Fortaleza em 2020, pela chapa de Paula Colares (UP). Já em 2022, Serley se candidatou pela primeira vez ao Governo do Estado.

Catherine Teles foi oficializada como candidata a vice-governadora na chapa do UP. Natural de Fortaleza, a política tem 34 anos e possui o Ensino Superior completo.

Vera Lúcia (Novo)

Vera Lúcia da Silva, de 58 anos, é bacharel em Administração. Tem 15 anos de experiência na gestão de empreendimentos hoteleiros. 

Católica, também possui atuação em causas sociais, principalmente relacionadas à proteção animal e aos cuidados com a população idosa.

O correligionário Capitão Amilton Gomes foi oficializado pelo Novo como candidato a vice-governador na chapa.

Zé Batista (PSTU)

José Batista Neto, conhecido como Zé Batista, nasceu em Iguatu, no Centro-Sul do estado, e iniciou na profissão de pedreiro e de trabalhador da construção civil. Atualmente, ele é o presidente estadual do PSTU 

Zé Batista está na sua segunda disputa para para governador, cargo que também se candidatou em 2022. O político também é sindicalista e já disputou pleito para vereador, prefeito e governador, mas não se elegeu.

A professora aposentada Ivonete Félix é a candidata a vice-governadora na chapa do PSTU. Natural de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, Ivonete foi professora da rede municipal da cidade e é militante sindical desde os anos 1990.

Elegível para a disputa

Para terem condições de elegibilidade, os candidatos a governador e a vice-governador precisam atender a seis critérios. São eles:

  • Nacionalidade brasileira;
  • Pleno exercício dos direitos políticos;
  • Alistamento eleitoral;
  • Domicílio eleitoral na circunscrição;
  • Filiação partidária; 
  • Idade mínima de trinta anos.

Posse do novo governo

Após ser diplomado pela Justiça Eleitoral, o governador eleito toma posse oficialmente em sessão solene na Assembleia Legislativa, no dia 6 de janeiro do ano subsequente.

A data de posse governamental foi alterada de 1º de janeiro para 6 do mesmo mês recentemente, a partir da Emenda Constitucional nº 111, de 2021. A mudança começa a valer a partir da eleição de 2026.

A atualização tem o objetivo de facilitar a organização da cerimônia de posse, desvinculando a data tanto da solenidade do feriado da virada do ano, quanto da posse presidencial — a ser realizada em 5 de janeiro. 

Assim, após o pleito deste ano, os governadores e vice-governadores eleitos assumem os cargos em 6 de janeiro de 2027. A alteração não muda as etapas anteriores do processo, como a preparação para a transmissão do cargo, mas estabelece uma nova data oficial para o início dos mandatos estaduais.

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